Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Houve [em Lisboa, segunda-feira] só um cartaz com o Hitler: não é mau, comparado com outros países que já receberam a chanceler alemã, mas não deixa de ser uma vergonha. Mas bastou esse gesto selvagem (que equivale a dizer que Adolf Hitler era como Angela Merkel) para fazer eco na conferência de imprensa, levando a chanceler a dizer que não se importava.

Não se importa porque é tão desprovido de inteligência ou plausibilidade que não produz efeito nenhum. Há que saber insultar as pessoas. É preciso ser-se burro para responsabilizar a engª Merkel pela nossa situação financeira. Digo engª porque os portugueses, que não se coíbem de tratar os políticos pelos doutores e engenheiros que são, costumam tratá-la por srª Merkel, apesar de ela ser licenciada em Química, como era a engª Thatcher.»

Miguel Esteves Cardoso, no Público

4 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Estou em crer que o que responsabiliza a senhora Merkel é a nossa situação financeira, isto deve ser motivo para a tornar responsável. Situação esta que, com o desmantelar daquilo que poderia ter sido uma economia com base em bens transaccionáveis, usando a solidez de muitos de nossos recursos (pescas, florestas, agricultura, turismo, serviços…), tornou-se, enquanto durou, também, uma fonte de riqueza e prosperidade para as indústrias alemãs. Não obstante tudo quanto de errado foi feito, em particular para beneficiar certos sectores.
    Aqulilo que muito me admirou nos líderes europeus, e em particular na senhora Merkel, que não perde pitada para se colocar em bicos de pés, é o facto de pretenderem dar um tratamento igual para aquilo que é substantivamente diferente. Relativamente a esta questão, paro por aqui para não fazer deste comentário uma espécie de testamento.
    Vamos agora aos doutores e engenheiros, que são os monarcas da República. Permita-me citar 3 (três exemplos):
    1 – Uma multinacional levou a efeito uma reunião (para parecer bem, diz-se meeting) no país vizinho. Essa reunião pretendia, pedagogicamente, também traçar o perfil do gestores nos diferentes países do mundo. Curiosamente ou não quando chegou a vez de Portugal a imagem que surgiu foi a do marialva, com chapéu e tudo;
    2 – Em conversa com gestores de topo austríacos, uma das coisas que os surpreendia, e enfadava, era a demasiada importância que os portugueses com quem tinham contactado davam ao seu cognome;
    3 – Numa reunião que ocorreu em Portugal com um executivo inglês e um director de uma determinada instituição deu-se o seguinte episódio logo que se apresentou perante a secretária:
    – Senhor dr. … o senhor doutor… (da instituição em causa) vai recebê-lo dentro de momentos. Deseja um café?
    – Eu não sou o senhor doutor, sou o senhor… e vou reunir-me com o senhor fulano de tal. E a reunião que marcámos foi precisamente para esta hora e não para daqui a momentos.
    Devo acrescentar que este último era um MBA, e os anteriores na mesma linha e noutras linhas de formação.
    Se algum dia ouvirem dizer que os estrangeiros têm uma ideia errada a respeito de Portugal, quero que saibam que se referem a estas situações. Em geral eles têm uma boa imagem de nós. A questão da nossa imagem perante o mundo é uma produção nacional, geralmente para fazer sobressair quem diz que ouviu dizer. Mas isto já vem do passado.

  2. Tmbém tu MEC…

    A chanceler Angela Merkel licenciou-se e doutorou-se em Física ( o marido é professor universitário de Química). Não é e nunca foi Engenheira ( o divã de Freud explica essa fixação lusa pelos engenheiros).

    A biografia oficial pode ser consultada aqui:
    http://www.bundeskanzlerin.de/Webs/BK/De/Angela-Merkel/Biografie/biografie.html

  3. a “universidade” mec também atribui “créditos”: parece que para o mec um licenciado em química tem equivalência a engenheiro químico.

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