CINCO CANDIDATOS NA RTP
Por uma vez, houve debate no Prós & Contras. Os cinco cabeças de lista dos partidos portugueses representados no Parlamento Europeu confrontaram ideias e propostas, sob a moderação de Fátima Campos Ferreira, muito mais tolerante para os representantes do PS e do PSD, Vital Moreira e Paulo Rangel, do que para os candidatos dos "pequenos" partidos – Nuno Melo (CDS), Ilda Figueiredo (PCP) e Miguel Portas (BE).
Fica aqui, em síntese, a minha apreciação deste debate. Candidato a candidato.
ILDA FIGUEIREDO
O melhor. Foi a única, entre os presentes, que lembrou a quebra da promessa eleitoral do PS, na campanha para as legislativas de 2005, de realizar um referendo europeu: "Tiveram medo do voto do povo."
O pior. O recurso aos tradicionais chavões comunistas, repassados de demagogia, sobre a necessidade de construir a "Europa dos pobres". Já não há paciência.
A frase. "Isso são guerras de Alecrim e Manjerona, para iludir o essencial." (Para Vital Moreira e Paulo Rangel)
MIGUEL PORTAS
O melhor. Questionou a independência do candidato socialista, incomodando-o visivelmente: "A autonomia de Vital Moreira não se compara à autonomia de Manuel Alegre, que é capaz de votar contra o Código do Trabalho e a favor dos professores."
O pior. Irritou-se sem necessidade quando Vital o acusou de ser anti-europeísta, já quase no fim do debate.
A frase. "Vital Moreira tem um problema com a realidade. Não vive neste mundo."
NUNO MELO
O melhor. Exigiu "autenticidade" ao PS, questionando as candidaturas simultâneas de Ana Gomes e Elisa Ferreira às europeias e às autárquicas. Lançou outro tema importante: a baixíssima execução em Portugal das verbas comunitárias no âmbitro do QREN (quadro de referência estratégico nacional).
O pior. Demasiada sintonia com o PSD, seu concorrente directo nestas eleições.
A frase. "O ministro Manuel Pinho disse, em 2006, que a crise tinha acabado."
PAULO RANGEL
O melhor. Lembrou o passado anti-europeísta de Vital Moreira, que em 1982, quando era deputado do PCP, chegou a considerar "anticonstitucional" a adesão de Portugal à Comunidade Europeia.
O pior. Afirmou que "boa parte dos comissários europeus são socialistas", o que não é verdade. Sintonia total com o PS relativamente ao Tratado de Lisboa.
A frase. "Vital Moreira não foi escolhido para resolver um problema ao PS. Foi escolhido para criar um problema ao PS."
VITAL MOREIRA
O melhor. Lembrou que PSD e CDS integram juntos, na Europa, a bancada do Partido Popular Europeu. E que o PCP e o Bloco de Esquerda, também em conjunto, integram a bancada da Esquerda Unitária Europeia. Tentou captar votos à esquerda, pronunciando-se contra o "capitalismo desregulado".
O pior. Foi incapaz de fazer uma apreciação do mandato de Durão Barroso, que está desde 2004 à frente da Comissão Europeia.
A frase. "A nossa crise é inferior à de muitos outros países."


Ora aqui está o verdadeiro serviço público da blogosfera!
Hoje deu-me para aqui, Joaquim. Podia dar para pior…
E deu-te muito bem, Pedro. Belo trabalho. Já o levei para a loja pequena…
Ah, isso é para marcar a diferença com a Grande Loja.
Pois.
Muito bem!
Obrigado, Maria do Sol.
Vital Moreira e Paulo Rangel: percebeste quem seria o Alecrim e quem seria a Manjerona?
Vital pareceu-me várias vezes no papel de Alecrim.
Não seriam guerras de Alecrim e Concubina?
E Mangericão?
… E Alecrina?
Essa não sei… Ontem a Columbina esta que nem podia!
;))
De Vital Moreira também gostei muito desta frase: “nos últimos anos os impostos só baixaram”. De Miguel Portas fica a tirada: “”Ó Vital.. Vai ler o tratado, pá.”.
Gostei dessas. E também da troca de galhardetes entre PR e VM sobre viagens de avião ou de comboio. E ainda da Ilda a protestar: “Não me deixam falar…”
A Ilda parecia a ministra da Educação: assim não consigo falar… desculpem… mas assim não consigo falar…
Manjericão
desculpem
resumo bastante bom daquilo que se passou.
parabéns!
Obrigado, Amílcar.
Quem não vota,não viu,não perdeu nada, quem estava indeciso, virou para o Dr.House, os outros, como eu, deu vontade de entrar pela televisão a dentro,mandar dois berros e colocar ordem à mesa.Mais uma oportunidade perdida para discutir politica com seriedade e cativar as pessoas.Depois ainda se queixam.dia 7 junho record guiness de abstenção.
Também acho que assim será, Pedro. O que é lamentável. Porque a abstenção muito alta só favorece os maus políticos.
Obriguei-me a ver. E a ver com atenção. Afinal não era necessário: está tudo aqui.
Obrigada Pedro. No meio daquela, por vezes, gritaria, acabo por encontrar aqui o essencial. Ou seja: Não me parece que algum deles tenha o espírito de “camisola vestida” que pretendo para quem me representa além portas.
Obrigado, Once.
Mas que injustiça!
O Grande Homem Independente (sim, não é um reles aparelhista como os restantes) Vital Moreira esteve muito acima dos outros, na qualidade argumentativa e ideológica e até na fotogenia e na presença.
Por exemplo e só para se constatar o nível, manifestamente doutro patamar, falava-se do QREN e ele respondia com o défice.
Avante, ex-camarada, avante!
Ele ficou furioso, percebeu-se bem, quando Miguel Portas comparou a “independência” dele com a independência sem aspas de Manuel Alegre.
Ai, sr. Correia, e o Sr. sempre a dar-lhe com o poeta…
Por acaso desta vez não fui eu – foi o Miguel Portas. Não uma, mas duas vezes. O professor Vital teve de se conter para não ter uma das suas consabidas fúrias homéricas que noutros tempos chegavam a assustar algumas pessoas mais sensíveis.
Então desta vez foi mesmo «por acaso».
Claro. Foi mesmo por mero acaso.
Uma fúria homérica é assim no género de uma fúria socrática???
É, mas com mais inspiração da Grécia Antiga.
O ex-camarada Vital preocupou-se em captar votos à esquerda? Boa ideia!
Do pessoal do PCP vai ter mais que muitos.
Só se a Ilda Figueiredo não conseguir baixar a aparelhagem sonora, verdadeiramente ensurdecedora.
A nossa crise é muito inferior à do Zimbabwe, por exemplo.
Pois é. Além disso no Zimbabwe há mais campanhas negras.
Pelo relato, deve ter sido porreiro, pá.
Tal e qual o Tratado de Lisboa.
Gosto sobretudo dos seus belos gatinhos. Sou contra os debates tudo ao molho e fé em Deus, e aquela moderadora dá-me cabo do meu abalado sistema nervoso
Os cinco gatinhos arranham certamente menos que os cinco candidatos, Ariel.
Obriguei-me a ver aquele deprimente espectáculo.
Ainda por cima vinha aqui, lia o que escreveu e não me enervava tanto.
Copio com delicadeza um comentário anterior:
De Vital Moreira também gostei muito desta frase: “nos últimos anos os impostos só baixaram”. De Miguel Portas fica a tirada: “”Ó Vital.. Vai ler o tratado, pá.”.
Excelente post.
Obrigado, Bluevelvet
Pedro:
Obrigado por me teres facilitado a vida, não vi o programa mas pelo teu resumo deu para ficar esclarecido, e acima de tudo pelos vistos não perdi nada de especial, aliás é o costume nos últimos debates, em que se fossemos por aí ainda ficavamos mais confusos.
Gostaria era de saber se alguém neste país ainda espera estas “lavagens” de roupa suja para formar uma opção de voto, pois vistas as coisas a vontade que dá é não votar.
Mais uma vez obrigado.
Eu é que agradeço, Carlos. Creio que a grande maioria dos eleitores que tencionam votar já terão a esta hora a opinião formada, à margem de qualquer debate.
E eu que perdi a coisa…
Não perdeu grande coisa, garanto.
Oh Pedro Correia,
Vital Moreira, um passado anti-europeísta? O homem que tanto escreveu sobre a europa nos últimos anos?
Que disse que a adesão era inconstitucional? Obviamente que o disse. E era! Foi por isso que se fizeram duas revisões constitucionais.
Espero que corrija o erro!
Não é “inconstitucional”. É “anticonstitucional”. Vc não lê o Pedro Correia?
Não leio qualquer um, nem qualquer análise.
Mas gostava que as pessoas fossem mais rigorosas!