A batata quente


eventhorizon,

Parece que corre para aí uma petição para “obrigar” Cavaco Silva a abandonar o cargo de Presidente da República. Compreendo perfeitamente que não gostem do homem, mas ocorre-me perguntar às milhares de almas que já assinaram a coisa: onde estavam em Janeiro de 2011, quando decorreram as eleições presidenciais? Levantaram todas o rabiosque do sofá e foram exercer o direito de voto, ou ficaram refastelados no sofá com o aquecedor ligado, pois era Inverno, fazia muito frio lá fora e até estava a dar um bom filme na televisão?

 

Não entro na polémica da legitimidade levantada na altura, à luz da qual a taxa de abstenção de 52 por cento – mais de metade da população em idade de votar – não permitia legitimar Cavaco Silva enquanto Presidente da República. Isso é conversa da nossa triste esquerda, para quem a vitória eleitoral dos seus candidatos é a “vontade do povo” e a vitória eleitoral dos candidatos de direita é um “golpe de Estado”. Da mesma forma, não embarco na conversa da obrigatoriedade do voto. Votar é um direito que os cidadãos podem ou não exercer. Dito isto, 52 por cento dos eleitores exerceu o seu direito de voto ao decidir justamente não o exercer. Disse: “não quero saber” – e deixou a batata quente nas mãos dos restantes 48 por cento. Estes, escolheram Cavaco por maioria absoluta logo à primeira volta.

 

Ora isto é Democracia – escolhermos, nos momentos para isso preparados, os nossos representantes e os nossos governantes, tendo periodicamente a oportunidade de correr com eles se não os quisermos mais no poleiro, ou mantê-los no cargo em reconhecimento do seu bom trabalho (ou, no nosso caso, por as alternativas serem ainda piores). A Democracia faz-se disto, e não de estados de alma, de petições ridículas alimentadas nas redes sociais e de protestos inconsequentes por causa de declarações obtusas.

60 comentários em “A batata quente”

  1. Parece?
    Hilariante, essa sua… ignorância.

    Não será também Democracia, mais de 14900 pessoas, terem manifestado o seu desagrado, por tão vil personagem?
    Não é legitima a forma de o fazer?
    Só se for pela inconsequência que este manifesto produz.
    Realmente dá um certo jeito, o povo decidir nas urnas, mas depois, não haver mecanismos para que esse mesmo povo possa dizer que afinal se enganou.
    E os que votaram noutros candidatos?
    Têm que comer e calar?
    Este não é definitivamente o meu presidente. Nunca foi.
    Eu tenho legitimidade para o dizer. Porque nem fiquei no sofá a ver um filme, nem fui para a praia.
    Seria meu também, por vontade da maioria, se como pessoa, mostrasse humildade, respeito e sabedoria, para falar por todos e para todos, para também a mim representar. Infelizmente, não é o caso. Nunca foi o caso.
    Como já li por aí, esta é a pior pessoa que já viveu neste País, infelizmente, foi no tempo da minha vida.
    Este senhor, ganharia alguma dignidade, se por iniciativa própria, hoje mesmo, renunciasse ao cargo que ocupa, pedindo desculpa a Portugal e aos Portugueses.

    1. Leia novamente. É perfeitamente legítimo criticar Cavaco, e razões para isso não faltam. Já me parece pouco legítimo querer substituir um Presidente eleito através de uma petição no facebook. O ponto é só esse.

      1. A petição, como sabe, nada tem a ver com o facebook.
        Está a ser, presumo, maioritariamente divulgada por essa via, mas tão só porque o fb se tornou um meio de partilha por excelência. Há pouco mais de meia dúzia de meses, deu muito jeito, agora pelos vistos perdeu a legitimidade. Adiante

        Mas relendo a sua preciosa argumentação, redigo-lhe, está mais que na altura do Povo ter uma palavra a dizer quando se sente mal servido por esta máfia de políticos, sempre os mesmos, que se servem bem mas ilegítima e criminalmente do trabalho e dos sacrifícios de quase todos Nós, com as leis feitas por eles e que só os favorecem a eles.
        Parece-me evidente que é só isso que está aqui em questão.
        Este indivíduo não presta, nem dignifica o lugar que ocupa, há muito, por isso corra-se com ele.

        25444 pessoas, às 21.50.
        Não tem expressão nenhuma??
        Não significa nada?

        1. Há pouco mais de meia dúzia de meses – se estamos a falar da “manifestação dos indignados” de Março – disse mais ou menos o mesmo.

          Repare que eu não discordo de que o Povo tenha uma palavra a dizer. Tem mais do que uma, até. E é muito bom que critique, que se indigne, que se preocupe em escrutinar os nossos governantes. Só me parece surreal que se queira substituir por petição online um Presidente democraticamente eleito porque de repente se passou a achar que o homem “não presta, não dignifica o lugar que ocupa”.

          Ou seja, criticamos os “estados de alma” do Presidente – verbalizados invariavelmente de forma idiota – através de um estado de alma virtual, inflamado em redes sociais. Porreiro, pá.

          Sobre a expressão desta petição. Estas 25.500 pessoas (assumindo que não há assinaturas falsas) correspondem a que percentagem da população portuguesa? Ou do eleitorado português? A resposta em ambos os casos é: a menos de 0,5%. Não sei a quantos vai a esta hora, mas admitamos que chega a 1%. É claro que tem expressão – sobretudo mediática. No entanto, muitos mais do que esses estavam já insatisfeitos antes mesmo de a vitória de Cavaco estar confirmada. De resto, uma petição amanhada online e “assinada” por 0,5 ou 1 por cento do eleitorado deverá ser suficiente para derrubar um Presidente da República (ou um Governo)?

          Duvido.

          1. Neste momento 35487

            Caro João
            é claro como a água, que esta petição não leva a lado nenhum.
            Aqui o que está em causa, mantenho a minha, é que há realmente uma enorme indignação e descontentamento com o pr. Mas não é só de agora. Há muito que ele não presta nem dignifica o lugar. Mas isso agora não interessa nada.
            Critica-se o povo por ser manso, por nunca fazer nada, por se acomodar, mas numa manisfestação de revolta, de indignação e de incredulidade, onde o numero de pessoas quanto a mim, tem já alguma expressão, é porreiro pá, porque isto do facebook ou cenas on line, é só para quem não tem nada para fazer.
            Convém lembrar, que é sobre o mesmo facebook, que se têm tecido rasgados elogios ao agora visado e alvo de chacota pr, por fazer o esforço em parecer ser um homem que quer estar mais perto do povo, ligado pelas novas técnologias. Um modernaço.
            Também foi através do, mesmo, facebook que se atirou, mais que qualquer outro, o sócrates para a lama.
            Novamente, mantenho a minha, nessa altura o facebook deu um enorme jeito. E também houve petições, várias, mas não me parece que tenham tido tantas assinaturas.
            A petição não destitui o pr, como já alguém muito oportunamente veio esclarecer.
            Mas, com este numeros, Sua Excelência o Presidente da Republica, já deveria ter renúnciado ao cargo.

            Os monárquicos é que devem estar a encher o pagode.
            Isto já não é um presidente.
            É o bobo da corte.

            Quanto à sua pergunta, é preferível o povo indignar-se na net, com elevada expressão, como parece ser o caso, do que ir para a rua fazer o que temos vistos noutros países. Mas quer parecer-me que já não deve faltar muito.

            Abraço

          2. Continuamos a discordar na questão da expressividade do número. Essa expressividade é sobretudo mediática, porque do ponto de vista representativo, 35 mil pessoas nem chegam para fazer um copo meio vazio.

            Pessoalmente, acho que o facebook – e as redes sociais em gera – estão francamente sobrevalorizadas. Mas quanto a isso nada posso – ou quero – fazer para além de restringir a minha “vida social online” ao máximo.

            E volto a dizer, o descontentamento em forma de assinatura de 35 mil pessoas não pode ser suficiente para demitir um Presidente ou um Governo. Se fosse assim o Bloco de Esquerda não fazia mais nada para além de tiro aos patos.

            Abraço.

  2. Caro João Campos, parte da resposta à sua pergunta, é-lhe dada no post do Rui Rocha.
    Em Janeiro de 2011, o naipe de candidatos não oferecia alternativa, pelo que; o maralhal pensou… “olha que se lixe, do mal, o menos” entre dois malucos, um deslumbrado, um pau-mandado e dois hibridos, escolho um dos hibridos… um, dó, li tá…
    A outra parte da resposta, é que, até 2011, nem a crise “ainda” era o que é, nem os sacrifícios exigidos aos portugueses eram o que são, nem o Presidente da República tinha dado a escorregadela que deu.
    Ora agora veja com olhos de ver; num país pobre, que sempre foi pobre, onde meia-dúzia de bacanos andam a gozar com esta merda toda, vem o bacano-mor dizer com o ar mais comovente do mundo que o guito da reforma não lhe chega pós morfes… um sacana que até come à pala do estado, e que, enquanto se senta à mesa, servido de peixinho e carninha da melhor qualidade, uma chusma de caralhos, fazem fila à porta da tenda dos gajos da vida não sei quantos, à espera que lhes dêem por caridade uma sopinha e um naco de pão. Muitos deles que vergaram o aço toda a vida e que, por força das políticas capitalistas que este bacano que agora chora porque o cúmulo de pensões não lhe chega, apoiou, no tempo em que foi primeiro ministro e em que veio guito com fartura para os gajos do capital, donos de fábricas e herdades, mandassem fazer uns projectos inflaccionados e recebessem apoiso dos fundos comunitários, parte a fundo perdido e outra parte a juros da treta, tudo para gastar em jipes motas de água, gajas, festas no monte, etc.
    Olhe lá ó João Campos… você vive em Portugal, ou a sua nave aterrou hoje por engano aqui no rectângulo?!
    Hmmm?

    1. Quem me dera que a nave tivesse aterrado aqui ontem por engano. Já tinha zarpado de volta para Betelgeuse, acredite.

      Se os portugueses fizessem uma petição para expulsar cada político que tem uma declaração imbecil, ou mesmo muito imbecil (como esta de Cavaco), nenhum aquecia o lugar por mais de duas semanas. E estou a ser franca e atipicamente optimista.

      1. Olhe, estou consigo nessa reflexão, caro João!
        Não existe uma consciência geral e equilbrada, quanto à forma como um político deve, ou não deve desempenhar o cargo para que foi eleito. Nesta matéria, ha sempre, no mínimo dois interesses diferentes e muitas vezes antagónicos. Então temos de perceber, que em política algo está mal. Será a mudança de posição ética que o político adopta após a eleição, relativamente àquela a que se propõem enquanto candidato?
        Vai ver que é isso…

  3. Embora não nutra por ele qualquer simpatia e o compare ao governador romano da Judéia, o tal que lava as mãos de tudo o que acontece, tenho de concordar consigo.

    Tendo em conta o meu apreço pela democracia, é justo que aturemos o homem até ao fim do mandato, embora fragilizando até ao máximo os estados de alma.

    É sofrer, mas aguentar, pois claro!

    (mas acho que, ele fala melhor com a boca cheia de bolo-rei)

  4. Paulo, em Janeiro de 2011 levantei-me do sofá e fui votar, como sempre votei, fossem eleições ou referendos. Levantei-me porque considero o voto um dever cívico, mais do que um direito. Levantei-me porque voto, nem que seja para fazer uns rabiscos ou chamar nomes aos candidatos. Levantei-me porque não quero que outros decidam por mim. Por isto não posso concordar com a sua opinião. Assinei a petição assim que soube da sua existência e voltaria a assinar com a vontade e rapidez com que decidi fazê-lo ontem. Se é verdade que o pobre reformado do Aníbal foi democraticamente eleito, não é menos verdade que a vontade de quem o contesta também tem legitimidade. O direito a opinarmos ou de ajuizarmos quem nos governa não se extingue no acto do voto nem se suspende durante os mandatos dos eleitos, até à eleição seguinte. Também todos nós temos o direito a mudarmos de opinião e de actualizar as nossas posições e deixar evoluir as nossas ideias.
    Considero que Cavaco deixou de reunir o mínimo de condições para exercer o cargo que exerce. E deixou de reunir há muito, sobretudo desde que conspirou, através de um assessor, para derrubar um governo democraticamente eleito e para influenciar as eleições legislativas seguintes. Ao fazê-lo violou de forma grosseira e inaceitável a Constituição, que jurou cumprir e fazer cumprir. Quem faz isto não merece estar onde está. Por isso, em Janeiro de 2011 levantei-me do sofá e fui votar. As alternativas não eram melhores, concordo consigo neste ponto, mas não pude deixar de, através do meu voto, repudiar tal acto, acto esse que merecia um inquérito criminal, como na altura defendi e fundamentei (da última vez que olhei para o Código Penal, a ofensa a pessoa colectiva ou organismo público ainda era crime). Não fosse um PGR simpático, como tem sido para os nossos políticos (de todos os quadrantes pártidários), e já teria sido aberto processo crime.
    Ridículo é tapar o sol com a peneira, querer assobiar para o lado perante tão vil ataque a quem sofre para comer e alimentar a família, a quem conta os tostões para (sobre)viver. Não foi uma gaffe nem um erro de comunicação. São demasiados episódios para um homem só (SLN/BPN, aldeia da Coelha, Belémgate, and so on) e para quem se diz sério, quando nada fez para parecer sério ao longos destes anos. Para mim, não tem mais condições para se manter no cargo e se tivesse vergonha na cara a um mínimo de humildade já se teria demitido. Mas como Cavaco, ao longo destas décadas, tem mostrado – não com palavras, mas com actos – precisamente o contrário, outra coisa não seria de estranhar do que limitar-se a vir tentar justificar o injustificável, ainda por cima com um argumento coxo, falacioso. Isto sim é riículo, não a vontade dos cidadãos se expressarem, de forma serena e democrática (e legítima) e dizerem, a viva voz, que isto é inaceitável num país democrático.
    Cumprimentos.

    1. O PR não foi feliz nas afirmações que fez sobre as reformas que recebe. Dois dias depois de receber um publico voto de louvor da parte dos que assinaram o documento da concertação social, pelas influencias que moveu para que se chegasse a acordo, Cavaco devia ter falado sobre tudo, menos das reformas dele. Daí para cá, temos assistido a tudo e mais alguma coisa, e o Jerorimo, o Louçã, sindicalistas e tudo quanto é comentador, politologo, tudologo, com o apoio dos media transformaram um fait-divers num acontecimento nacional: o PR ofendeu os pobres deste país, e por isso devia-se demitir, na opinião de tantos indignados. Olha se ele tem dito que quem não tem dinheiro para comer pão, coma brioche! a estas horas em vez de lhe fazerem manisfestações à porta, estavam a montar o patibulo no Terreiro do Paço!
      Mas eu continuo a acreditar que o que motiva tanto odio por Cavaco Silva por parte de muitos portugueses, é ele ter dito quando era 1º ministro, que para Portugal se desenvolver os portugueses teriam que trabalhar mais. Depois de tal ofensa aos bons costumes da nação, milhões de portugueses nunca mais lhe perdoaram.

      1. Não concordo, é precisamente o motivo contrário, o que muitos portugueses não lhe perdoaram ainda, foi ele enquanto primeiro-ministro, ter contribuído para destruir grande parte dos sectores onde os Portugueses poderiam trabalhar, já nem digo mais, mas ao menos continuar a trabalhar o mesmo.

        1. A que sectores “onde os portugueses poderiam trabalhar” se está a referir? Está-se a referir aos 30% da população que ainda trabalhavam na agricultura? à economia praticamente toda nacionalizada? Aos quase 200 mil portugueses que tinham os salarios em atraso?
          Em 1985 Portugal estava a sair de um programa de ajuda do FMI, e quando Cavaco foi para o governo a economia portuguesa estava feita em cacos. Sabe quanto custavam os juros na “banca do povo”? Chagava aos 40%, e pagos à cabeça. Sabe quanto era a inflação? mais de 30%.
          Dá-me vontade de rir quando vejo certos ignorantes dizerem que Cavaco destruiu “a industria, as pescas e a agricultura ” portuguesas. Não foi Cavaco, foram os comunistas do PCP e da UDP que agora se chama Bloco de Esquerda, com os seus aliados radicais do MFA que destruiram a economia portuguesa em Março de 1975. Hoje dá jeito a muita gente ter uma visão estalinista da historia, quer dizer apagar os “maus” da fotografia, mas eu lembro-me muito bem. Afinal só passaram 37 anos.

    2. Realmente, sr. Sardão, não há direito que Portugal tenha um Presidente da República de direita.
      Um novo Sampaio é que era bom. Ou, sei lá, um Alegre. Esses, sim, são gente “disquerda”, educada desde o berço para presidir a isto.

      1. Estive para não lhe responder, pois os seus termos injuriosos (quem não tem argumento socorre-se sempre do insulto fácil) não mereciam, mas fica um ponto: nunca votei Alegre, fique sabendo. Nem em nenhum dos candidatos de esquerda das duas vezes que Cavaco foi candidato. Não é uma questão de direita ou esquerda, mas de decência e capacidade para exercer o cargo com dignidade e seriedade. Ou se fosse um de esquerda a fazer isto, o sr pato mariola viria aqui defendê-lo, como fez agora? Duvido…

    3. Pois então o que eu não perdoo mesmo a este PR foi não ter demitido Sócrates. Um PM que ganha as eleições a MENTIR descaradamente, a festejar crescimentos fictícios, a aumentar funcionários públicos em vésperas da eleição, e depois mal chega ao Governo desdiz tudo da forma mais inacreditável e desrespeitosa para com os portugueses não poderia ter outra resposta que não a demissão imediata. Este indivíduo nunca deveria ter tido a oportunidade de se demitir. Tamanha incompetência e desonestidade têm de ser penalizadas. Se querem assinar alguma coisa de jeito, assinem a petição que exige que se arraste o rabiosque dele de Paris para um tribunal nacional que o condene em pelo menos um dos tantos crimes cometidos. A senilidade do Cavaco incomoda-nos mas não nos afecta nem 1/1000 do que o faz a herança de Sócrates.

      1. Cara Helena, se formos punir criminalmente (antes de punir, há que acusar, julgar e decidir em conformidade com as provas existentes) então teremos, por uma questão de coerência e seriedade, de punir todos que façam o mesmo. E olhe que se formos por aí há muito pouca gente da política que escapará…
        Vamos puni-lo por ter mentido (repetidamente)? Então puniremos todos os que mentem repetidamente, incluindo os políticos e governantes no activo. Vamos puni-lo por ter tomado decisões erradas e prejudiciais para o país e para os portugueses? Então puniremos igualmente os actuais governantes (e presidente) pelas más decisões, pelos erros e pelos graves prejuízos. E os exemplos que deu também se aplicam na perfeição ao actual PM, desde as sucessivas mentiras, as promessas rapidamente quebradas, as manifestações de incompetência, etc. Se quiser, posso deixar vários exemplos de cada um destes pontos…
        Eu bem sei que os socratistas que andaram calados durante seis anos agora andam numa roda viva, pelos blogues, a criticar e a apontar o dedo, enquanto que os anti-socratistas, que andaram seis anos numa roda vida, a criticar e a apontar o dedo pelos blogues andam agora caladinhos, muitos deles atarefados nos gabinetes ministeriais. Coerência é um bem escasso em Portugal.
        Cumprimentos.

    4. Ricardo, se houvesse vergonha na cara, como diz (e eu concordo), não teríamos classe política (o que poderia até ser mau, mas certamente seria também higiénico). As coisas são o que são – o Cavaco não é nem melhor nem pior que os seus antecessores. Mesmo que nos últimos tempos se ande a especializar em dizer disparates como o da semana passada.

      1. Ficariam meia dúzia de gatos pingados, que tinham de fazer a vez de deputados, ministros e, aos sábados, de presidente. Mas sempre seria bem mais higiénico. Considero que a política bateu no fundo e a classe de políticos é do mais medíocre possível. Para nosso mal…
        Cumprimentos.

        1. Depende. Seria sem dúvida higiénico até vir a malta da extrema-esquerda falar em assembleias populares e votações de braço no ar.

          Divagações à parte, concordo que a nossa classe política é absolutamente medíocre. Mas, e passe o cinismo, acho que também não merecemos melhor. Ela é o perfeito reflexo do povo.

          Abraço

  5. Se a petição em causa ultrapassar as 2 231 603 assinaturas, então acho que o PR se deve demitir. Até lá…

  6. Ou seja, os políticos só têm que prestar contas durante as campanhas eleitorais, depois das eleições podem fazer ou dizer o que lhes der na real (ou republicana neste caso) gana, que só temos que comer e calar até às próximas eleições. O Presidente pode faltar ao respeito à função para a qual foi eleito, ou o primeiro ministro não cumprir nada do que prometeu para ser eleito, que só há que aguentar e calar. Só não entendo então o porquê de terem aceite a demissão de Sócrates, ou de não terem, perante a demissão dele, pedido ao PS para indicar um novo primeiro ministro, pois ainda estava dentro do período, considerado por si, de inimputabilidade. E, para não haver confusões, eu não concordo com nada disso, nem nunca votei ou votaria PS.

    1. Ou seja, leu mal. Eu não defendo que os políticos só devam prestar contas durante as eleições (bem pelo contrário). Mas então vamos fazer dos nossos estados de alma colectivos – e incendiados na internet, ao bom estilo troll – o contrapeso do regime sempre que um político por nós eleito tenha um estado de alma de que não gostemos?

  7. O Presidente da República interpelou directamente os portugueses em 3 ocasiões, com motivo de outras tantas situações críticas : para nos dizer que nos Açores passavam-se umas cenas muito graves, para nos perguntar se alguém andava a ver o seu mail e para nos pôr a par do lamentável estado das suas finanças, que já não lhe garantem uma velhice digna.
    Prontos, é isso.
    Cumprimentos,
    CF

    1. Eu não votei nele!
      Mas também não assinei a petição.
      A que conclusão chegas ?
      Não é, nunca foi e nunca será o meu Presidente.
      Antes o Américo Tomás !

  8. Os portugueses (nós) temos uma caracteristica muito peculiar:-
    Para desculparmos a nossos ” crimes” agarramo-nos com unhas dentes ao “registo criminal dos politicos”.. Um exemplo:

    11.000 (Onze mil!!!) crianças desapareceram do IRS…. por quê? Para enganar o fisco… ( Impressa de hoje)… Imagine-se o que será se no rol se descobrir um politico!

    Como é o povo… tudo bem!

    Não temos emenda!

    1. Caro am, o exemplo vem sempre de cima. Infelizmente os nossos governantes, pós 25 A, não teêm sido nada pródigos nesse sentido. Bem antes pelo contrário.
      Hoje, mais rouba o mais reles verador da mais reles câmara deste país num mandato, que o Salazar roubou a vida inteira

  9. Poderia explicar-lhe aqui, por extensos parágrafos, o entendimento que tenho da democracia e os direitos e deveres inerentes, para os eleitos como para os eleitores.
    Poderia mas falta-me agora o tempo e julgo que já existem por cá comentários que se aproximam bastante da minha interpretação e espanto ao deparar com este post.

    Uma observação se me impôe no entanto, se me permite, sem o querer ofender ou ser indelicado:
    Este post é, á imagem das declarações do PR, tão só infeliz e irreal.

    Declaro-lhe que fui votar, como sempre vou se o puder fazer.
    Declaro-lhe igualmente que não compreendo a argumentação referente À percentagem votante.
    Declaro-lhe finalmente que já assinei a dita petição e que só lamento que a consequência da mesma (por mais assinaturas que contenha) não seja suficiente para a demissão do PR. PorquÊ?
    Porque neste país, só quando os governantes tiverem noção pessoal das consequências dos seus actos e discursos, a democracia será respeitada e vivida.
    Fique bem.

    1. Outside, eu concordo em absoluto com a sua última frase. Só acho que não é por via de petições on-line e indignações selectivas nas redes sociais que isto vai lá.

      1. Isto vai lá porque tem que ir, nem haverá outro modo seja por fé ou crença, por Portugal e pelos portugueses..e sem selecções ou partidos tomados, transversalmente pensando e exigindo…o PR está (já desde os tempos socráticos) a desempenhar as suas funções de um modo, no minímo, inaceitável.

        Uma petição online ou a partilha via redes-sociais da crítica ou sentimento dos eleitores é sempre, no meu pensar, uma mais valia, semelhante à escuta e leitura bloguer nacional e internacional (sem duvida melhor, infelizmente melhor que a imprensa existente que nos deixa tão aquém conforme sabe)..porque é necessário um verdadeiro Despertar neste povo (contribuinte) que sofre, rasteja e pena à conta da insensibilidade e desumanidade daqueles que foram eleitos para o representar…coisas simples em mim.
        Fique bem.

        David

  10. Um País ‘invertido’:
    Onde 230 deputados, 5 partidos, deixaram passar a oportunidade quando “proibiram” acumular pensões com trabalho.
    Deviam ter determinado: cessar atribuição das pensões.
    Onde 230 deputados, 5 partidos, foram ‘incapazes’ de obrigar o Governo sobre o Banco de Portugal: cessar atribuição de reformas especiais aos administradores.
    And so on.

  11. O seu post manifesta um ponto de vista razoável embora não coincida completamente com o meu. Gostaria apenas de comentar que as listas eleitorais estão bastante inflacionadas, quer por alguma dificuldade em retirar os falecidos quer porque, continuando os portugueses a emigrar, constam nas listas pessoas que estão a residir de forma permanente (ou quase) longe da sua mesa eleitoral. Seria interessante que se fizesse uma estimativa séria do número dessas pessoas para termos números de abstenção mais realistas.

  12. À hora que começo a escrever este comentário, a petição tem já quase tantas assinaturas (21886) quantos votos teve o MPT (22690). Cartão vermelho? Há mecanismos constitucionais para isso. Substituições a meio do jogo? Há alguma democraica por aí que o faça? Legitimidade moral? Cada cidadão tem a sua e muitos acham que a sua deve ser a de todos. Agora já são 22230 assinantes: o PAN teve 57849 votos, devemos dar-lhe uma oportunidade para governar?

    1. José, com esses votos todos o PAN não conseguiu eleger um deputado. Com muitas mais assinaturas que ambas, a petição contra o Acordo Ortográfico caiu em saco roto. É triste, mas é a democracia que temos – e, passe o cinismo, é a democracia que merecemos.

      Se começamos a valorizar tudo o que é petição on-line, qualquer dia mais vale abolirmos as eleições e escolher os autarcas, os deputados e o Presidente através de “likes” no facebook ou de “+1” no google+ – soluções mais cómodas e que sempre contornam as desculpas meteorológicas e balneares.

  13. Aqui no escritório há um gajo que já assinou 5 vezes a petição.
    É o que faz ter várias contas de e-mail…
    Que fantochada!

        1. Já fui fiscal por acaso, profissionalmente falando.
          Porêm neste caso, cada um é fiscal de si mesmo…e meu caro…aqui, neste tema e neste discurso presidencial a qualidade segundo a ISO:9001 não passa no teste.
          Tem duvídas ou duvida?

    1. Ora bem, esse seu colega, tem 5 contas de email, verdadeiros portanto, já que existem.
      Agora das duas três, ou o seu colega assina 5 vezes o mesmo nome e o mesmo BI, uma atitude bastante inteligente, ou, pior ainda, assina com 4 nomes falsos, com os respectivos Numeros de BI também falsos. Isto fazendo fé que pelo menos um dos nomes é o dele.
      Se assim for, com o devido respeito, esse seu colega é um vigarista.
      Junte-se então o verdadeiro nome dele à petição. Corre-se com os dois.

      Já agora, fui dar uma vista de olhos, 32605.
      São muitas contas de email repetidas…. só pode.

      1. Que ele é um vigarista já eu estou farto de saber.
        Falta-me é saber quantos outros vigaristas como ele também “assinaram” a petição…

  14. 52% “não quiseram saber”, portanto o mal é deles. Chega de pensar assim! As abstenções estão cada vez maiores, é altura de parar de atirar com este senso comum e começar a pensar a sério no porquê de 52% das pessoas não terem ido votar. 52% dos eleitores não vão à praia, nem ficam no conforto do sofá só porque não querem ir até à escola mais próxima colocar um papel numa urna de voto. Votar em branco adianta de alguma coisa? Não. O que resta? Votar numa alternativa que não o é? A participação democrática resume-se ao voto?

    Nesta fase já dou mais valor a esse tipo de petições e iniciativas do que ao estúpido do voto, num sistema que já está a pedir uma grande reforma. Porque dentro desses 52%, há gente que não se interessa, mas há gente que se interessa muito, gente que se sente desiludida, enganada, gente morta, emigrantes, estudantes deslocados que não têm dinheiro para ir dar um voto numa pessoa que não inspira uma mudança positiva, e cada vez mais gente que olha para este sistema pseudo democrático como cada vez mais moribundo.

    1. Sara, eu fui estudante deslocado, estive (e estou) muito longe de ser “abonado”, e não foi por isso que deixei de ir votar. Ou que continuo a votar, dado que nunca transferi residência da aldeia para Lisboa. Em 2011, tanto quanto me lembro, já havia soluções para deslocados – assim haja interesse.

      Mas adiante, que essa é outra questão.

      Não, a participação democrática não se resume ao voto. Sim, quem se abstém continua a ter todo o direito de criticar os nossos governantes. No entanto, se não quiseram contribuir nem para um voto negativo (leia-se para correr com um político, ou pelo menos tentar), para quê petições fora de tempo por um motivo praticamente irrelevante? O que Cavaco disse foi uma enormidade – se lhe caísse um dente por cada uma que diz, não havia seguro de saúde que lhe cobrisse despesas com dentistas. Mas, neste caso, foi só isso – uma enormidade.

      Isto, porém, é apenas a minha opinião. A Sara terá uma diferente. Como nenhum de nós irá mudar de ideias, resta-me respeitar a sua – que li com gosto – e agradecer-lhe o comentário.

      (e sim, lamento muito termos de votar em gente que não inspira confiança, mas infelizmente é o que se arranja)

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