«O que me causa maior perplexidade no acordo [ortográfico] é a mudança de grafia de palavras que se escreviam da mesma maneira em Portugal e no Brasil. “Abjecção” e “acepção”, por exemplo, passam a escrever-se, em Portugal, “abjeção” e “aceção”, mas continuam a escrever-se à maneira antiga no Brasil. Esta nova divergência resulta de a consoante suprimida ser muda para os portugueses e pronunciada pelos brasileiros. Em nome da fonética, que é e continuará a ser diferente nos dois países, torna-se agora diferente, paradoxalmente, a grafia das palavras.»
Rui Pereira, no Correio da Manhã

Mas, afinal, esses ‘casteleiros’ da trampa não justificaram a merda do novo acordo com a harmonização da grafia entre os falantes da língua portuguesa?!
Mas o povo cala e consente? O povo em peso não se levanta, indignado, para correr ao tabefe estes fdp que querem dar cabo da nossa língua? Miseravelmente? Um nojo estes gajos!
O Povo está a levantar-se. _ores_ao
O Povo e os seus representantes, provando que se pode ser deputado mantendo a coluna vertebral.
A ler:
http://issuu.com/roquedias/docs/di_psd_a
Abjeção continua escrevendo-se abjeção no Brasil. O que os opositores do acordo não parecem entender de forma alguma é que ambas as formas, por exemplo, de recepção, são aceitáveis em ambas as variantes da língua, não constituindo erro. É o que diz a letra “c” da Base IV do Acordo: “Conservam-se ou eliminam-se facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento: aspecto e aspeto, cacto e cato, caracteres e carateres, dicção e dição; facto e fato, sector e setor, ceptro e cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receção;… ”
Conservar-se ou manter-se é, pois, uma faculdade de quem escreve quando qualquer uma das pronúncias da língua incluir a pronúncia da consoante.
(Não é o caso de abjeção, que tem apenas uma grafia em ambas as variantes, diferentemente do que pensa o autor.)
O que isto queria dizer é que seria necessário saber o modo como uma determinada palavra é pronunciada em 7 países estrangeiros para saber como a escrever na minha língua-mãe em Portugal… E só poderia escrever “recepção” ou Egipto, se num desses países o «p» não fosse mudo.
Tem a sua graça, como anedota ilustrativa de subserviência.
Acontece, porém, que este «acordo» foi rejeitado pelos Serviços Oficiais Portugueses com competência para se pronunciarem sobre ele.
Não existem “serviços oficiais” mais oficiais que o Parlamento, o Governo constitucional e o Presidente, e todos eles participaram ativamente, assinaram, ratificaram, publicaram e estão implementando o acordo. Parecer é isto mesmo: parecer – opina, mas não decide. A decisão foi dos órgãos políticos, e está EM VIGOR.
As decisões políticas têm numerosos limites. Limites técnicos e limites morais, entre outros.
Os serviços oficiais técnicos – devem ser ouvidos pelos órgãos políticos – e respeitados os seus pareceres ou muito bem explicada a razão de os não seguirem ( o espaço de decisão política não é um espaço de arbítrio e discricionariedade, de afirmação de caprichos)
Tudo o que seja assim não seja isso invalida qualquer decisão, por mais assinada, votada, publicada ou carimbada que esteja.
Aliás, todas as leis e decisões judiciais julgadas inconstitucionais foram antes aprovadas, votadas, e carimbadas, publicadas no DR.,etc..
Acresce que, nos termos do próprio «acordo» o protocolo modificativo não foi ratificado por todos os países, pelo que não entrou em vigor e, por isso, não modificou a necessidade originárias da ratificação do tratado por todos os estados signatários.
E isto é abstraindo de outros numerosos aspectos que invalidam o tratado, desde logo a possibilidade de um protocolo modificativo daquele jaez.
Também, por esse motivo o chamado «acordo» não está em vigor.
Errata
Como se depreende, não são precisos os travessões: “Os serviços oficiais técnicos devem ser ouvidos pelos órgãos políticos e respeitados os seus pareceres”; de igual modo,
“Tudo o que seja assim não seja isso invalida qualquer decisão” é “Tudo o que assim não seja isso invalida qualquer decisão”.
É interessante como querem, por força, considerar aquela vergonha em vigor. Até se esquecem que, nos seus próprios termos haveria 6 anos de prazo de transição…
Esperemos que o bom senso açoriano impere. Evitava-se mais uma condenação internacional de Portugal.
penso que os posts sobre o “ao” são potencialmente “serviço público”, independentemente da posição de cada um, porque são uma forma prática de nos levar a interessar e conhecer o assunto.
sobre este caso concreto, dá para ficar perplexo, sem dúvida e, no que me diz respeito, sou um “daqueles” que à partida não rejeita o “ao”.
mas sobre este caso concreto, o “ao” diz o seguinte:
http://www.portaldalinguaportuguesa.org/a cordo.php?action=acordo&version=1990
base iv – 1º
c) Conservam-se ou eliminam-se facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento: aspecto e aspeto, cacto e cato, caracteres e carateres, dicção e dição; facto e fato, sector e setor, ceptro e cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receção;
não deixa de parecer um pouco absurdo, mas tanto quanto entendo, quem escreve pode optar por uma das formas, independentemente da sua nacionalidade.
Tal e qual. Diria, mesmo do camandro. Mas tb é graças à leia da consoante pronunciada q podemos continuar a escrever facto! N é ótimo. Mas é qqer coisa.
As entidades oficiais do Estado Português pronunciaram-se unanimemente contra o dito «acordo»(exceptuado um parecer da autoria do «negociador» do mesmo, o tal malaca casteleiro)
Por isso, enquanto democracia representativa apenas há uma questão a resolver: com que autoridade, mandato e legitimidade decidiram os políticos contra os pareceres dos serviços oficiais do Estado Português (v.g. a Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário)?
O que significa a afirmação do dito malaca “é que isto não é uma questão linguística, é uma questão política, uma questão muito importante do ponto de vista da política de Língua no âmbito da Lusofonia”? como se pode ler na edição do “Expresso” de 29 de Fevereiro de 2008?
Quais as competências desse malaca em matéria de política externa de Portugal?
Parece evidente a grave subversão da Democracia e do Estado de Direito, devendo-se apurar a responsabilidade criminal dos vários intervenientes neste tristíssimo acidente, repondo o Estado a ortografia constitucional.
Creio ser a única questão pertinente sobre o «acordo» fruto da vaidade, do atrevimento, da ignorância e de um desrespeito intolerável pelo Povo Português.