É irresistível, agora que voltou à liça, comparar o caso do desvio dos gravadores com o do Público/Relvas. Factos: um confiscou os gravadores dos jornalistas que o entrevistavam, o outro perdeu as estribeiras ao telefone com uma jornalista, ambos na sequência de perguntas que os incomodaram. Quando posteriormente apresentaram desculpas pelo seu comportamento os dois alegaram sentir-se pressionados. Ricardo Rodrigues usou para o efeito a expressão violência psicológica.
Francisco Assis, na época líder parlamentar do PS, recusou-se a fazer comentários “sobre o que se passou exactamente, porque se tratou de uma reacção motivada por uma grande indignação“. Os deputados socialistas decidiram igualmente não discutir o assunto na Assembleia da República e a Comissão de Ética decidiu não analisar o caso, com os votos contra do PSD e CDS.
Quanto a Relvas, como se sabe, os apoios e acusações registam-se em idêntica proporção, com o PSD e o PS mais a ala do PSD que o odeia a assumirem posições inversas. Na bloga, esta alternância democrática também se registou, como lembra aqui Miguel Noronha.


A coerência, o carácter e a consequência ausentes como sempre, em transversalidade, desde que me lembro.
Triste fado o Nosso.
Tudo isto dá-me vontade de rir, de chorar, de gritar obscenidades até mesmo às progenitoras destes invertebrados, ainda reconhecendo que elas não têm culpas das atitudes impróprias dos seus “rebentos”!
Tudo isto não é uma pouca vergonha mas uma total e completa falta dela, de pudor, de honestidade, de hombridade, de tudo o que compõe um ser humano com uma espinha dorsal vertical.
Mas se calhar sou eu quem está errado!
Depois de ler este seu post, fui ler o que tinha escrito antes sobre estes dois.
No seu posts anterior reclamava (suvamente) porque o tal Rodrigues ainda mantinha as suas funções..o que por acaso foi uma precipitação sua porque ele se demitiu.
No outros mostra-se compreensiva com Relvas. Foi apenas uma novela mais ou menos inventada por almas sensiveis.
Quanto á ultima noticia (que a comunicação social parece ter abafado..) não tece nenhum comentário. Relvas foi publicamente acusado de tráfico de influências de, eventualmente, de corrupção passiva…e nada.
Continua ministro, provavelmente na Ucrânia a ver a bola.
Este seu post parece ser sobre a existência de dois pesos e duas medidas que, suavemente, apelida de “alternância democrática” (certamente por algum facilitismo semântico), mas acho curioso que aparente auto-excluir-sea do processo quando o seu próprio exemplo é tão cristalino.
Miguel
“Relvas foi acusado de tráfico de influências, de eventualmente, corrupção passiva”, escreve o Miguel. Pois, eventualmente, pode provar-se que fez tudo isso. Mas até lá só temos suspeitas. O que quer que lhe diga? Qual o meu feeling? Já há demasiados opinadores a fazer esse papel.
Quanto à parcialidade de que me acusa, lamento desiludi-lo, mas facilmente poderá verificar, consultando o histórico deste blogue, que essa observação carece de fundamento. Faço críticas à esquerda e à direita e procuro sempre que as minhas simpatias políticas não influenciem os meus juízos.
Esqueci-me de comentar a parte em que diz que considerei o caso Relvas/Público como uma novela mais ou menso inventada por almas sensíveis.
Chamo-lhe só a atenção para o facto de ter sido a própria directora do Público a primeira a desvalorizar as pressões exercidas pelo ministro afirmando que fazem parte do quotidiano de um jornal e que nem foram das mais graves que já testemunhou. Bárbara Reis disse também que esta era matéria que se resolveria adequadamente com um telefonema de protesto (tudo isto vem no relatório da ERC). Ou seja, se o Conselho de Redacção não tivesse divulgado publicamente o caso, gerando toda esta polémica, o problema seria sanado com uma simples conversa telefónica.
Vê drama nisto? Eu não.
Não teria deixado o comentário se não tivesse ido ler o que escreveu sobre o caso.
Noto que não parece passar-lhe pela cabeça que o caso dos gravadores poderia, igualmente, ter sido resolvido com um pedido de desculpas (que provavelmente até existiu…) mas para isso era preciso que a Sábado tivesse sido tão colaborante como a direcção do Público, que re-descobriu a sua faceta conciliadora com o governo…no último ano.
Relativamente ao último caso de Relvas…há uma acusação gravissima, directa, clara, pública e feita por uma senhora (que, por acaso, detesto…) bem conhecida.
Ora isso não lhe merece qualquer comentário. Nem sequer há maioria dos orgãos de comunicação social.
Termino, dizendo que só fiz estes comentários porque até tendo a gostar do que escreve. E nem sequer me parece que esteja tomada pela cegueira “interessada” que afecta tantos outros.
Pelo contrário, ainda acho que vale a pena fazer este reparos..o que demonstra consideração por si.
miguel
“Noto que não parece passar-lhe pela cabeça” – nota que não parece? Só esta expressão diz tanto acerca do seu juízo… é exactamente destes palpites que se alimentam certas bolhas mediáticas. Mas eu digo-lhe o que penso acerca do assunto. Acho que Ricardo Rodrigues faz muito bem em recorrer da sentença. O que acho muito mal é a bancada socialista ter sido tão complacente com o seu vice e ao mesmo tempo estar a ser tão exigente com Miguel Relvas quando em vários aspectos os casos se equiparam. E é claro que por uma questão de princípio não fazia sentido que R.R. se mantivesse nos cargos que ocupava na AR, depois de ter sido condenado. ejournal=delitodeopiniao
Sobre as acusações “gravíssimas” feitas a Relvas já me pronunciei, aqui: http://blogs.sapo.pt/editjournal.bml?us
Errata: o link correcto é este: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/445 1607.html?page=2#comentarios
As acusações gravissimas a que me refiro são estas: S0
http://www.youtube.com/watch?v=FVO67PdYr
è um video em que o Sr. Ministro Miguel Relvas é acusado, públicamente, de corrupção passiva e tráfico de influências.
Repito. O Sr. Ministro Miguel Relvas é acusado de corrupção passiva e tráfico de influências para beneficiar a empresa do Sr. Primeiro ministro.
Pode encontrar a biografia de quem o acusa, aqui: http://cidadaosporlisboa.org/documentos/1 224602281I0fGF1ya6Sj13IK3.doc
Poderá ser úetil para aferir a sua credibilidade.
Como tinha perguntado antes: Não lhe merece nenhum comentário?
miguel
Sim.. é exctamente como escrevi: “Noto que não parece”.
Não posso ser definitivo.
Pode, ter pensado nisso mas, simplesmente, decidido que esse “pensamento” não ajudava na sua tese.
Sobre a exigência/complacência da bancada do PS…é, na minha opinião, muito semelhante á sua. De sinal contrário.
Convicção que reforçou nestas notas que se dignou deixar aqui.
Miguel
Não percebo como posso ter reforçado essa convicção, mas quem sou eu para pôr as convicções do Miguel em causa.
Quanto à denúncia de Helena Roseta, é simples: se a situação se passou exactamente como ela a descreve é grave e o ministro terá de tirar daí as consequências. Entretanto Relvas pondera processá-la por difamação, o que quer dizer que o caso não ficará por aqui.