Para Seguro, de França não vem nem bom vento nem bom casamento


Rui Rocha,

A inabilidade política de António Seguro começa a tornar-se um caso de estudo. O último tiro no pé foi dado com a colagem a Hollande. Ao fazê-lo, Seguro caucionou o entendimento de que o candidato socialista é a esperança para uma Europa melhor e para uma alteração de políticas de que Portugal também sairia beneficiado. Ora, alguém deveria explicar a Seguro que, ao remeter a esperança e a responsabilidade por putativas soluções para um espaço político exterior a Portugal, está a desresponsabilizar Passos Coelho dos insucessos da sua governação. Vejamos. É pouco provável que Hollande esconda por trás daquele olhar vagamente atoleimado dotes de político genial e de ilusionista com a cartola cheia de soluções que colocarão a Europa numa rota de crescimento e prosperidade. E que Portugal vá a reboque. Admitamos todavia que sim. Nesse caso, Passos Coelho poderá sempre dizer que antes de Hollande, o génio, não era possível fazer melhor. Isto é, o êxito de Hollande (escrever êxito e Hollande na mesma frase é de facto arriscado) implicará o insucesso político de Seguro pois ajudará à sobrevivência política de Passos Coelho. Por outro lado, se como tudo indica, o tal olhar de Hollande corresponder a uma predestinação para o fracasso, António José Seguro ficará associado a mais um cidadão residente em França com especialização em filosofia do incumprimento. Ora, já não é fácil carregar a cruz que um certo vendedor de ilusões (que agora abrilhanta os serões das margens do Sena) lhe deixou. Pior seria ficar agora pregado naquela que Hollande se prepara para erigir no Eliseu. É claro que não deve ser fácil exercer de pastor de um rebanho de ovelhas, umas negras, outras tresmalhadas, como as que compõem o grupo parlamentar e o Partido Socialista. A tentação de fugir para lá dos Pirenéus é humana e compreensível. Mas, as escassas hipóteses de sucesso que a roda do destino entendeu reservar a Seguro estão na luta política no espaço nacional e nos assuntos internos. Para aquilo que lhe interessa, de França não vem, em qualquer circunstância, nem bom vento nem bom casamento. Dali, o vento que sopra traz a memória de Sócrates, o fantasma do passado. Por outro lado, o casamento com o futuro de Hollande só pode prejudicá-lo no presente e, sobretudo, no futuro.

4 comentários em “Para Seguro, de França não vem nem bom vento nem bom casamento”

  1. “Um cidadão residente em França com especialização em filosofia do incumprimento” – é muito bom … e já agora o dito não se colou a Zapatero, seu amigo ibérico? Veja-se o estado da Península.
    O Tozé também não quer ficar para trás e daí voar até Paris, uma cidade de sonho e … de sonhos.

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