15 comentários em “Há professores a mais?”

  1. Resta saber quantos desses professores não estão em organismos do Ministério da Educação ou a exercer outras funções que não o ensino ou em atestado de longa duração. Falar do número de professores a mais através dos que ficaram agora sem colocação é falacioso. Há mais em jogo e outros factores que provocaram este excesso.
    Agora: de há uns anos a esta parte houve uma debandada geral. Milhares de professores saíram do sistema e não foram substituídos nos quadros. Esta reforma em massa aconteceu a partir de 2009 precisamente. Quantos são em 2012? Estes dados não são fidedignos. David Justino sabe isso muito bem mas dá mais jeito ‘mandar umas bocas’ com gráficozinhos.
    Lê isto: http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=2630977&especial=Revistas%20de%20Imprensa&seccao=TV%20e%20MEDIA

    E para acabar: Crato diz que há professores a mais e depois diz que quer vincular os que há a mais ao quadro. Desgoverno absoluto.
    http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/nuno-crato-quer-professores-contratados-nos-quadros-1555574

    1. Claro que sim. Mas eu escrevi-o há perto de um ano e tu quase me crucificaste: com a teia que se encontra criada em imensos sectores, são frequentemente dispensados os melhores e não aqueles que fazem menos falta. Eu não conheço os pormenores do sistema de ensino – mas os professores, que conhecem, não podem fugir ao assunto; deveriam apontar alternativas: por exemplo, em que estruturas do ministério cortar. Porque a sensação que fica é que, nesta como noutras áreas, vinga sempre a tendência corporativa.

      1. Não concordo. Como se sabe que são dispensados os melhores? Quem sabe disso? Foi feita uma avaliação da qualidade desses professores? Pois. Não foi. Não nesses termos. Tal como tudo, é uma ‘lamechice’, desculpa-me, mas é mesmo o que penso. A qualidade de um professor não pode ser determinada pela impressão subjectiva de quem não partilha práticas e salas de aula. Tudo o resto é lirismo. Isso e o ‘jeito’ para o ensino. Os alunos reconhecem-no melhor que ninguém e nós nas escolas sabe-mo-lo parcialmente.

        Trucidei-te? Depende da forma como apresentaste as coisas e do que disseste. Se me vieste com o ‘corporativismo’ estrebuchei de certeza. Não me lembro, mas estes organismos de que falo são Direcções-gerais e nós, cá em baixo, não temos poder algum sobre isso. Mais uma vez são ordens emanadas de cima. Há muitos anos que os professores deixaram de ter redução no horário para desempenho de cargos. Essas horas entram na componente não lectiva. Agora um outro exemplo: ser Director de Turma é uma tarefa que envolve muito mas muito trabalho, essencialmente burocrático de tratar os pais e alunos como débeis mentais mas tem de ser feito em prazos apertados. Este ano cortaram as horas para a Direcção de Turma em mais de metade. Em 90 minutos semanais não se consegue enviar cartas, contactar encarregados de educação e recebê-los. Por outro lado, há professores na escola com horário reduzido, os tais do quadro que ficaram sem componente lectiva e que foram repescados. Não seria melhor dar-nos mais horas para este cargo e distribuir na mesma as horas pelos outros que, mesmo com horário reduzido, continuam na escola a auferir o de sempre? Crato não acha. São estas coisas que não têm sentido mas enquanto as pessoas não se esforçarem por ver a realidade em vez de repetir os preconceitos de sempre ad nauseam não há discussão possível.

        1. Leonor: quem escreveu que muitos professores estão em funções não lectivas, dando a entender que esses são menos cruciais, foste tu. Eu não sei quais devem sair – apenas sei que alguns têm de sair e que é habitual em muitas estruturas (também do sector privado) nem sempre a competência ser o factor principal de decisão em casos destes.

          A questão que levantas tem lógica – não sei é se Crato tomou essa opção apenas por não ter coragem de dispensar mais uns milhares e preferir deixá-los numa situação que torne mais fácil fazê-lo no próximo ano, se for necessário.

          1. O meu ‘não concordo’ é com a ideia de que os melhores é que fogem. Eu acho é que professor é professor e dá aulas. Mesmo os Directores devem dar aulas para não perder o contacto com a realidade.
            Quem está nessas organizações conta para o ratio e depois dá nisto.

  2. Não há mercado da educação, é impossível saber se há professores a mais ou a menos.
    É o mesmo que dizer se havia demasiados carros olhando para os Trabant ou Ladas nos países de Leste. Como se vê hoje há muitos mais carros…

    Por exemplo se houvesse escolas que construíssem a sua reputação em liberdade e tivessem bons resultados talvez os portugueses fossem mais inclinados para o ensino e aprenderem mais. Ir lá por exemplo a cada 10 anos actualizar-se.

    Os professores não servem só para ensinar crianças.

    Mas os professores hoje são meros funcionários não têm liberdade para nada – assim o quiseram em troca de emprego seguro.
    Agora ficam sem uma coisa e sem outra. É o que acontece a quem troca sua liberdade pela segurança dando todo o poder ao outro.

    1. Considerando que nos gráficos estão países com sistemas de ensino muito distintos e que Portugal apresenta o rácio alunos/professor mais baixo, acho que podemos concluir sem grande receio de erro que em Portugal há professores a mais.

      1. Em 2009 segundo o gráfico e isso é que acho desonesto no post de David Justino, que por acaso nem foi Ministro da Educação de um governo PSD nem nada… Contudo, sim, se considerarmos o ratio assim é.

    2. Seria interessante conhecer o “ratio” Prof /Alunos das escolas com excelentes resultados nos seus alunos, e comparar com as que têm fracos resultados. Com as variáveis ensino privado / público, aduzindo meios sociais obviamente díspares.

  3. Eu sou professor de História. Por acaso tenho leccionado no ensino secundário, onde a disciplina tem um razoável número de tempos por semana, mas caso ensinasse no 3.º ciclo teria de ter, para ter o horário completo, à volta de 10 turmas. Isso significa uns 300 alunos por ano, talvez um pouco menos. Não me estou a queixar de eventualmente ter muito trabalho, nada disso. Mas será que consigo trabalhar com a mesma qualidade? Duvido. Já tive essa experiência anos atrás. E além do mais fica-se, humanamente, completamente esgotado. Ensinar implica, como bem sabem, uma entrega muito grande em termos humanos. E com tantos alunos é absolutamente avassalador, extenuante. Com vinte e poucos anos aguenta-se, quando se está nos quarentas a energia já começa a não ser tanta, confesso.

    1. ramila : eu sei que há muitos professores a trabalhar muito. Mas isso significa que há muitos outros, nas escolas, nas estruturas do Ministério, a gozar licenças, etc., que não são produtivos. E, honestamente, o argumento de que menos alunos por turma ou por professor daria melhores resultados escolares é, na conjuntura actual, secundário: estamos falidos. (Se calhar o sistema de saúde também melhorava com mais médicos nos centros de saúde – eu nem sequer tenho médico de família – e com mais hospitais: mas estamos falidos.)

  4. Chegámos a este triste ponto de discussão:

    Professor Nogueira /: ” Nuno Crato não conhece o cheiro duma sala de aula”

    Nogueira – PROFESSOR /Presiidente do Sindicato

    Há mais de 20 anos que não dá aulas.

    Classificação profissional: Excelente!

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