Em campo aberto


claudiakover,

Pegou-me pelo braço. Não com a mão, simplesmente com as palavras. Arrastou-me de forma lenta, passo-a-passo. Provavelmente adormeci-lhe no ombro, sem dar pelo arrasto e sem lhe sentir o pulso. Provavelmente não senti nada, ou não dei conta do que senti, até me perguntarem o que sentia.

 

Vomitei rapidamente as palavras, estranhamente sem me deixar afogar em pensamentos. Quando abri os olhos, após terminar a última frase, estava noutro sítio. Estava longe do local onde achava que me tinham plantado.

 

As raízes tinham sido descosidas da terra de forma cuidadosa. Intactas, elas rodeavam os meus pés. Perguntaram-me se me sentia diferente, se sentia que alguém me tinha tirado de um vaso e colocado num campo aberto. Tive medo e disse que não. 

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