Os salvadores da pátria


Pedro Correia,

A economia, à escala europeia, conhece as monumentais dificuldades que todos sabemos. Apesar disso, ou talvez por causa disso, não tropeçamos numa pedra na rua sem vermos sair de lá meia dúzia de improvisados economistas carregados de soluções mágicas para solucionar todos os problemas. Que esses economistas de circunstância não tenham o menor conhecimento da ciência que dizem dominar é um pormenor de somenos: basta-lhes dois pós de retórica e três citações dos mestres da moda (Krugman, Roubini e Stiglitz) para debitarem as suas teses capazes de ressuscitar a prosperidade nesta Europa com a corda na garganta.

Faltam de repente dois mil milhões de euros para cumprirmos os compromissos acordados com os nossos credores internacionais? Não tem importância: proceda-se de imediato a cortes nos “cerimoniais do estado”, proclama um destes improvisados génios da economia. Certamente convicto de que a poupança em amendoins e tremoços garante o passaporte automático ao pagamento de salários, pensões e prestações sociais à margem das estritas regras de disciplina orçamental impostas pelo acordo de assistência financeira negociado in extremis com as instituições internacionais que concedem crédito ao Estado português.

 

Andamos a brincar com coisas demasiado sérias, entretidos em oratória de salão, como se não víssemos as chamas a arder nas casas em redor.

Numa altura em que o sistema financeiro espanhol está em risco de derrocada.

Numa altura em que o Executivo de coligação entre socialistas e comunistas que governa a Andaluzia – a mais populosa região de Espanha – aprova a subida de impostos e a redução dos salários dos trabalhadores da administração pública.

Numa altura em que Chipre – único país da Europa com um Presidente comunista – solicita um auxílio internacional de emergência que deverá totalizar dez mil milhões de euros.

Numa altura em que o Governo italiano anuncia o despedimento de 10% dos funcionários públicos e a eliminação de mais de metade das províncias – numa reforma administrativa sem precedentes motivada pelo astronómico montante da dívida pública.

Numa altura em que até a França necessita urgentemente de cortar 43 mil milhões da sua despesa, admitindo-se já a redução de benefícios sociais e do número de funcionários, o que terá contribuído para a rápida queda de sete pontos percentuais da popularidade do novo inquilino do Eliseu, François Hollande.

Numa altura em que da Finlândia vem um aviso que deve ser levado em conta: Helsínquia recusa continuar a pagar as dívidas dos outros países que integram a zona euro. Outros países poderão em breve ameaçar fazer o mesmo.

 

Em Portugal, indiferentes à realidade circundante, os mais diversos protagonistas ocupam a todo o momento os púlpitos mediáticos em pose e tom de salvadores da pátria: propõem medidas populistas destinadas por um lado a colher aplausos fáceis enquanto por outro agravam os riscos da execução orçamental e condicionam ainda mais o que resta da nossa soberania.

Como se permanecêssemos mergulhados nos anos de ilusória prosperidade que conduziram à situação actual e a Europa, enquanto projecto de unidade económica e política, não estivesse hoje em sério risco.

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23 comentários em “Os salvadores da pátria”

  1. Quais são os mestres, os estudos académicos, as bases científicas, em que se baseiam os defensores da estratégia actual para contrariar os “mestres da moda”, como lhe chama? Qual o brilhantismo económico que afinal nos ilumina? E não adianta dizer coisas do tipo “não há dinheiro não há palhaços” ou “paga quem manda” ou “um país é como uma família ou uma empresa”. Isso é conversa de taxista, sem menosprezo para a classe.

    Obrigado.

    1. Sr Rodigues,
      Não são precisos estudos academicos, nem bases cientificas para se perceber que se não há dinheiro não há palhaços. Nem precisa de um taxista, qualquer dona de casa lhe explica porquê.
      Tambem há os que como Mario Soares disse no outro dia nos Prós e Contras ” que o dinheiro aparece sempre”.
      No caso dele terá aparecido sempre, mas se não tivessemos pedido a ajuda á troika, não sei de onde é que o dinheiro apareceria.
      Não são precisos sabios nem cientistas da economia e das finanças publicas, para percebermos que provavelmente esta é a ultima oportunidade de este país vir a ser um pais desenvolvido. Como podemos constatar, há muita gente (ir)responsavel em Portugal que está apostada em que isso não aconteça. Apesar dos nossos quase nove seculos de existencia , se não conseguirmos resolver os problemas que temos, vamos ao fundo mais depressa do que muita gente pensa. Convem não nos esquecermos que estamos reduzidos às fronteiras do sec XV, agora somos apenas um rectangulozinho à beira do mar.

      1. Pois, é isso… Uns levam o rótulo de salvadores da pátria, outros não. Uns acham que os segundos a estão a afundar, face ao movimento geral do país, que é para baixo, outros acreditam que se forem suficientemente fundo vão emergir do outro lado.

        Portugal vai mudar-se para a Nova Zelândia, é essa a nossa última oportunidade.

        Só temos que ultrapassar aquela dificuldadezita que é o núcleo da terra. Mas somos um país de Sol, estamos habituados ao calor.

        1. Pois é isso mesmo, é por isso que nem há 500 anos com as especiarias da India, nem há 200 e tal com o ouro do Brasil conseguimos deixar de ser aquilo que somos: um país onde abundam os xicoespertos com um sentido de humor imbecil.
          Para alguns desses, nem é preciso passar o nucleo da terra para terem os miolos torrados.

      2. A mesma dona de casa lhe dirá também que estão a gozar com a cara dela quando não tocam por exemplo nas parcerias público privadas. Vá dar uma voltinha de táxi meu caro.

        1. O problema é quando as PPP são parcialmente detidas pelos mesmos credores que colocam cá o guito!
          A vigarice protege-se bem… quem nos está a resgatar são os mesmos que nos raptaram.

        2. Tem toda a razão, mas se fosse a si esperava mais uns tempos para ver como é que se resolve o problema das PPPs. Na minha terra costumamos citar um ditado que diz “que as cadelas apressadas parem os cães cegos”.
          Vamos ter calma, porque quem fez os contractos, deixou-os de tal maneira blindados que não é facil dar-lhes a volta, e um problema destes não se resolve em meia duzia de meses.
          Mas parece que quem auditou os contractos aponta boas pistas para se resolver o problema. Veremos agora se há ou não coragem politica para resolver o problema!

    2. Nunca hei de entender a necessidade de sofisticação de muitas pessoas mesmo para as coisas simples.
      Meteram na cabeça que o complicado é necessariamente mais importante que o simples…

      l.rodrigues há coisas importantes que precisam só de umas palavras para serem explicadas. E podem ser por um taxista, uma dona de casa.
      Por isso é que os taxistas e as donas de casa levam muito menos as suas actividades à bancarrota que gente da universidade.

      A comentário final também explica o caso, Evidente que o que disse é menosprezo para a classe. Mas torna-se mais fácil contradizer-se quanto mais “educação” se tem. Quando a educação se torna uma camada que nos afasta da realidade temos o que acontece hoje. O desastre Europeu é resultado de pessoas altamente educadas. Tão educadas que não ligam à realidade.

      1. Tem razão. Gente muito educada. A começar pelos banqueiros como agora os do Barclays e continua-se a atirar-lhes dinheiro para cima. E pelo educados que conceberam o Euro como uma bomba relógio que agora nos rebenta na cara.

        1. Ora bolas eu que pensava que você fosse daqueles que criticava as agências de rating por finalmente se terem aproximado da realidade…
          Afinal você é um perigoso neo-hiper-liberal por querer que o Barclays não camufle os juros ultra altos pelo dinheiro que pedia emprestado e assim tornar ainda pior o estado da economia para o Governo…não importa que os juros da Libor fiquem mais altos.
          Clap clap!

          Muito bem quer a verdade económica. Será que é só neste caso? Ou será que não quer a verdade económica e quer apenas criticar o Barclays porque julga que assim chateia a “Direita ultra liberal” quando o que o Barclays fez é o que qualquer Governo Socialista(de direita ou esquerda) quer: que a Libor não suba.

          Já teve notícia que os investidores pagaram para comprar dívida francesa?

  2. Eu o que me lembro é de um post do Pedro, ainda no tempo de Sócrates, em que o Pedro falava de passarem poucos carros na sua rua e dizia que isso se devia ao monstruoso desemprego que grassava no país nesse tempo.
    Hoje em dia certamente passam ainda muito menos carros na rua do Pedro, e o desemprego é ainda muito maior do que era nesse tempo, mas o Pedro já não escreve posts desses.
    Como o discurso do Pedro mudou desde o tempo de Sócrates.

  3. Pois, mas é um facto que eram os meninos do PSD que passavam a vida na televisão, antes das eleições, a apresentar soluções fantásticas para cortar na despesa. Como aquele rapazito que agora é secretário de estado adjunto, o Moedas, e tem uma empresa que gere participações em outras empresas ou lá o que é. Soluções que evitavam subir os impostos e cortar salários. Acho que era esse que dizia ser possível cortar 500 milhoes nos consumos intermédios. Apesar de estes terem subido na presente execução orçamental. E além disso eu so continuo a ver é comentadores de direita na televisão a dizer que este caminho é inevitável e que no TC são uns irresponsáveis e que cortar nos FP é que é bom e justo. Não sei pnde andam esses comentadores do contra de que fala que nunca os vejo nem ouço nas nossas televisões. Realmente os senhores se calhar só ficam felizes quando instituírem a Censura de novo para ninguém poder contrariar o Governo e Bruxelas e os Mercados. Realmente, 40 anos de Salazar deixaram a sua marca em muito boa gente….

  4. Os economistas conseguiram o prodígio de verem os seus prognósticos terem credibilidade semelhante aos de um qualquer Rui Santos no futebol, ou Maya na astrologia.
    No entanto, apesar das suas previsões viverem em separação de facto com a realidade, não se vê que isso lhes belisque o protagonismo.
    Afinal, os jornais nunca prescindiram do horóscopo… sabe-se que não serve de nada, mas o seu espaço de catarse é garantido.

    No entanto, a economia tem mesmo alguma parte científica, só que em períodos de crise não valem as teorias de período de estabilidade. Por isso, o nosso filósofo Sócrates de Paris ficou muito surpreendido por haver dívidas que a certa altura têm mesmo de ser pagas.
    Em períodos de crise, vale o fundamental, e aí o taxista ou a doméstica percebem melhor o problema – sabem que a mercearia lhes pode fechar o “livro do fiado”.
    As soluções não passam apenas por aí, mas quando a Alemanha insiste em fazer uma política de “dona de casa” (daí o nome Senhora Merkel), protegendo o seu mealheiro, quem está na mesma casa sofre as consequências.
    Na realidade a Alemanha tem feito mais o papel do merceeiro que não fia mais, e arrisca a que os fregueses passem fome, comprometendo o seu próprio negócio. E quando a crise aperta, até a loja do chinês está a perder a clientela habitual…

  5. O actual secretário de Estado adjunto Carlos Moedas tinha tantas certezas no que dizia, recordo-me de o ver num debate, com o programa eleitoral do PSD na mão a afirmar, com a arrogância habitual dos inexperientes, que tudo naquele programa estava testado e era garantida a sua boa execução.
    Falam muito de cortar o Estado Social, que não há dinehiro para o manter. Não é a falta de dinheiro que justifica o fim do estado Social, é uma matriz ideológica, é o pensar que o Estado não tem que valer aos seus cidadãso, é o individualismo cego do liberalismo, cada um por si e quem não se aguenta que se vá embora. Ainda há pouco num noticiário ouvi o Relvas na AR tranquilamente a falar sobre a privatização da RTP e a informar que só faltavam escolher os “advisers” jurídico e outro qq que não me recordo. Tradução: Para vendermos o único canal televisivo com potencial de rentabilidade do Estado, ainda temos que escolher qual o escritório de advogados a quem vamos entregar parte da tranche! E depois o mais curioso é que desses escritórios, parte ou mesmo a grande parte dos advogados sócios são deputados. Elaboram as leis que depois na sua actividade privada utilizam. E claro que ainda os havemos de ver como membros do próximo conselho de administração dos futuros proprietários do novel canal televisivo privado.
    Mas claro que para a saúde e educação, como o PM já disse, não tem o Estado dinheiro, nem condições para assegurar o seu papel. O Estado está mesmo a esticar a corda, vulgo paciência, dos portugueses. Os portugueses podem aguentar mas quando rebentarem havemos de ver onde isto, o nosso Estado, irá parar.

  6. Eu percebo bem o comentador L.Rodrigues.
    Mas, como acabei de comentar num post lá mais acima, eu sou mesmo estúpido.
    Atenção, com isto não quero dizer que L. Rodrigues o seja, pareceu-me até bastante lúcido.
    Para mim, estúpido que nem uma porta, estou prontinho a apostar com Vexas que, mal o FMI perceba que vamos pagar, passará a ter um enorme problema, ou seja, onde por o seu (d’Eles) tutu a render.
    E aí a minha aposta é a seguinte; ainda cá estaremos para ver os dótoures do FMI, provávelmente já pela voz do seu alto representante Gaspar, a dizer que para sermos mesmo civilizados à séria e pormos a economia a crescer, temos é que construír um novo aeroporto e um TGV em forma de W e, claro, para isso estarão prontinhos a dar garantias sobre a qualidade AAA da nossa dívida.

    1. O FMI é um banco? não sei que idade tem o sr Veloso, mas eu tenho a suficiente para ter sofrido as duas “visitas” que o FMI nos fez em 77 e 83. E das duas vezes que cá veio, entrou, ajudou-nos, e saiu. E não exigiu coisa nenhuma para além do que estava acordado.
      Eles não devem é conhecer muitos paises que em 35 anos tenha necessitado de tres “visitas” do FMI.
      Parece até que nunca aprendemos, e quando vejo certos “craneos” contra a receita que nos está a ser aplicada, parece até que gostam tanto do FMI que o querem ver cá por muito e bons anos.

      1. Caro Sr Silveira, sou de facto um estúpido que tb assistiu a essas ajudas todas que relata e, se Deus quiser, ainda cá estarei para mais algumas das inevitáveis próximas ajudas do FMI.
        Essas ajudas, como lhe chama, de tão altruistas e baratas que nos saem, parece até que se trata de dinheiro sem dono e sem interesses (coisa fantástica), pelo menos é isto que retiro do seu comentário.
        Pois bem, o que me apetece dizer-lhe é que antes estúpido do que cego, seja com que idade fôr.
        Mas deixemo-nos de considerandos superficiais, se está tão convicto da bondade dos ajudadores, porque não aceita o meu desafio e aposta comigo uma jantarada das boas?
        É que continuo a ser da opinião, de que, por via da fantástica ajuda que estamos a ter, lá por volta do limiar desta legislatura, a palavra de ordem para o relançamento da economia irá ser a receita do costume baseada numa igualmente fantástica avaliação do FMI que, aliás, desde já e dia sim dia não, já podemos ver nos noticiários em discurso directo dos representantes dos ajudadores.

        Já agora e visto que acredita em coisas fantásticas, empreste-me aí as suas poupanças, desinteressadamente claro, para eu ir ali ajudar umas famílias que bem precisam.

        1. Deixando de lado algumas considerações que faz e que me abstenho de comentar, deixe-me dizer-lhe que quando o FMI cá veio, veio porque o chamaram. Foi assim em 77 quando, de acordo com Silva Lopes não havia divisas para pagar nem um barco de trigo, foi assim em 83, e foi assim em 2011.
          Mas se conhece alguem que empreste dinheiro a outrem e não leve juros por isso, diga lá aonde é que é, porque eu estou interessado nesse negocio.
          Quanto à receita que nos aplicaram em 2011, é publico que é menos violenta por pressão do FMI: tanto a UE como o BCE queriam medidas mais gravosas. De resto um país falido como Portugal conseguir 78000 milhões a pouco mais de 3%, é bem bom. Neste momento não há nenhuma empresa em Portugal que consiga uma taxa de juro abaixo dos 5-6%.
          Quanto às minhas poupanças, estão à sua disposição desde que fique tambem com as dividas. OK?

  7. A questao central, no que se refere a Portugal, e a de saber se Portugal e um pais viavel. Portugal sempre dependeu do exterior. Primeiro dos descobrimentos, mais recentemente da UE. A UE, por sua vez, esta confrontada com uma Europa a duas velocidades. Uma, mais economica, liderada pelo RU, onde possivelmente se ira juntar a Turquia, uma segunda, com uma integracao mais politica, liderada pela Alemanha (que vai dando sinais de se querer demarcar) e a Franca onde estarao os paises das zonas Euro e Shengen.
    Importa neste contexto olhar para os Balcas. A regiao nao esta pacificada e dali poderao surgir desagradaveis surpresas

  8. Saudações a todos
    Meu nome é Manuel Gonçalves e tal como vocês, partilho desse sentimento de desapontamento face á triste realidade que cada um de nós se depara nos dias de hoje.
    Isto de ser Português é algo inevitável que é nos imposto por natureza, não a volta a dar a este facto. A realidade é a de cada um, e vois que hoje estais indignado por certo no vosso caminho cruzaram-se com muitos, já á muito descontentes com a sua (realidade) neste aspecto, atrevo-me a vos dar as boas vindas a minha realidade estando certo que desde há muito que o nosso numero aumenta, já chega a classes, que até há pouco tempo eram poderosas, ainda o são, mas parece-me que que pelo andamento isto vai chegar a todos, até mesmo aqueles que hoje criticamos e culpamos, é inevitável, uma questão de tempo e da natureza.
    Naturalmente e olhando a nossa História com alguma profundidade, dou por mim surpreso, “mas isto é o nosso fado, e esta gente não vê que isto foi sempre assim!” . Não, a teoria de que isto agora tinha tudo para mudar, não pega bem no meu ouvido.
    Ora vejamos, recuando vemos este Portugal nasce de uma situação de conflito entre uma mãe e seu filho, da briga, o filho pegou numa pequena parte de território, infelizmente chamou a mãe de “puta” e parece que lhe deu um estalo na face, zangado ou contente fechou-se neste “cantinho”, defendeu-o com toda a sua força, evidentemente que não o fez sozinho, havia mais como ele e desde então são eles quem governa e desgoverna e desta, alerto que quem governa, em 1º primeiro lugar governa-se a si.(em tua casa não é assim?) mas isto vai mal, neste andamento vamos voltar ou ás mãos de uma ditadura e ao poder um “punhado” de feudos que se governam sem nenhum sentimento que demonstre amor e garanto do bem e do bom ao seu povo, ou então teremos convulsão social.
    Capitalismo, é só um designação, um nome, que vai mudando ao longo da Historia, depois na pratica tudo se resume a uma espécie de “Reis, glutões de luxuria” que não olham a meios para enriquecerem(se), a vaidade é uma caracteristica própria do ser humano
    Quanto a Portugal como identidade que é, é caso para dizer “pau que nasce torto mal ou nunca se endireita”
    Vejo que sempre andamos ou mendigar ou a roubar, somos como os outros, mas com a diferença de tamanho, somos pequeninos e passamos por isso, mais tempo a mendigar do que a ganhar ou a roubar ou lá o que quiserem lhe chamar. Acabaram-se as colónias ou perderam as colónias (pouco importa agora, se foram perdidas ou outra coisa qualquer) e sem outro caminho a seguir foi bem vinda a CEE e a globalização, nos primeiros 25 anos houve dinheiro para todos, “era uma alegria”. Agora acabou-se a “mama” agora temos é que pagar por 25 anos em que nenhum governo tivesse sequer tentado mudar “este fado”.
    Eu ainda parvo julgava que isto tinha tudo para endireitar, ilusão, mera ilusão. E depois, isto já lá estava tudo escrito e assinado, o contrato foi esse e além do mais, ninguém dá nada por mão beijada. Agora ou pagamos ou fazemos o quê? não fazemos nada, somos tão pequeninos que neste globo quase que nem nos vêm, somos como uma formiga no meio de elefantes. Desta feita caía bem era uma manifestação de indignação civilizada, relembrando o 25 de Abril, mas em vez dos cravos irem enfiados nas G3, levavamos-os enfiados no “traseiro”.
    De resto, o próprio global, a Terra, ela não cresce, apenas aumenta a sua população e por isso mesmo também esta em desequilíbrio.
    É natural e é simples, pelo facto de não ser possível que um sistema dure eternamente sem um dia colapsar e este, o Capitalismo, ser um sistema veloz para atingir grandes valores, mas e como consequencia inevitável, vai colapsar, não se animem aqueles que assim o desejam, são processos demorados, depois ainda há que passar por um período de luto pousio, para só então dar lugar a o nascer de um novo sistema, pois só é possível tal acontecer quando o equilíbrio assim o permite.A velocidade do processo varia consoante a sua dimensão, se for global é lento, estou a falar de séculos ou milénios, se for por Ex: Europeu, são décadas ou até mesmo séculos e por aí fora até chegar a si, ou a mim, bastam-nos 9 meses para nascer e apenas uns segundos para colapsar.
    Este momento da vida é a nossa realidade.

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