Espanha: tão perto e tão longe


Pedro Correia,

 

Enrique Urbizu esteve oito anos sem filmar. Voltou à actividade cinematográfica em 2011 – e ainda bem que o fez: acaba de conquistar o Goya, referente à melhor longa-metragem espanhola de ficção (o equivalente ao Óscar em Espanha), pela realização de No habrá paz para los malvados, um filme negro que seduziu o público no país vizinho com José Coronado no papel principal, desempenhando um detective que se comporta como um marginal nos bastidores mais violentos da noite madrilena.

Gostava que este filme, agora premiado, pudesse ser visto pelos espectadores portugueses. Mas tenho as maiores dúvidas de que isso acabe por suceder em tempo útil: basta lembrar que o Goya de 2010, Pa Negre, do catalão Agustí Villaronga, não chegou a encontrar distribuidor português. Prova – mais uma – de que Portugal e Espanha permanecem de costas voltadas. Sempre tão perto – e sempre tão longe. Enquanto qualquer película norte-americana de quinta categoria não deixa de fazer carreira, entre muito ruído de pipocas, nas nossas salas de cinema.

6 comentários em “Espanha: tão perto e tão longe”

  1. Concordo em absoluto, Pedro. Gosto do cinema americano, cresci com ele, e o bom cinema é bem-vindo. Agora que não há grandes chances de vermos outras filmografias, é uma triste verdade. Até na televisão. Dantes consegui ver filmes da China, Irão, de Leste, Itália, França. Agora menos e menos. Imagine-se no cinema. No outro dia deu uma reportagem na SIC que dizia que há 25 anos, mais ou menos, havia uma razoável percentagem de filmes franceses nas salas de cinema. Hoje em dia, desapareceram quase por completo. Lamentável, mesmo. E o que diz de Espanha e Portugal continuarem longe nos afetos, digamos assim, é para mim motivo de desagrado. Que bom seria termos acesso a mais cinema, em várias línguas, de pontos diferentes do globo.

    1. Toca num aspecto importante, AE. Os filmes de outras proveniências, extra-EUA, estão cada vez mais ausentes das nossas salas de cinema mas também dos ecrãs televisivos. E nesse aspecto a RTP – designadamente o segundo canal da televisão pública – está muito longe de cumprir a missão supletiva que lhe caberia neste aspecto.

  2. Goto muito do cinema espanhol.

    É difícil encontrar nos cinemas filmes que não sejam os do mainstream amricano, mas por acaso eu acho que as coisas estão outra vez a melhorar. Cada vez vejo mais reconhecimento a filmografias estrangeiras. Nomes como Almodôvar, Moretti, Alménabar, para citar só os mais conhecidos, são os responsáveis por esta nova onda europeia no cinema. Mas é verdade que os americanos têm mais público, e por isso dominam as salas de cinema.

    1. Alguns distribuidores persistem em remar contra a maré. No entanto, continuo sem perceber como é que películas galardoadas com o Goya não são devidamente promovidas em Portugal.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *