Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Mário Soares quer que se ponha em Belém um Giorgio Napolitano (porque não ele próprio?) e que esse benemérito ponha no Governo um Monti caseiro com um Govenro tecnocrático. Quanto aos partidos, assinariam colectivamente um compromisso de apoiar esses salvadores, enquanto o nosso, com certeza, admirável Napolitano o julgasse necessário. Na boca de um ‘republicano, laico e socialista’, a ambição surpreende. Mas Soares não mostra o mais leve sinal de inquietação com as consequências possíveis do exercício. E, no entanto, elas não custam a perceber. Empurrados para um mero papel decorativo, os partidos depressa acabariam num corpo-a-corpo, tanto geral como interno, e não tardariam a dissolver-se em pequenos grupos de aventureiros. O Presidente da República agiria na prática (e em teoria) como um ditador, por muito bem intencionado e ‘paternal’ que fosse. E a nossa famosa democracia acabaria nas mãos de um professor de Finanças, saído de um banco, de uma faculdade ou de uma catacumba, para continuar uma tradição que manifestamente não morreu.»

Vasco Pulido Valente, no Público

2 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Avisem, pf, a família do Mário Soares: ele está desmiolado, no sentido de que está “desmemorizado”. Ele esqueceu-se de tudo que disse e de tudo que fez (inclusive para mudar a Constituição), para que o Presidente da República não tivesse todos esses poderes que ele sugere. Como sei que isso foi no tempo do general Ramalho Eanes, parece-me que esse esquecimento não é normal. Digo eu. Ou talvez seja, mas, sendo assim, não faz sentido o que ele disse. O que também denuncia qualquer coisa de estranho…

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