Jorge Sampaio tem estado particularmente falador nas últimas semanas – quase todos os dias sai uma declaração nova do ex-Presidente da República sobre a austeridade, sobre os desvarios do governo em funções ou sobre outra coisa qualquer. Sampaio, para todos os efeitos, foi uma nulidade durante a sua estadia em Belém. Em 2004, conseguiu, por motivos ainda hoje insondáveis (e provavelmente injustificáveis) dissolver um Parlamento eleito e derrubar um Governo de maioria, no conveniente momento em que o PS já se tinha livrado de Ferro Rodrigues e estava recuperado da luta fratricida entre Alegre, Sócrates e Soares (o mais novo). A má campanha social-democrata e o acesso de brilhantismo aritmético de Vítor “eu-calculo-o défice-à-centésima” Constâncio (porventura o português que melhor exemplifica o Princípio de Dilbert) fizeram o resto. Enfim, para a posteridade Sampaio legou não só uma série de discursos indecifráveis e a prestidigitação política acima referida, mas também a famosa frase “há vida para além do défice”. Pois há – o problema é que essa vida é, passe a expressão, uma bela merda. E como se não bastasse o défice e a crise e o mau futebol do Benfica (ou do Sporting), ainda temos que o aturar, como se não tivesse também já passado pelo poleiro e contribuído para o desastre. Haja paciência.
Porque não há nada tão mau que não possa piorar,
eventhorizon,

Subscrevo. E sublinho (retirado de um comentário aqui no delito):
– Gente como Sampaio uma das mediocridades responsáveis pela miséria presente.
Sem dúvida.
Respeito e partilho de alguns tópicos da sua insatisfação , nomeadamente: na constatação da actividade de Sampaio. Acrescentaria Soares e um sinal de alarme.
No caso de Constâncio e a sua relação com o principio de Dilbert , sou bem, mas lá está, entre o de Dilbert e o de Peter é só uma questão de ponto de vista, parece-me.
No que toca à frase: “há vida para além do défice” tenho a dizer que realmente é preciso ter lata para virem cantar de mansinho com os bolsos bem cheios.
No caso da dissolução do governo, Santana é um personagem marcante, conseguiu abafar todo o Governo com um ar de “tou cagando” o que não é de todo uma pratica estranha entre os restantes governos que temos tido. Depois o povo elegeu foi Durão e não Santana. Com respeito a esse fenómeno comum a todos os governos, muito me admira o estado actual, é a primeira vez que vejo um 1º ministro ser praticamente uma figura de 2º plano.
Passando à frente. Particularidades à parte, não vislumbro solução para isto que denominaram de crise, das duas uma ou fazemos parte de um grande plano que a minha humilde e pequena inteligência não alcança ou então é mais do mesmo: chit.
De facto, acho que no caso de Constâncio, aplica-se melhor o Princípio de Peter do que o de Dilbert – obrigado pela dica.
Na altura, o povo elegeu o PSD – não elegeu Durão ou Santana. Eu sei que essa não é a percepção geral, mas é como funciona o nosso sistema eleitoral. A opção de Santana Lopes é outra questão.
Como se sai disto? É uma boa pergunta. Também não sei como se sai, mas sei que não é com mediocridades como Sampaio – e tantas outras que por aí andam – que vamos a algum lado.
É a andropausa. Coitado!
Já o nosso rei Soares é pura ‘demência senil’. Aquela doença que hoje todos confundimos e adoramos chamar alzheimer.
Eu já nem falo do Soares. Desde que o homem escreveu no DN que o aquecimento global causava terramotos que decidi ignorá-lo como ignoro o emplastro.
Pois é meu caro, quando eles estão no poder têm dificuldade em justificar as suas ações, mas quando passam para o lado contrario conseguem justificar as ações dos outros. Foi assim com quem la esteve vai ser assim com quem la esta e vai ser assim com quem vira. È historico.
Excelente resumo, meu caro. A chatice é que nós temos de os aturar duas vezes: quando nos atiram para o abismo, e quando apontam o dedo a outros. Lá está, haja paciência.
como por cá eles não ouvem ninguém !
será que não se pode chamar ” o espanhol ”
para os mandar calar ?
PS: presumo que ele ainda mexe ?
Ora aí está uma excelente ideia!
A vantagem da república, relativamente à monarquia, é que não tem desvantagens.
Já repararam que os reis (e respectivos descendentes…) nem sequer podem ser homossexuais, como a gente comum, como se viu agora na Bélgica?
Quanto a aturar o Sampaio, paciência, já passou. Agora temos que aturar o Cavaco, que é outra nulidade…
Pois, mas o Cavaco está no poleiro para o qual foi eleito – enquanto o Sampaio já lá esteve, e fala como se lá não estivesse. Que o Cavaco seja a nossa cruz agora, enfim, é a vida, mas aturar também o Sampaio? Cruzes.