Quero aqui manifestar o meu aplauso e o meu profundo reconhecimento a José Ribeiro e Castro por ter votado coerentemente na defesa de Portugal, ao rejeitar uma inenarrável proposta de abolição do feriado do 1º de Dezembro. Nasci com esse feriado a ser comemorado, aprendi na escola primária o heroísmo dos conjurados que acabaram com a submissão de Portugal a um rei estrangeiro, e desejo morrer com esse dia a continuar a ser feriado em Portugal. Se há deputados que aceitam colocar o Parlamento que integram — e que é o representante da soberania do país — a praticar tão escandalosa afronta aos valores nacionais é um problema deles. Mas para a História ficará que nestes tempos difíceis de falência e submissão ao estrangeiro houve pelo menos um deputado a declarar no parlamento que para ele a comemoração da independência de Portugal não é uma celebração vã. Neste triste dia, em que os deputados decidiram pôr a independência de Portugal entre parênteses, só a posição coerente e corajosa de Ribeiro e Castro merece aplauso.
Aplauso e reconhecimento.
Luís Menezes Leitão,


Enquanto a lei eleitoral permitir que as chefias partidárias encham a «assembleia da república» com a sua criadagem será assim.
Não é apenas com um feriado, uma medida de medíocres, cujo desaparecimento também lamento. A maioria das medidas é discutida e decidida fora do parlamento, em grande parte nas lojas maçónicas (como confessou o grão-mestre Arnault), seguindo agendas que não são as dos interesses do povo português.
Mas esse foi o único deputado a votar contra ??
Lamento profundamente a abolição deste feriado. Talvez se o tivessem continuado a comemorar em termos condignos, isto nem sequer passasse pela cabeça de um governo.
Mas, como hoje ser europeu é mais importante que ser português, ousa-se esta decisão. Apoio o gesto de Ribeiro e Castro, é evidente. E continuarei a considerar este dia como um dos mais importantes do meu país!
Inteiramente de acordo. José Ribeiro e Castro é merecedor de todo o nosso apreço.
E esta não é a primeira vez em que «há deputados que aceitam colocar o Parlamento que integram — e que é o representante da soberania do país — a praticar tão escandalosa afronta aos valores nacionais». Já antes o haviam feito a propósito do «aborto ortográfico».
Merece um aplauso sim senhor.
Junto o meu aplauso!
Por muito que o feriado seja significativo para a memória colectiva portuguesa e por muito admirável que seja a atitude de Ribeiro e Castro eu penso que há coisas que devem ser referidas por uma desmancha prazeres como eu só para relativizar um pouco tudo isto:
Os 40 conjurados nunca existiram de facto, isso foi um mito que foi criado pela propaganda da Restauração. Houve claro pessoas que conspiraram contra o Regime mas não eram 40, (eram mais) não eram “conjurados” (não era tipo clube ou associação secreta), não eram sequer os nobres mais importantes do Reino (alguns dos quais ficaram aliás do lado daquele que consideravam o Rei legitimo, como o Duque de Aveiro). Esses só se juntaram depois (Como aliás o próprio Duque de Bragança).
Para além disso, é muito discutível falar em “submissão” quando falamos daquilo que era a Monarquia Hispânica e a sua estrutura, e sobretudo quando nunca houve usurpação do trono (não a houve na medida em que os reis da Dinastia dos Áustria foram todos jurados reis de Portugal).
Por alguma razão a propaganda da Restauração se esforçou tanto para legitimar D. João IV e o golpe de 1 de Dezembro, sublinhando a ideia de tirania por parte de Filipe IV e de usurpação (ideia que obviamente passou até aos nossos dias). Porque na realidade, á luz das concepções da altura quem estava a praticar um crime era D. João IV por se estar a rebelar contra aquele que era o seu rei legítimo. Daí também a sua hesitação em tomar parte no golpe. Daí também as negociações secretas que se deram já depois do 1 de Dezembro entre a casa de Bragança e os Áustria.
Daí o esforço enorme por parte dos tratadistas portugueses para tentarem legitimar a acção de 1/12
Há um livro chamado “Ideologia política e teoria do estado na Restauração” do Luis Torgal que explica isto muito melhor do que eu consigo explicar.
O que acontece em Portugal a 1 de Dezembro pode ser visto de muitas maneiras: pode ser visto como uma das muitas consequências da guerra dos 30 anos, pode ser visto como uma consequência directa da política de Olivares. Mas não foi caso de excepção. O mesmo estava a acontecer na Catalunha e no sul de Itália. E o que é curioso é que isto estava a acontecer porque Olivares estava a contrariar o que era um dos principios básicos da MH desde Felipe II (ou mesmo Carlos V porque o modelo vem dos Habsburgos).
Ou seja, não excluindo a existência de um sentimento patriotico, não excluindo a ideia de que algumas camadas da população, sobretudo as mais baixas, não gostavam da ideia de terem um rei que estava longe (porque o problema era muito este porque se Filipe IV vivesse em Lisboa a situação seria diferente) a verdade é que ainda gostavam menos do ministro do rei. Em Lisboa, tal como noutros domínios da M.H o que se gritava era: abaixo Olivares e viva o Rei!
Foi a partir desta premissa que se evoluiu para a ideia da separação, de que Portugal devia voltar a ser independente porque a própria MH tinha-se tornado um mar de problemas de cariz politica, económico, social ao qual era necessário escapar.
Isto tudo para dizer que os sentimentos patrióticos são muito bonitos e ficam-nos muito bem – certamente ficam a Ribeiro e Castro – mas por amor dos santinhos, não tentem passar o entendimento e concepção do que era o patriotismo, do que era um país, do que era o Estado no século XVII para a forma como ele é entendido agora.
De resto contudo, é óbvio que a atitude de Ribeiro e Castro é louvável se considerarmos os canônes de pensamento hoje em dia. E certamente que há outro feriados menos importantes. Tipo o 10 de Junho baseado numa hipotetica morte de Camões e escolhido assim para ser dia de Portugal.