Europeias (2)


Pedro Correia,

 

  

É A ECONOMIA, ESTÚPIDOS

 

Estas eleições europeias ficarão marcadas pelas derrotas de vários partidos no poder. Será assim no Reino Unido, com a mais que provável vitória dos conservadores liderados por David Cameron, e em Espanha, onde o Partido Popular de Mariano Rajoy já lidera as sondagens, ultrapassando os socialistas. Estas derrotas de Brown e Zapatero estão iminentes devido à péssima gestão dos assuntos europeus por parte do Partido Trabalhista britânico e do Partido Socialista Operário Espanhol? Nada disso: a chave é a economia. Repare-se no que se passa no Reino Unido: o desemprego no país ultrapassou em Janeiro a fasquia dos dois milhões de pessoas, o que acontece pela primeira vez desde 1997: a taxa de desempregados, entre os britânicos, subiu para 6,5%. E como vão as coisas em Espanha? De mal a pior. De acordo com as previsões agora reveladas pelo Banco de Espanha, o produto interno bruto cairá 3% em 2009 (o dobro do que prevê o Governo) e o desemprego atingirá até ao fim do ano 19,4% da população activa, afectando mais de 4,5 milhões de pessoas. Só em Março, houve mais 123 mil desempregados no país vizinho.

Como estamos nós nesta matéria? Nada bem. Segundo os dados mais recentes do Banco de Portugal, o PIB cairá 3,5% em 2009, sinal de uma "forte recessão" ainda sem fim à vista.

Daqui se conclui que a oposição tem uma ocasião soberana de derrotar o PS: raras vezes (esperemos) uma conjuntura económica é tão desfavorável para quem governa. Daqui se conclui também que os partidos da oposição terão toda a conveniência em privilegiar nesta campanha a discussão dos temas económicos numa Europa que vai de crise em crise – discussão da qual o PS, compreensivelmente, pretende fugir a sete pés. Dar prioridade a outros temas, mais do que um disparate estratégico, será um autêntico brinde aos socialistas. Nessa hipótese, José Sócrates só pode agradecer.

 

ADENDA: Existem dois milhões de pobres em Portugal, 15% dos quais são crianças, revela um documento do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal. Este tema é demasiado relevante – e demasiado grave – para ficar fora da campanha eleitoral. De qualquer campanha eleitoral.

11 comentários em “Europeias (2)”

  1. Partindo do princípio de que o PSD (ainda?) representa o opositor mais forte do PS, já devia andar há muito a insistir em dois temas; economia e emprego. Apenas trocado por vezes para falar de emprego e economia!

    No entanto, o que é que o PSD tem feito? Tem andado a esvoaçar de tema em tema. Tem-se perdido até na alteração ao traçado de um TGV que não quer ter!

    Manuela Ferreira Leite, até ver, tem liderado um partido que é uma borboleta política. E as borboletas políticas não existem…

    1. TGV e querelas partidárias sobre o provedor de Justiça. É muito pouco para a agenda daquele que é ainda o maior partido da oposição. Essa agenda devia ser muito mais exigente, em sintonia com as preocupações essenciais dos portugueses.

    1. Desculpa, mas quem são estes tipos todos que estão à volta daquele sr. de cabelo grisalho e de gravata azul-cueca que costuma fazer «jogging» por esse mundo fora?
      Por acaso, ele aqui ainda não estava equipado a rigor: -ou já tinha corrido,.. ou estava para correr…
      Ou até para ser corrido, quem sabe…

  2. È a Europa , estúpidos
    Nas próximas eleições vamos eleger deputados para o parlamento europeu,discutamos as questões europeias
    AS questões nacionais,como o desemprego o PIB a pobreza ,etc, discutamo-las aquando das legislativas
    O governo tem mandato até Outubro quando chegar o momento os eleitores discutirão e depois premiarão ou castigarão,até lá não deitemos ocarro á frente dos bois.Citou as sondagens do RU e Esp. para antever a derrocada dos PS e as sondagens Portuguesas?

    1. Essa é a mensagem que convém ao Governo, não aos portugueses. Aliás em 2004, quando estava na oposição, o PS quis transformar as europeias num enorme cartão amarelo ao Governo PSD/CDS. Como bem lembra o Jorge Assunção, mais acima, Costa declarou isto durante a campanha: “”Sinto que há um enorme descontentamento em relação a este Governo. As pessoas sentem-se desiludidas, enganadas, angustiadas com o estado do país, com a recessão económica, com o desemprego, e sentem necessidade de uma nova política e de uma alternativa. Percebem que no dia 13 de Junho é a oportunidade que têm de dar força à alternativa e para começar a mudança em Portugal, não basta as pessoas estarem revoltadas, têm que exteriorizar isso por via do voto.”
      Está de acordo com ele?

  3. Disse o ANt. Costa ,não disse eu e diz agora o Paulo Rangel porque está na oposição.O senhor está na oposição?
    Lembra-se de hà algum tempo Pacheco Pereira querer um debate profundo sobre a europa? Não será este o momento adequado para o fazer?
    Acha bem que a campanha eleitoral para as europeias discuta apenas as questões nacionais quando a partir de Junho será precisamente isso que se fará?
    Não acha que será desperdiçar uma oportunidade de ouro não discutir agora aeuropa?Penso que discutir a Europa é também discutir Portugal.Os nossos problemas são comuns aos dos restantes países europeus e aEUropa como destino colectivo merece e necessita dessa discussão.Não nos limitemos a discutir a conjuntura façamos um esforço e discutamos um pouco onosso futuro como povo europeu.A crise como todas as outras passará,Portugal continuará.
    De Fausto Tiago

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