Robin morreu ontem em Londres


Patrícia Reis,

 

O meu tio tentou explicar-me há muito tempo. Nós crescemos e as coisas que temos por certas vão desaparecendo, mesmo que sejam apenas bandas de música que fazem parte do nosso cenário musical por uma razão ou outra. Durante muito tempo não quis entender. Mais uma morte este mês e não sei se me aguento. Estou zangada com Deus. E eu nem sou pessoa de me zangar. Neste caso, o cancro levou a melhor e a palavra cancro parece-me, cada vez, uma sentença, uma fragilidade nossa. Vamos à Lua, mas não conseguimos dar cabo disto.

7 comentários em “Robin morreu ontem em Londres”

  1. Penso que não lhe valerá de nada zangar-se com Ele, Patricia.
    Ele “fundou” a empresa, aprovou os estatutos e desde a primeira “admissão” que tem mantido inalterável, a regra.
    Nasces, vives e morres. Depois, voltas a nascer.
    Como Notou que alguns se dedicavam em extremo à “empresa” e era uma dificuldade enorme, rescindir com eles o “contrato”; encarregou um dia um rapaz que mais tarde veio a ser eleito para a comissão de protecção aos direitos dos trabalhadores, chamado António, que pertencia à família dos Lavoisier, uns francius que ficaram por aí, aquando da retirada das tropas francesas, quando estiveram por cá a sacar as preciosidades que ornamentavam as igrejas, compradas à pala do guito sacado aos tótós, de explicar ao maralhal, o funcionamento prático da “coisa”.
    Hmmm?
    Não. Esta “coisa” não está relacionada com o “coiso” do outro, aquele que tem uma indústria de Relvas artificiais para campos de futebol e outros fins.
    Então este António, rebuscou nos canhenhos e encontrou uma fórmula simplicíssima para explicar o tal movimento… um movimento de rotação em torno de um único eixo: Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.
    O que é que isto significa?
    Bom… isso também não faço a menor ideia, mas… é pomposo e confere a quem a enuncia, um certo estatuto de intelectual…
    😉

    1. Tipo: mudam-se os tempos, mantêm-se as vontades? Eu não me conformo com algumas coisas. Este mês perdemos pessoas a mais, perdemos talentos, pessoas que criavam e que me deram muito. Não me conformo e, apesar de tudo, sendo difícil ser cristã, aqui estou eu de cruz ao peito. É a vida.

      1. Claro que concordo consigo, Patricia; não é agradável e é até certo ponto desmoralizador, constatar a morte de alguém.
        Por outro lado, somos obrigados a convir, que se a regra fosse alterada, já não haveria espaço para todos, assim como, não haveria inspiração que restasse para que alguém pudesse criar. Nesse caso, a vida seria um perfeito e completo marasmo.
        Assim… olhe, vamos vivendo na ilusão que somos imortais e criadores… ou seja; que somos deuses…
        😉

  2. Tem razão, Patrícia. Já devassámos esta Terra de fio a pavio, traçámos origens ao Universo e até parece que lhe conhecemos o fim. E no entanto ao ” bicho ” não lhe pomos fim…eu tive sorte ( por enquanto…), há doze anos ” lidei ” o meu e parece que a faena resultou…dei baixa de uma supra-renal e rim adjacente e mantenho uma cicatriz ondulada e longa como a légua da Póvoa …

    Há que ter fé… mesmo assim um pouco zangada…
    ( compreendo-a tão bem, tanto que me revoltei e ainda por vezes revolto …)

  3. Este ano, já desapareceram pessoas a mais, ou pessoas a mais de quem gostávamos, ou que algum significado especial tinham para nós.
    É este também o caso, da minha banda predilecta, de que só resta um elemento, neste momento. De uma família de vários irmãos, um só elemento é vivo e, curiosamente, o mais velho.
    Entoei, tentei cantarolar, inúmeras das suas lindas melodias, perfeitamente encantada pelas magníficas vozes que lhes davam corpo e alma.
    O homem desaparece, mas deixou obra. E essa, nunca morrerá.

    Não é caso para se zangar com Deus, temos de ter fé, sermos capazes de aceitação e que nunca nos falte a resignação.
    Há sempre algum sentido na vida, mesmo que não o atinjamos. Acreditemos, apenas.

  4. Uma família que começou cedo a desaparecer a conta-gotas. Deixa obra para quem gosta, é certo, mas não é menos triste por isso vê-los a tombar um a um. E o primeiro a partir até foi o mais novo, que nunca integrou a grupo, mas que deixou edições com a mesma qualidade que o trio dos irmãos (sobretudo, em duetos com nomes de primeira água).

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