A Directora Geral do FMI, Christine Lagarde, tem um vencimento anual de 372 mil euros livres de impostos, a que se somam mais de 66 mil euros de despesas de representação.
No final de cada ano Christine arrecada 438 mil euros e não paga qualquer taxa ao Estado. A ser verdade, é natural que os gregos não a entendam. E as crianças africanas ainda menos…


É natural que os gregos não a entendam, mas também é expetável que nós a entendamos.
Ela tem um salário bastante elevado, mas creio que há muita gente – a começar pelos CEOs de muitas empresas gregas – que aufere salários superiores.
A que Estado, concretamente, quereriam que ela pagasse impostos? Ela é uma funcionária internacional, não tem oficialmente residência em nenhum país, logo, a que Estado haveria de pagar impostos?
De qualquer forma, ela paga tantos impostos como qualquer outro funcionário de uma organização internacional, incluindo funcionários que têm nacionalidade grega.
Meu caro, a dita senhora não reside no espaço aéreo internacional. Deve ter o seu canto alojado em algum país. Creio eu.
Ó Luis Lavoura em que mundo vive?!
Pelo seu raciocínio nem Durão Barroso pagava impostos…
Certos funcionários de instituições internacionais, como os eurodeputados, têm taxas que são diferentes das dos países de origem. Mas pagam!
Por isso é que no artigo menciono “a ser verdade”. É que ainda não acredito.
Não me diga que diz expetável em vez de expectável. Não abuse, meu caro troglodita.
E com o dinheiro que ganha poderia escolher indumentária mais elegante…
o seu “post” inspirou-me outro no meu blog. aqui vai:
eu não tenho dinheiro. a não ser pontualmente. trabalho sempre que posso e vou sobrevivendo. depois, dá-me o amok e desalmo estrada fora, viajo. sem dinheiro ou quase. vou biscatando aqui e ali e aguento-me, com a ajuda extraordinária de grandes amigos e de pessoas que nunca me viram mais gorda, que já fui. é uma escolha de vida. não me sinto pobrezinha e abandonada, embora achasse que seria mais confortável ter uns cobres certitos por mês. utilizo as bibliotecas públicas e privadas assim como as livrarias para ler, já desisti há muito de ter uma biblioteca, não tenho dinheiro nem casa certa. visito museus ou galerias de arte gratuitos ou em dias de entrada gratuita. ouço música na internet, raramente, e ao vivo: às vezes pago para isso, e é um festim. teatro, ópera ainda são ainda mais raros.
em contrapartida, tenho muitas horas de silêncio e muitas horas de conversa, aprendo a natureza, eu que sou uma citadina, e conheço pessoas fantásticas. não falo de artistas, cientistas ou intelectuais, falo de gente, digamos “na norma”, gente rica e gente pobre, gente boa e gente má, inteligente e estúpida, generosa e avara, culta e analfabeta, sociável e misantropa, todas as misturas e gradações que estas e mais coisas permitem — e vou aprendendo. sobre mim, sobre o mundo.
quando ouço os despautérios de certas pessoas, neste caso de Madame Christine Lagarde, fico altamente perturbada. queria o reitor da universidade do Porto que nos reduzíssemos ao silêncio, mas enfim, silêncio era o que esta senhora deveria guardar. já não falo da Grécia, muita gente falou, mas as crianças africanas pobres não lhe deram mandato para defendê-las, e a pobre da Madame Lagarde não saberá que de amigos como ela está o inferno africano, que é o inferno de todos os pobres, cheio.
quanto a mim, que me vejo grega para perceber o cruzamento de gente que foi necessária para produzir a minha família, espero que essa senhora e eu não tenhamos nenhum antepassado comum, coisa que me seria extremamente desagradável.
Cara Graça, excelente texto!
Faz o que eu digo e não o que eu faço.
Belo texto Graça. Estou com a Helena. Beijo
Obrigado pelo marco necessário, pelo texto, essencialmente pelo seu sentir.
Em simetria local/regional, neste mundo do avesso encontro este vídeo/facto: he.aspx?id=16750
http://www.miragens.abola.pt/videosdetal
E recordo-me de outros tempos feudais que me parecem intemporais, em insensibilidade, em ausência de humanidade.
Fique bem sempre.
Bem haja.
David