Não se estranhando em Cavaco Silva, eterno opositor dos referendos, ou em António José Seguro, de quem não recordo qualquer posição sobre o assunto (mas, com excepção da voz sacerdotal, admito ter dificuldade em recordar o que quer que seja que lhe diga respeito, por vezes até a própria aparência física), é curioso como tantas pessoas que, ao longo dos anos, acusaram (bem, na minha opinião) o processo de integração europeia de falta de democracia por, sempre que possível, fugir ao escrutínio popular, estão agora não apenas dispostas a aceitar mas exigindo que o BCE, um organismo liderado por burocratas não eleitos (do calibre de um Vítor Constâncio, no less), tente resolver problemas de origem política à revelia da opinião que parece imperar em vários países.
Matizes de democracia
escafandro,

JAA Mt . bom. Que nunca lhe falte tempo e disposição para por os pontos nos iiis , a bem desta caduca “democracia”.
Absolutamente de acordo. Em tempos de vacas paupérrimas, as pessoas querem um salvador (seja ele qual for) e acreditam em milagres. Por isso esquecem facilmente que o preço a pagar é terem de entregar uma boa fatia da sua capacidade crítica. E da democracia que tanto prezam.
Gente perigosa, adicionar que são pessoas que acreditam que a política monetária ou para usar o termo do escritor noutro post: “economia financeira” “resolve” problemas não monetários.
Quanto ao que escreve, nada a dizer.
Referendos, só o houve quando os proponentes sabiam já que o resultado lhes era favorável. Dois para o aborto e um para a regionalização.
Sobre assuntos de soberania, nada. E foram muitos e importantes.
JS (1º comentário) fala numa democracia caduca. Se a interpretar como tendo caducado, discordo. Nunca a houve plenamente!
Quando o governador do Arizona (creio eu, não pesquisei) impôs legalmente nas escolas o criacionismo cristão em pé de igualdade com o evolucionismo de Darwin, nós europeus estranhamos.
Ouvi a história de um jornalista francês que lhe perguntou a opinião. A resposta foi: “–não aceito o criacionismo, mas estou aqui para fazer o que eleitores querem e não o que eu quero”.
Acho esta perspectiva de democracia mais adiantada que a nossa. Por cá, o eleito acha-se com um cheque em branco para fazer o que quer. Uma elite intelectual.
Por isso contesto “a boa programação da RTP2”. Aproveitei para dar este esclarecimento. Não vale a pena pegar novamente no tema, pelo menos neste post.
…post coberto de razão.Bem pensado.