Em comentário ao meu post de ontem à noite, o Rui Rocha indicou-me este vídeo. Como o Rui, sendo de Braga, não pode dizer mal de Guimarães aqui no blogue (seria demasiado óbvio), transformo-o eu em post. E vivam o dinheiro dos contribuintes e a macrobiótica parabólica polaroid.
O escultor sonoro-plástico que toca aspirador em pesquisa da alma acústica
escafandro,

E para os que julgarem que é brincadeira aqui fica o texto da programação oficial:
Uma instalação e intervenção sonora site specific sobre um quarteirão da cidade de Guimarães, com o recurso a uma instalação de ambientes sonoros, oriundos de uma documentação digitalizada conseguida entre entrevistas e conversas com a população local.
Espalhadas pela viela, em diferentes posições e constelações, encontram-se 20 cadeiras e 40 camisas brancas penduradas em estendais equipados com altifalantes. Em diferentes pontos das cadeiras estão instalados detetores de passagem que se ligam e desligam em função dos movimentos dos transeuntes, ativando os leitores que fazem ditar os registos/ambientes sonoros.
Os transeuntes e moradores são confrontados com os registos/ambientes sonoros processados em loop, numa multidisciplinaridade de atos criativos pertencentes à sua biografia. O universo sonoro é povoado e complementado plasticamente por intervenções do artista.
O conteúdo e objetivo da VI:ELASENTADA é motivar os habitantes daquele quarteirão para o desenvolvimento da sensibilidade, do sentido crítico, da mudança de atitudes e de valores em torno do espaço envolvente. Levá-los à redescoberta do prazer de aí viver e a dar testemunho criativo da sua história.
Através deste trabalho de pesquisa de som e espaço, pretende-se avivar a memória das pessoas, dando-lhes a possibilidade de redescobrir a poesia da rua, os pregões, o varrer das ruas, a música do bairro, os casamentos, a preparação das procissões, o tempo dos diálogos e das, a preparação dos arraiais, a luz pública noturna dessas noites, culminando este testemunho de som-espaço-palavra numa instalação sonora sobre a memória e rememoração dos sentidos.
http://www.guimaraes2012.pt/index.php?c at=191&item=43838
E eu a tentar que tu ficasses bem na fotografia…
…. Este é o Gustave Labarbe(Presidente da Câmara de Champignac – Spirou) portugues?….
Pelo menos, tenta. Mas falta-lhe o bigode.
lembro-me deste magano no programa do Herman, há uns 15 anos atrás, mostrando salvo erro um inovador instrumento musical feito de material reciclado, já na altura era apologista da abordagem macrobiótica, … um visionário portanto !
Ele subsistiu 15 anos à custa deste tipo de coisas?!
Bem aplicado seria o dinheiro empregue no tratamento desse marmanjo num hospital de malucos, isto supondo que pode ter alguma espécie de melhoras…
E andamos nós a pagar Impostos para pagar coisas destas!!!… E ainda por cima o sr. não aproveita para ir ao médico nem nada!!!… Aquilo já não deve ter cura… 🙂
Felizmente já não somos só nós. Os alemães, os holandeses, os italianos, os finlandeses, etc, etc, também andam. E há quem diga que vão acabar por ficar sem parte do dinheiro… 🙂
Hmmmm… se isto lhe permite ganhar a vida sem ter de trabalhar das nove às seis, não sei se o maluco é ele…
Quem devia ser internado era quem decidiu contratar esse maganão. É por coisas como esta que o défice não desce…
O quê, isto não estimula o crescimento?
O Rui Rocha, sendo braguês, está geneticamente obrigado a dizer mal de Guimarães. Os vimaranenses não esperam outra coisa e até agradecem o obséquio. Como dizia Oscar Wilde, pior do que falar mal de nós é não falar de nós, uma frase que o poeta plagiou directamente de uma vimaranense que conheceu quando era pequenino.
O que fica por perceber é o que é que o jaa, que não faço ideia de onde seja, quer dizer com este post. Afinal quer falar mal do artista ou de Guimarães? Se é para falar mal de Guimarães saiba que isso só por si é uma arte que obviamente não domina. É melhor passar a bola ao Rui.
Quanto ao artista, se Newton foi o que foi por causa da maçã que lhe caiu na testa, não vejo porque é que bater com a cabeça numa figueira levando um dióspiro a atingi-lo na tola, não há-de fazer dele um grande artista merecedor do dinheiro que o jaa diz ser dos contribuintes. Já vi dinheiro mais mal gasto.
Teresa: na verdade não sei bem de onde sou; nasci em Oliveira do Hospital, perto da Serra da Estrela, e resido em Gaia desde 1996 mas tenho de fazer um esforço para não dizer “Porto”.
Longe de mim querer dizer mal de Guimarães. Mas que houve por aí (como – e são apenas alguns dos exemplos possíveis – no Porto em 2001, em Lisboa em 1998 e em grande parte do país em 2004) duas ou três opções discutíveis e umas dezenas (talvez até para cima de uma centena) de euros mal gastos, isso parece-me inegável. Mas se calhar não é porque a Teresa – e se calhar eu também (ainda estou a pensar) – já viu dinheiro ainda mais mal gasto – no que é um dos problemas deste país: desculpamo-nos sempre com os erros (credo, tinha falhado um ‘r’, o que mudava completamente o sentido da frase) dos outros.
Verdadeiramente inegável é que pelo menos a cidade está bonita (mesmo sem camisas penduradas).
A cidade está bonita. Tire o “pelo menos” que está nitidamente a mais.
Não está. A cidade já estava (era) bonita antes. Admito é que talvez devesse ter escrito “pelo menos a cidade continua bonita”.
Na verve ninguém o bate. Nem a gaguez o atrapalha. Será natural de Fafe ?
Não sei, Gui. Mas a mim deixa-me faflito.
(Que tristeza. Não consigo chegar-lhe aos calcanhares.)
eheh, invejável este “prolongador”, como classifica agora a miudagem, todo aquele que fala e fala e ainda tem mais a dizer se nunca o interromperem 🙂
Ser artista é diferente de ser economista ou engenheiro. Perceberam ou querem um Pires de explicações?
Com fórmulas matemáticas, por favor.
Permitam-me discordar de todos: este é um artista dos nossos tempos, um verdadeiro “artista” que me faz estremecer. Agora de que índole é o meu estremecimento isso já não é pertinente: todos os génios foram a dada altura mal-amados, mal-entendidos.
É possível: o Michelangelo da roupa engomada.
Meu, que cenas é que andas a tomar?
Ainda vamos ver o povo vimaranense contra o artista que veio pendurar camisas… ou abrir caminho à proibição dos estendais no centro histórico ?
Reza a dada altura a ‘cartilha’: “… o objetivo da VI:ELA SENTADA é motivar os habitantes daquele quarteirão para o desenvolvimento da sensibilidade, do sentido crítico, da mudança de atitudes e de valores em torno do espaço envolvente. …”.
Ainda vamos ver o povo vimaranense contra o artista que veio pendurar camisas… ou abrir caminho à proibição dos estendais no centro histórico…
Reza a ‘cartilha’: “… o objetivo da VI:ELA SENTADA é motivar os habitantes daquele quarteirão para o desenvolvimento da sensibilidade, do sentido crítico, da mudança de atitudes e de valores em torno do espaço envolvente. …”.
Épá, diospiros com altifalantes nunca degustei, mas deve ser de chorar por mais.
Ele devia estar a falar de uma daquelas colunas para iPhone…
“Haviam senhoras”?!
Um dia pendurei umas calças que tinha lavado, para secarem à janela e fui multado. Ainda tentei a história da instalação e ele perguntou-me logo pela carteira profissional de artista. Não escapei à multa. O guarda não era simpatizante das artes! Sou um artista incompreendido, logo só posso ser bom artista (ou um mau lavador de calças).
A multa não terá sido por causa do estilo – ou da cor – das calças?
eram jeans. Nada mais apropriado a um artista incompreendido.
Caríssimo.
Desafio-o a fazer um post semelhante sobre o Serge Gainsbourg, Morrison, Van Gogh ou Arthur Bispo do Rosário.
No entretanto lembrar-se-à certamente de mais alguns malucos que por mero acaso foram artistas fabulosos.
Permita-me que lhe diga que o Sr. é um tanto quanto quadrado. E fala barato.
Cordialmente,
Pedro Mendes
“Permita-me que lhe diga que o Sr. é um tanto quanto quadrado.”
Sou mais redondo.
“E fala barato.”
É verdade. De borla para o contribuinte, até. Ao contrário do artista dos dióspiros.
A palavra cultura não lhe deve dizer muito.
Não me respondeu se ia fazer um post sobre os supracitados artistas.
Seba porquê? Porque terá realmente percebido que o senhor e o seu amigo Rui Rocha estavam melhor calados ao invés de expor ao mundo o total desconhecimento e falta de sensibilidade para com os temas sobre os quais se debruçam. Além claro de revelarem uma superioridade bacoca, um gozo apenas comparável ao de um puto que está a bater ao outro na escola, e uma necessidade de humilhação da outra pessoa que simplesmente só tem paralelo na estupidez.
O sr. por acaso foi ver qual era a obra do artista em questão?
O sr. por acaso sabe que as elites francesas se divertiam com Van Gogh em botecos, fazendo dele o bobo da corte, sem imaginarem sequer que a ignorância deles só alimentava a sua genialidade.
Pois deixe-me que lhe diga que o sr. é um repasto para a genialidade.
A humildade fica bem em qualquer pessoa, mesmo naqueles que se escondem atrás de um nickname frio e sem cara.
Estende-se este comentário a todos os que aqui vieram fazer o mesmo papel que o senhor, tentados talvez pela facilidade do biqueiro dado a um puto que até já está no chão. Triste vida.
Cordialmente,
Pedro Mendes
Pedro, tenho uma dúvida: você acredita mesmo que o senhor ficará para a posteridade (caso em que concordaremos em discordar e daqui a cem anos logo tiramos a dúvida) ou, como nestas coisas da arte, em particular da contemporânea, nunca se sabe, prefere apenas não ter uma opinião própria e aceitar tudo?
Caríssimo,
não faço a mínima ideia se o senhor se tornará num Van Gogh ou num sapateiro, nem é isso que aqui está em questão, por muito que o senhor queira polarizar a discussão.
Os exemplos que lhe dei, dei-os para que tenha noção daquilo que se pode perder se pessoas como o senhor, o seu amigo e outros parecidos nos levarem a desinvestir em educação e cultura.
Aquilo que aqui está em questão é que a limitação elitista que o senhor e muitos outros defendem é uma limitação que a arte e a cultura não podem ter, caso contrário são apenas objectos moldados para consumo instantâneo. A arte e a cultura não são o que o senhor acha que é ou o que eu acho que é.
O triste espectáculo com que aqui nos presenteou é apenas mais um dos que tem andado em cena por esse país fora. Pois venha o sr. ver o meu pai e a minha mãe, homem e mulher com a 4.ª classe e nos seus sessentas, a assistir a concertos rock no S. Mamede e a um quinteto de cordas nos banhos velhos das taipas e diga-me se cada cêntimo que nos sai do bolso para a cultura não vale a pena.
Venha o senhor ver as ruas de Guimarães cheias de vida e de criatividade e diga-me se cada cêntimo que nos sai do bolso para a cultura não vale a pena.
O mal deste país caro amigo, foi o dinheiro que não se investiu em educação e cultura até agora, e não aquele que se investe. O que se investe é pouco, infelizmente.
Cordialmente,
Pedro Mendes
Se foi ao programa do Herman, isso é logo meio caminho andado.
Nunca me esqueço, por exemplo, do duo Ele e Ela, de que coloco aqui uma obra-prima:
http://www.youtube.com/watch?v=G262n9gOY jI
Permita-me o caríssimo Rui Rocha que lhe relembre o brilhante Sebastião Alba, da sua cidade.
Lembra-se daquele a quem chamavam o maluco de Santa Tecla caro Rui?
Eu relembro-o.
http://www.culturapara.art.br/opoema/seb astiaoalba/sebastiaoalba.html
É cultura Caralho!
A ÁGUA
Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago.
Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da rasca
tira o cheiro a bacalhau da lasca
que bebe o homem que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão
Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho
Meus senhores aqui está a água
que rega as rosas e os manjericos
que lava o bidé, lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber às fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche
e lava a boca depois de um broche.
Bocage