Do enorme cansaço de ser


Patrícia Reis,

Ando há dias a pensar que deveria aceitar, de forma pacífica e sem temor, a sugestão da minha mãe – que tem anos – de viver sem expectativas. Se conseguir atingir tão grande proeza tudo será mais fácil, diz ela, dizem outros. Pode ser que sim. A verdade é que o tempo passa e o cansaço de ser o que se é neste país vai moendo. Não sou pessimista por natureza. Nunca fui. Hoje já não consigo ser optimista. Vejo as notícias pela manhã e tenho vontade de voltar para a cama.

9 comentários em “Do enorme cansaço de ser”

  1. Viver sem expectativas… como é que isso se faz? A única coisa que consegui até hoje foi aprender a não ter expectativas sobre ninguém.

  2. O melhor é deixar de ver as noticia de manhã.
    Eu só vejo á noite e… apetece-me ir para a cama. O que é bom.

    miguel

  3. Pode sempre fazer como eu, Patrícia: “desintoxicação noticiosa”!
    Já lá vão algumas semanas… Leio apenas o que procuro e ando muito mais “tranquila”.
    Recomendo vivamente.

  4. Percebo-te bem. É muito difícil não se cair no pessimismo quando ele se transforma em sinónimo de realismo. Mas não sei e acho que nunca saberei viver sem expectativas. Isso é morrer, não é viver.

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