O REFERENDO QUE O PS ESQUECEU
No programa que apresentou aos portugueses nas legislativas de Fevereiro de 2005, e que foi sufragado pela maioria dos eleitores, o PS prometia o seguinte: "No curto prazo, a prioridade do novo Governo será a de assegurar a ratificação do Tratado Constitucional. O PS entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado, na sequência de uma revisão constitucional que permita formular aos portugueses uma questão clara, precisa e inequívoca."
Como se sabe, esta promessa eleitoral foi metida na gaveta: não houve referendo europeu, nem a curto nem a longo prazo.
Leio agora o mais recente documento programático do partido, significativamente intitulado Sócrates 2009, e reparo na seguinte prioridade estratégica socialista em matéria europeia: "O ideal de uma Europa mais forte, mais coesa e mais prestigiada implica a urgente superação do impasse institucional que ainda persiste. Para isso, é absolutamente fundamental a rápida entrada em vigor do Tratado de Lisboa." Mas nem uma palavra sobre a necessidade de uma consulta popular.
Há quatro anos, na oposição, os socialistas pretendiam legitimar pela via referendária as novas fases da construção europeia. Agora, que estão no Governo, afastam liminarmente o que haviam prometido antes e ficou por concretizar. Um partido que age desta maneira quebra a relação de confiança com os eleitores. O que diria o Sócrates 2005 desta incoerência básica do Sócrates 2009?


Pedro:
“Sócratugal”, em grande, mas o que me entristece mais é haver tanta gente que se sente, e é enganada desde 2005, por estes srs e com o defice de critica que temos só agora se começam a ver sinais de insatisfação.
Bom fim de semana, Pedro, um forte abraço.
Abraço, Carlos
É preciso ver que em 2005 o licenciado andava já preocupado com o caso Freeport, pelo que esses pormenores lá das Europas nem lhe passavam pela cabeça.
É o típico diz e ‘desdiz’ do PS… Coerência, nem vê-la. Ou não, a política do ‘desdiz’ até é frequente, pelo que se pode dizer que são coerentes. São é incompetentes. Vejamos que já há sinais de retoma noutros países, enquanto que em Portugal os índices continuam a afundar-se sucessivamente, com o FMI a avisar e o Governo a pseudo desdramatizar.
E se fosse só disto que eles se esqueceram, bem estávamos! Lembremo-nos, Pedro, que o apetite desta gente por «queijo Limiano» e outros é insaciável. Depois, como é óbvio, o resultado está à vista: é amnésia atrás de amnésia!…
Como eleitor, acho inaceitável que um partido vencedor, com responsabilidades de governo, não cumpra uma das suas promessas mais emblemáticas. Passou-se com o PS, no caso do referendo europeu. Estando em causa a Europa, nesta campanha, este deve ser um dos temas mais em foco. Ainda por cima Sócrates, como é seu timbre, nunca pediu desculpa aos eleitores por ter metido esta promessa na gaveta.