URGENTE!


Patrícia Reis,

Para quem não sabe, é muito difícil obter o estatuto de refugiado e ter um visto de asilo em Portugal. Os poucos que cá estão (convém lembrar que todos os anos há 20 milhões de novas crianças refugiadas no mundo…) já viveram no inferno. São sobretudo idosos, mulheres grávidas e meninos e meninas pequenos, que chegaram cá fugidos das perseguições étnicas, das violações, das catanas ou das kalash dos senhores da guerra que aterrorizam tantas partes do nosso planeta, do Sudão ao Afeganistão. Há dois anos, a jornalista da Visão Patrícia Fonseca conheceu na Bobadela um miúdo afegão que tinha fugido dos talibã, que o pretendiam recrutar para a guerra. Tinha 13 anos quando, com um grupo de vizinhos, arriscou atravessar a pé as montanhas afegãs e paquistanesas, atravessando depois o Turquemenistão e o Uzbequistão, até chegar aos Balcãs. A maioria dos seus amigos morreu pelo caminho, de fome e de frio. Ele resistiu miraculosamente e depois foi apanhando boleias de camionistas, sempre a fugir, fugir, fugir… sonhava ir para o mais longe possível do horror que deixara para trás. Até que não conseguiu fugir mais: estava em Portugal, na outra ponta da Europa. É a gente como esta que agora o Centro de Acolhimento a Refugiados nem um prato quente de comida pode dar. Não é justo.

Qquem puder/quiser ajudar, façam o favor de ver o pedido urgente de ajuda e sigam para o centro da Bobadela para levar alguns alimentos e produtos de bebé. Obrigada!

Apelo urgente para recolha de alimentos

O Conselho Português para os Refugiados (CPR) apela aos portugueses para participarem numa campanha de recolha de alimentos e artigos de primeira necessidade visando fazer face à crise, sem precedentes, que atravessa.

Deste modo, pedimos que nos entreguem os seguintes alimentos:
• Salsichas (excepto de porco – tendo em conta que muitos muçulmanos não comem esta carne)
• Conservas e enlatados (atum, sardinhas, etc.)
• Arroz
• Batatas
• Massas
• Leite e produtos lácteos
• Vegetais
• Fruta
• Ovos
• Óleo
• Margarina
Outros artigos de primeira necessidade:
• Fraldas
• Leite para bebé
• Papas para bebé

No Centro de Acolhimento para Refugiados do CPR encontram-se, actualmente, a residir cerca de 92 pessoas, das quais algumas mulheres grávidas, muitas crianças e idosos.

O CPR, única Organização Não Governamental para o Desenvolvimento a trabalhar em Portugal exclusivamente com requerentes de asilo e refugiados, viu-se obrigado a suspender, desde o final da semana passada, todos os apoios de emergência à população refugiada por falta de verbas e aguarda resposta urgente do governo para prosseguir a sua missão.

Os refugiados não têm familiares nem outras redes de apoio em Portugal.
Os refugiados não podem regressar ao seu país de origem, pois correm risco de vida.

Entregas nas seguintes moradas:

Conselho Português para os Refugiados (SEDE)
Av. Vergílio Ferreira, Lt. 764, Lj.D
1950-339 Lisboa
(Ver mapa)
Tel: 21 831 43 72
(de 2ª a 6ª feira, das 9h30 às 18h00)

ou

Centro de Acolhimento para Refugiados (CAR)
Rua Senhora da Conceição
Bairro dos Telefones
2695-854 Bobadela LRS
(Ver mapa)
Tel: 21 994 34 31
(Todos os dias – mesmo fins de semana – das 9h30 às 19h00)

Para mais informações:
Mónica Frechaut: monica.frechaut@cpr.pt
Tel: 96. 381 16 09

5 comentários em “URGENTE!”

  1. (1) A Mónica Fréchaut ainda é ativista do Bloco de Esquerda? Ou já não? E ela não era de Setúbal, o que está a fazer em Lisboa?
    (2) Não há forma de fazer donativos por multibanco, evitando perder tempo em deslocações a locais, digamos, esconsos?

    1. Ó Luís Lavoura, que raio de relevância tem a sua primeira pergunta? O que é que interessa, neste contexto, o partido político ou a morada de uma pessoa que tem a generosidade de dar o seu tempo a uma causa humanitária, ainda para mais em “locais, digamos, esconsos” onde você não tenciona pôr os pés?

      Veja lá se domina um bocadinho esse seu espírito de contradição, ok?

      1. Ana Vidal, seja mais moderada se faz favor.
        A minha primeira pergunta é relevante para quem se interessa pela Mónica Fréchaut e pelo que ela faz, independentemente do CPR. Ou seja, eu tenho boa opinião da Mónica Fréchaut e gosto de saber o que ela anda a fazer.
        Quanto a eu dar ou não dar para o CPR, você não sabe se eu tenciono fazê-lo. Eu apenas perguntei se para dar posso evitar ter que ir à Bobadela, que para mim seria bastante complicado.
        E reitero as perguntas que fiz, claro. A autora do post que as responda, se puder.

        1. Seja você mais moderado nas suas intervenções, Luís. Não sei se vai ou não dar para o CAR nem tenho de sabê-lo, e isso é o que menos interessa aqui. O que eu disse, e repito, é que a actividade política da Mónica Fréchaut não é para aqui chamada. E deixe que lhe diga que o tom da sua primeira pergunta indicava exactamente o oposto do que diz. Mas, uma vez mais, isso é irrelevante porque este post não é sobre a actividade política da senhora.

        2. Luís, não sei nada sobre Mónica Fréchaut. O que me preocupa são as 92 pessoas – muitas mulheres, algumas grávidas, e crianças – que já viveram coisas terríveis. Tudo pode ser político, mas o que me importa são as pessoas. No post estão os contactos para saber tudo aquilo que precisa, nomeadamente nib para transferência bancária ou algo assim, é ligar para lá. Qualquer ajuda é preciosa.
          Ana, beijo-te como sempre:)

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