Nem todos podem ser políticos. O exercício desta carreira vai muito para além da profissão. À mulher de Cesar diz-se que não basta ser séria. É também preciso parece-lo.
Na política passa-se o mesmo. Não basta ser bom e competente na área da sua dependência. É preciso saber fazer passar a mensagem. É afinal, também, preciso parecer-se sério.
Difícil de entender? Nada. Esta é, aliás, a base da actividade política e da sua estratégia: ser sério e parecer sério.
Ontem liguei pela primeira vez a televisão. Apanhei um emaranhado de histórias de espiões, de secretas, de documentos que foram para Bruxelas e não para os deputados, uma salgalhada tal que pensei ter havido uma hecatombe enquanto o aparelho esteve desligado.
Afinal, era a inépcia do costume. Os espiões eram os mesmos, mas acrescentaram-se-lhes outros. E a documentação fora mais rápida para fora do que para dentro, mais célere em inglês do que em português.
O nosso Parlamento levou dois dias a discutir estes casos. Um que será julgado nas instâncias competentes e o outro, pelo ridículo da questão, até faz pena.De facto, não é político quem quer. Só o é quem tem talento para isso. E quem tem, claro, apetência para tal…


Helena já vi 3 vezes a sua conversa com o Daniel e não me canso….é um ensinamento de vida!
Já quase a sei de cor…à 4ª de certeza que já respondo “por si”. Faz-me lembrar o Cinema Paraíso!
OBRIGADA E UM GRANDE BEIJO POR SER QUEM É!
O meu comentário anterior não tem nada a ver com o seu post, mas tinha de lhe dizer o que sinto.
I wonder if a tuga watergate silly season is approaching-soon.
Cheers 🙂
… e quem parece sério!
Há uma coisa que me desagrada bastante e que reparo ser cada vez mais frequente: é o facto de os nossos representantes no parlamento chamarem “mentiroso” e outros insultos velados quer no plenário quer em sessões diversas, como ontem naquela cena com o M das Finanças, o deputado Galamba e o outro sujeito do PC de quem não recordo o nome neste momento. Atenção, se fosse ao contrário era a mesma coisa. Mas trata-se de um tipo de linguagem que não só causa bastante má impressão, como instala a desconfiança permanente e ficamos sem saber se provém da má cultura cívica fora das paredes da Assembleia ou se, por outro lado, a cria em primeiro lugar. A desconfiança dos cidadãos pelos políticos tem também a ver com a maneira como se comportam entre si.
Tem toda a razão. Prefiro o mercado do Bolhão porque, ao menos esse, não é elitista. E tem a vantagem de representar um povo autêntico.