Sons e silêncios, num pacto sublime, encheram a nave do Panteão Nacional de Santa Cruz, agarrando as alturas da belíssima abóbada manuelina e descendo sobre a gente que enchia o templo de acústica excelente, sentada pelos bancos e pelo chão carcomido de pedras quase milenares, diariamente pisadas por Camões ou Fernando de Bulhões, frequentadores do seu activo scriptorium.
Na capela-mor, cantava o coro do Oriel College, um dos 39 que compõem a colegiada inglesa mais conhecida do mundo, a Universidade de Oxford.
Não eram mais de vinte vozes, dirigidas por David Mow, as que fizeram aquele feitiço monumental e inesquecível.
Nas pausas, Maria João Araújo, professora de Música da universidade britânica, explicava as várias fases do reportório, em que não faltou a maravilhosa Ave Maria de Pedro de Cristo.
Sim, na internacionalíssima Oxford, et pour cause, há um investigador especializado na produção musical ibérica dos sécs. XV a XVII, Owen Rees, que se debruçou especificamente sobre a obra musical deste mosteiro de Santa Cruz e fez renascer trabalhos de criadores portugueses desse período como Duarte Lobo, Manuel Cardoso e, claro, Pedro de Cristo, compositor coimbrão do séc. XVII.
E foi assim que saí, consolada. Orgulhosa da música do meu país, mas… pela mão vocal dos ingleses.
Ouvir, sem ver, aqui (porque sem aquele palco não há imagens que mereçam o Oriel College Choir):


A barra inferior é uma obra de grande engenharia!
Estou impressionada com a nossa engenheira Laura! Não sabia que isto se pode fazer, é a solução ideal para aqueles videos pavorosos mas com boas músicas.
Coisas que se ‘arranjam’, como a Música pede…
Nem mais, Ana: foi isso qu e moveu. Música sem imagen, quando esta não serve enquanto tal. Só vozes…