O domingo anterior ao Domingo de Páscoa chama-se Domingo de Ramos. É quando se benzem os ramos de oliveira e se celebra a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, montado num jumento, saudado pelo povo que Lhe estendeu pelo caminho as vestes e os ramos de árvores e gritava: “Hossana ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor!”
O Domingo de Ramos foi instituído a partir do século IV como um modo de recordar essa entrada de Jesus de Nazaré na cidade de Jerusalém. Vários outros costumes foram associados ao Domingo de Ramos e somente na segunda metade do século VII é que o Vaticano restaurou a ordem dos Domingos da Quaresma.
Actualmente, a celebração de Ramos tem dois momentos: o primeiro, em que é feita a bênção dos Ramos, e o segundo, em que se realiza uma missa, altura em que se faz uma reflexão sobre a Morte e Ressurreição de Jesus. No final da celebração, os ramos de oliveira (ou de palmeira) são abençoados e levados pelos fiéis para ser colocados em cruz nas suas casas ou sobre alguma campa no cemitério, como sinal de compromisso com Cristo e simbolizando a força da vida e a esperança da ressurreição.
O dia da Páscoa é celebrado no primeiro domingo após a Lua Cheia que ocorre depois de 21 Março (a data do equinócio da Primavera, no hemisfério Norte, e do Outono, no hemisfério Sul), definida pela Igreja em 325 d.C., no Conselho de Nicea. Ou seja: o Domingo de Páscoa é equivalente à antiga regra de que seria o primeiro domingo após o 14.º dia do mês lunar de Nissan, no calendário judaico (existente há mais de 3300 anos), em que os meses seguem as fases da Lua.
Com esta definição, a data da Páscoa varia de ano para ano, sendo no mínimo a 22 de Março e no máximo a 25 de Abril, o que determina que a Páscoa seja uma festa móvel. Esta data, a primeira das diversas festividades da Igreja Católica, vai determinar as restantes datas, como pode observar-se:
– terça-feira de Carnaval, que ocorre 47 dias antes da Páscoa;
– quarta-feira de Cinzas, que ocorre 46 dias antes da Páscoa e dá origem ao período da Quaresma;
– Domingo de Ramos, que ocorre no domingo anterior à Páscoa;
– Pentecostes, que ocorre no sétimo domingo após a Páscoa;
– Santíssima Trindade, que ocorre no domingo seguinte ao domingo de Pentecostes;
– Corpo de Deus, que ocorre na quinta-feira imediatamente a seguir ao domingo de Pentecostes.
A sequência exacta de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário gregoriano.
(Com a colaboração da nossa
comentadora MACarvalho)
(Imagem no topo: Domingo de Ramos, fresco de Giotto,
século XIV, na Capela Arena, em Pádua.)






O domingo e os cristãos
Ainda não chegámos à explicação “a Quaresma é o Ramadão dos cristãos”, que ouvi há tempos num canal de TV francês, mas o termo “madraça”, utilizado numa polémica do futebol caseiro, também traz água no bico. Percebe-se que é pejorativa e pertence à lógica da guerra dos “morcões contra mouros”. Inquieta, porém, o que traduz em termos de mudanças culturais.
O pensador Jacques Attali escreveu num dos seus livros que os EUA se apresentam como derradeiro império formal, com território e força armada regular para impor o seu poder. No futuro, os impérios não terão nem território, nem exército hierarquizado. Vai dominar o movimento. E ele refere que as forças em confronto pela hegemonia mundial serão o mercado, o islão e a democracia.
Hoje é Domingo de Ramos, que a liturgia cristã marca como dia de alegria e confiança no tempo de conversão e reconciliação que é a Quaresma. Inicia-se a Semana Santa, que leva à Páscoa da Ressurreição. Estas referências da cultura cristã têm quase 20 séculos e fazem parte da história de Portugal. Parecem, contudo, mais estranhos do que a “madraça”. E não é só porque o domingo já não está reservado ao Senhor e ao descanso.
Por:João Vaz, Redactor Principal
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/notici as/opiniao/joao-vaz/o-domingo-e-os-crist aos
Muito bem e muito interessante, esta abordagem.
Algumas correcções:
– …e somente na segunda metade do século VII é que Roma fixou a ordem dos Domingos da Quaresma.
– …o primeiro, em que é feita a bênção dos Ramos (e a consequente procissão),…
– …os ramos de oliveira (ou de palmeira) benzidos são levados pelos fiéis… Mas alguns ramos serão guardados, e mais tarde queimados, para a missa de quarta-feira de Cinzas do ano seguinte.
– …definida pela Igreja em 325 d.C., no Concílio de Niceia.
– …mês lunar de Nisan (é a grafia mais usada em Portugal).
– Corpo de Deus, que ocorre na quinta-feira imediatamente a seguir ao domingo da Santíssima Trindade. Sendo que, em Portugal, a partir do próximo ano (tudo o indica), será transferida para o domingo subsequente.
Devidamente anotadas.