Ir a Espanha por estes dias é quase como não sair da terrinha. Nos cafés, nas televisões, nos jornais, nas casas particulares, as conversas são exactamente as mesmas de cá: a crise, o drama do desemprego (lá é bastante mais elevado ainda), as consequências das medidas de austeridade extrema no estrangulamento da economia, a degradação do ensino e da saúde por causa dessa mesma austeridade, o despesismo e as ilusões dos governos socialistas que levaram ao descalabro, a insensibilidade social dos governos de direita, o aumento da insegurança nas ruas, a emigração a crescer, a esperança nas exportações, a caminhada a passos largos para um pedido de resgate à Europa (por uma vez chegámos primeiro, yupi), a perda de democracia, etc. etc. etc. Em que divergimos? Na dimensão dos faits divers com que o povo se entretém para disfarçar a fome e a frustração. Eles têm um rei que caça elefantes em África. Nós temos um presidente cuja reforma não chega nem para uma noite de gambozinos em Boliqueime.
Elefantes e gambozinos
Ana Vidal,

Cada um tem aquilo que merece!
Será? Eu acho que merecíamos mais, caro Zé.
Bem dito, sim senhora.
Isabel Seixas
Obrigada, Isabel.
E eles não são a Itália enquanto não só conseguimos não ser Grécia!
Eles não são a Itália, mas qualquer dia ambos estarão no mesmo barco. A não ser que alguma coisa mude nesta atracção fatal da Europa pelo abismo.
Mais uma adepta da teoria económica de Sócrates. Como eu digo são quase todos.
Dizem que houve bolha e depois defendem que a bolha se mantenha, criticam o crédito fácil e depois querem crédito fácil, criticam o consumismo e depois querem empregos.
Um caleidoscópio de contradições.
Não há “austeridade” nenhuma. Quando começarem a pagar as dívidas é que podem a começar a falar de “austeridade”.
Não me traga para aqui discussões sobre macroeconomia, Lucklucky, este post limita-se a constatar a sintonia na comunicação social dos dois países e as preocupações principais dos cidadãos. Quanto à austeridade, parabéns para si se não a sente. Mas considere-se um privilegiado, porque não há muita gente que o possa dizer.
Falar de austeridade quando o cartão de crédito só foi reduzido para metade… A bolha e o vício do crédito via Estado chegou tão alto que os Portugueses quando há 10 anos achavam 5% de défice muito agora acham pouco e chamam austeridade.
Mas você não se cansa? Ok, leve lá a bicicleta. Assim como assim, já nos levaram tanta coisa…
Tenho uma dúvida: escreve-se “gambuzinos” ou “gambozinos”? Como é “animal” que não existe, é difícil ter a certeza do nome. Alguém sabe?
Não sabe? Tem um em Belém e como prémio, um espécime fêmea de trunfa alourada!
Isso não vale, continuo sem saber como se escreve…
Boa tarde,
É gambozinos.
Obrigada, Manuel. Já vi escrito de ambas as formas, mas se tem a certeza, emendo no post.
Vantagens de uma monarquia Ana 🙂 eles podem revoltar-se com algo “em bom” e nem precisam de olhar à volta, ora veja se algum espanhol se indignou com o nosso P.República…Já do lado de cá…
Pois. Até na revolta, que ao menos seja contra alguém que nos mereça a indignação…