O meu gato e eu


Teresa Ribeiro,

Tem nojo de mim, o insolente. Quando o abraço e beijo a seguir lava-se repetidamente para eliminar o meu cheiro. “Estúpido!”, grito-lhe às vezes divertida.

Seria impossível achar-lhe graça se fosse gente. Quem disse que as diferenças tendem a aumentar os nossos níveis de intolerância?

16 comentários em “O meu gato e eu”

  1. Não sei o que aconteceu ao comentário de uma Matilde que eu aprovei. Eclipsou-se. Matilde, desculpe. Não sei o que se passou. O seu comentário deixou-me arrepiada. Que experiência traumática!

        1. Porquê?
          Tens alguma coisa contra uma Matilde?
          Não sou eu, juro!
          É a primeira vez que te venho comentar, e se reparares bem não comento mais ninguém . Comentei porque achei piada ao teu gato porque nem sequer podes imaginar o que foi o meu trauma com o meu galo Pierre.
          Mas se não quiseres não venho mais, prometo.

          1. Por quem és, Matilde. Vem aqui sempre que quiseres. Apenas fiquei intrigada com a tua firmeza quanto ao destino do teu primeiro comentário que eu perdi.

          2. Quando eu tinha sete anos, tive um bichinho de estimação, que passo a contar a sua história dramática. Tanto que tornou a minha vida um Inferno por largos anos pois esse trauma veio agravar o outro da minha fealdade. Mas isso é outra drama, a história do Pierre é esta.
            Vivia eu então em França, na grande quinta da avó que possuía vinhedos a perder de vista, e naturalmente também lá se criavam animais. Um pintainho, ao nascer, partiu a patinha por acidente por isso a galinha, mãe desnaturada, deixou de tomar conta dele. Estava quase a morrer e eu peguei nele e trouxe-o para casa. A mãe, outra parecida com a mãe galinha, disse logo que o melhor era matá-lo para não andar a sofrer, mas eu insurgi-me com ela, chamei-lhe assassina e até lhe disse que ia ter muito cuidado com ela porque se me acontecesse o mesmo ela matava-me logo, mas ela nem ligou e disse que se devia matar sim!
            O pai perguntou como é que eu ia fazer, mas não respondi e como disse trouxe-o para dentro de casa. Arranjei umas tabuinhas, coloquei lá a patinha dele e enrolei com uma fita. Depois arranjei-lhe uma caixa de sapatos e pus lá ração de pintainho e água, e levei tudo para o meu quarto. Ele começou a comer e ao fim de uma semana já queria saltar da caixinha e ao fim de mais uns dias saltou mesmo.
            Foi crescendo e foi-se tornando primeiro um frango latagão, depois um galo valente que brigava com os outros galos e ganhava sempre. E andava sempre comigo, acompanhava-me para todo o lado e tinham que o fechar porque ele até queria ir para a escola comigo. Só não dobrava a pata e arrastava-a mas isso não era empecilho para ele.
            No meu aniversário dos dez anos, um maldito homem lá do sítio resolveu fazer um coq au vin e o meu Pierre, que andava por ali sem desconfiar porque ele dava-se bem com as pessoas, foi logo o primeiro a ser apanhado.
            Depois já podes adivinhar o que se passou. Calhou-me logo no prato a coxa dele que, que vi logo e a festa acabou. Gritei e insurgi-me contra todos, especialmente a minha mãe a quem acusei de sempre o ter odiado, chamei-lhe assassina. O pai acalmou-me e disse que a mãe não sabia de nada nem ninguém sabia, que tinha sido um acidente, uma fatalidade terrível, mas ninguém me conseguiu acalmar.
            Hoje tenho 36 anos e ainda me lembro muito dele.
            Só resta acrescentar que éramos tão amigos que durante toda a prematura vida dele, coitadinho, dormiu sempre comigo no meu quarto.
            Por isso já vês como eu te compreendo bem por gostares do teu gato.
            Beijinho.

            M.

          3. Antes deste gatinho tive um outro. Foi o meu primeiro bicho de estimação. Por ter sido frustrado durante demasiados anos o meu desejo de ter um pet, derramei nele demasiado amor. Como a história acabou mal – morreu passados seis meses às mãos de uma veterinária incapaz – sofri como nunca pensei que se sofresse por um animal e demorei muito tempo a ultrapassar a perda. Se tivesse passado pela situação que descreves, acho que também não voltaria a adoptar outro animal. Coitadinho do Pierre. E de ti. Beijo

  2. consultando a net, verifica-se que o que o seu gato faz é o habitual:
    “Why do cats lick themselves after you touch their hair?
    Cats usually do this to keep their hair smooth and to get rid of your scent”.

    mas, na próxima, antes dele se lamber, pode surpreendê-lo e fazer como o steve martin, tendo em atenção o alerta que ele deixa:

    “I gave my cat a bath the other day… They love it. He sat there, he enjoyed it, it was fun for me. The fur would stick to my tongue, but other than that…

  3. Cuidado com a ASAE dos animais. È obvio que está aumentar os níveis de stress do gatinho e isso é proíbido.

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