Palavras adulteradas


Pedro Correia,

«O novo Acordo Ortográfico adultera as palavras, artificializa a língua e simplifica o pensamento. Não sendo decreto-lei mas apenas recomendação, a sua imposição é abusiva. Mudem-se as suas normas.»  São palavras, inteiramente acertadas, da cineasta Susana de Sousa Dias, nova directora do DocLisboa, à última edição da revista Visão. Palavras ainda mais urgentes quando deparamos com títulos ‘acordistas’ como este, literalmente incompreensíveis.

12 comentários em “Palavras adulteradas”

    1. Língua irreconhecível, totalmente desfigurada. Razão tem a Susana de Sousa Dias. Razão têm todos aqueles que se pronunciam contra este atentado a um património cultural que temos o dever de preservar e defender.

  1. O título “acordista” nada tem de incompreensível.

    A palavra “meta” também se pode ler “méta” (de uma corrida) ou “mêta” (do verbo meter), e nem por isso leva acento em qualquer dos casos. O mesmo se diga da palavra “roço”, que se pode ler “róço” (do verbo roçar) ou “rôço” (a consequência substantiva dessa atividade). Ou a palavra “pela”, e muitas outras.

    Em geral, as palavras portuguesas não levam acento quando são graves. Por que motivos haveria “para” de levar?

    1. O Sr. Luís Lavoura nunca ouviu falar nas três primeiras qualidades da linguagem, isto é, pureza, correcção e clareza? Nesta última encontra resposta à sua pergunta.
      Logo, o acento na forma verbal “pára” é imprescindível, não lhe parece?

      1. Já expliquei acima, palavras graves em português não levam acento.
        A leitura nunca é clara. Nunca. Por exemplo a palavra “seta” poder-se-ia perfeitamente ler, em perfeito português, “sêta” (tal como, por exemplo, a palavra análoga “seda”). Portanto, se o seu objetivo é a clareza total da língua, vai ter que polvilhar de acentos praticamente todas as palavras da língua.

        1. Há vários casos de palavras graves que, em português, levam acento. Consulte um bom prontuário ortográfico – anterior à actual cacografia que inventaram.

          A leitura é sempre clara, se prestarmos atenção à construção das frases e usarmos aqueles diacríticos que favorecem a clareza. Recordo-lhe o acento agudo nos verbos tema A, 1.ª pessoa plural do pretérito perfeito, para que não haja confusão com a mesma pessoa do presente do indicativo. Neste caso, nem sempre o contexto dá a certeza se aludimos ao presente ou ao pretérito.

          Relativamente aos exemplos de “seta” ou seda, releia as Bases Analíticas do Acordo Ortográfico de 1945. Tratou-se de um acordo feito, estudado e ponderado longamente por grandes filólogos, grandes nomes da linguística. Tudo foi explicado e nada descuraram.
          Onde os acentos eram inúteis, eliminaram-nos. Conservaram, precisamente, os que iam em auxílio da clareza.

  2. Exemplos anglo-americanos

    You say “either” and I say “either”
    You say “neither” I say “neither”
    “Either” “either”, “neither” “neither”
    Let’s call the whole thing off
    You say “potato,” I say “patattah”
    You say “tomato”, I say “creole tomata”
    Oh, let’s call the whole thing off
    Oh, if we call the whole thing off
    Then we must part and oh
    If we ever part, that would break my heart
    So, I say “ursta” you say “oyster”
    I’m not gonna stop eatin’ urstas just cause you say oyster,
    Oh, let’s call the whole thing off
    Oh, I say “pajamas”, you say “pajamas”
    Sugar, what’s the problem?
    Oh, for we know we need each other so
    We’d better call the calling off off
    So let’s call it off, oh let’s call it off
    Oh, let’s call it off, baby let’s call it off
    Sugar why don’t we call it off,
    I’m talking baby why call it off
    Call it off¡­
    Let’s call the whole thing off

    É o que nos resta a fazer!!!!!!!!!!! Now!

  3. A notícia do «acordo» saiu em alguns jornais estrangeiros – na secção das notícias bizarras.
    Isso deveria constituir para os políticos de direita e de esquerda não comprometidos com a maçonaria – que é a encarregada da imposição do «acordo» – um sinal de alarme e um primeiro aviso para a real repercussão deste crime.
    Não vem aí o 5º império, como os megalómanos e outros tontos pensam. Viriam, se esta doidice fosse avante, algumas gargalhadas perante a doidice grotesca de dois países analfabetos e nada mais. Rigorosamente nada mais a não ser uma língua retalhada pela estupidez.

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