O Malomil irrita-me supinamente porque publica as ideias que acabei de ter mal as vi lá postadas.
Um visitante desprevenido verá em Malomil um gabinete de curiosidades com inclinação irónica para o kitsch e para o insólito. Engano. Malomil: tudo está à mostra neste nome. Debaixo da sonoridade exótica e insinuante – que referências, que sugestões, que obscuridades, nele se escondem! – o que verdadeiramente existe é o nome de uma singela farmácia sita no Martim Moniz, um facto que nunca na vida haveria de saber, não fosse amicíssima voz ter-me soprado ao ouvido tão prosaica trouvaille.
Contrastando com o dramatismo dos tempos actuais, ambos, dramatismo e tempos, cada vez mais tendentes a verbalizações lacrimejantes acerca do pathos lusitano (há sempre um Eduardo Lourenço à coca dentro de nós pronto a saltar…), o Malomil envereda por um registo contemplativo, recolhendo minudências, azares e achados, trazendo-os a lume brando para melhor serem apurados. Não se iludam, o diabo está nas pequenas coisas, é por isso que elas são importantes. Em resumo e em português suave: o Malomil é divertido. Por cima disso é culto e leve, uma solução geralmente inquinada, mas neste caso saborosa.
Como uma graça nunca vem só e as amizades são para ser acariciadas, aposto que os vossos dias ficarão melhores se frequentarem o escrever é triste; é uma casa com muitos bons espíritos.
