Abril, batatas & fim


enlil,

Kathryn Parker Almanas, “Juice of Life”, 2009-2010

 

É um homem sem rodeios, traz para a mesa o tacho das batatas cozidas com pele. Cada um terá a oportunidade de as descascar como quiser. A todos quero recordar as palavras de Elliott – independentemente do contexto, sublinhou.

April is the cruellest month, breeding

Lilacs out of the dead land, mixing

Memory and desire, stirring

Dull roots with spring rain.

Não que estejam certas ou tenham sido propositadas, mas porque de tal modo e sem contemplações alinham o actual trânsito português.

Em Abril – 2012 – revelam os números dois fenómenos concorrentes, produzidos no mesmo ovo. Primeiro: uma concentração vertiginosa e desesperada de riqueza nas camadas superiores. Um sentimento de fim dos tempos, de facas antes nas gargantas que nos pulsos. Segundo: a devastação e a ruína da classe média, a de meia idade sobretudo, dispersando os seus pedaços pelas mandíbulas dos cães que a farão desaparecer. Como faziam os assírios aos cadáveres dos inimigos.

As batatas arrefecem no prato se não as comermos depressa. Deves tatuar este número no teu braço para não mais o esqueceres: 4/12.

 

Zoe Straus, “Daddy tattoo, Philadelphia”, 2004

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *