Seguem dois avisos à piolheira, que não servirão para coisa alguma excepto para serem recordados no futuro por quem dirá, segundo o exemplo do professor Cavaco, que nos preveniu. Nessa altura será tarde, como de costume.
- O The Economist (sim, aquele farol do liberalismo) alerta-nos para os inconvenientes de um pacto suicida liderado pela Alemanha. Trecho: The decision by Standard & Poor’s, one of the big three, to downgrade nine European governments (…) chastised governments for their inadequate response and their misguided obsession with austerity. Lá se vai a teoria de que quem não salta é socialista.
- Bruno Faria Lopes assina outro texto de leitura indispensável, em que descreve a nova fase de Victor Gaspar: uma fase épico-lírica, repleta de sinais e citações de Pessoa, com que o ministro espera compensar-nos por não ter cumprido uma única das metas quantitativas do memorando de entendimento. Trecho: Não há “viragem” alguma. Os investidores compraram a dívida pela mesma razão por que eu tenho dívida do Estado português a vencer em Junho deste ano – porque paga bem e porque paga este ano, que está coberto pelo dinheiro da troika. (…) Monti afirmou ainda que irá “pressionar a Alemanha para perceber que é do seu próprio interesse” ajudar mais a Itália e outros países sobreendividados. Isto é um sinal de viragem: o líder de um país a receber assistência financeira oficiosa, um país fundador da União Europeia e com peso, toma uma posição vertical perante um problema que compromete a eficácia da sua política e o bem-estar de toda a sua população.
É muito triste vivermos entre fanáticos.

Na minha humilde opinião, a Grécia vai cair a partir de 20 de Março por incumprimento, depois lá virão as Eurobonds para estancar a sangria.
O tempo agora é de dar graxa à nova entente franco-alemã de forma a convencer essa gente a emitir os títulos de dívida europeus antes de Portugal entrar em roptura.
É que fica bem mais barato para eles deixar falir que reestruturar !
Essa teoria de que os Eurobonds estão quase quase já a oiço há muito tempo, faroleiro. Não estão nem vão estar.
É urgente um sinal de cidadania activa
A partir da criação do euro em 1999 os 17 países da EU que aderiram à moeda única passaram a ter uma taxa de câmbio fixa e deixaram de controlar as suas relações de troca através do controlo cambial e da intervenção directa dos seus bancos centrais. A partir de então em conjunto a balança de transacções da Grécia, Itália Portugal e Espanha –GIPS- passou sempre a ser negativa , isto é as empresas e os Estados foram-se progressivamente endividando. Ao mesmo tempo, , a Alemanha apresentava um crescente saldo positivo nas suas trocas com o exterior, atingindo actualmente um superavite de 182 mil milhões de euros, enquanto os países referidos acumulavam um saldo negativo de 183 mil milhões*; quer dizer, a Alemanha prosperou com a moeda única e os GIPS agravaram a sua situação.
Com a crise financeira de 2009, a dívida dos GIPS cresceu muito, o que justificou que os mercados de capitais iniciassem um ataque especulativo sobre a dívida pública destes países, começando selectivamente pelos mais . Só uma intervenção rápida de um banco central poderia deter este processo.
O BCE pode emprestar dinheiro aos bancos mas está proibido de emprestar directamente aos países, o que originou benefícios para a banca tornando a manutenção da dívida insustentável em alguns países. Contudo, em apenas 2 dias o BCE emprestou em Janeiro à banca europeia 500 mil milhões de euros , enquanto uma semana antes se dizia que não tinha capacidade para dar garantias sobre a dívida da Itália (440 mil milhões).
Ao manter o BCE incapaz de garantir os títulos de dívida dos países europeus, a Alemanha com cumplicidade da França, conseguiu por em perigo o euro e levou à supressão da democracia na Grécia “despediu” com um simples telefonema o governo de Itália, levou à queda o governo de Portugal e facilitou a vitória da direita em Espanha. Depois de espalhar uma política de medo e incerteza permanente e substituir os governos destes países, reduzem-se salários e regalias e lançam-se os países numa crise de recessão .
Sem por em causa a necessidade de pagar dividas e pôr cobro ao endividamento sistemático, a verdade é que uma saída para a crise não pode ser conseguida pela destruição da economia, optando por uma austeridade cega que inclusive reduz o produto interno e conduz à impossibilidade prática de permitir o pagamento da dívida. A solução passará por travar o ataque especulativo e a subida dos juros da dívida e equilíbrio orçamental das contas públicas num prazo realista.
Ao boicotar os ajustes necessários do BCE fazendo prevalecer os interesses dos seus bancos, sem disparar um tiro, a Alemanha está a conseguir alimentar os seus desígnios imperiais melhor do que conseguiu na primeira e segunda guerra. Assim, em menos de 100 anos a Europa tem de enfrentar a terceira calamidade provocada pela Alemanha : o avanço sobre a soberania dos estados e a sua subjugação económica configura o que entendemos por um estado de guerra.
De facto estamos a enfrentar uma situação de guerra, em que as armas até podem ser silenciosas, mas não deixam de ser devastadoras.
Perante este cenário os dirigentes políticos europeus como Passos Coelho vieram a revelar-se, não como defensores dos seus Estados, mas apenas como submissos representantes de Berlim, incapazes de negociarem condições que permitissem que a economia dos respectivos países pudesse manter a vitalidade suficiente para que efectivamente pudessem honrar os seus compromissos, mas sem destruir empresas pessoas e bens.
Neste contexto de emergência os cidadãos não podem de imediato esperar que os seus interesses sejam capazmente defendidos, pelo que só lhes resta a possibilidade de enviar directamente uma mensagem suficientemente forte para ser ouvida e atendida pela alta finança alemã: fazer baixar significativamente os lucros das suas empresas.
Sabendo-se que 60% das exportações da Alemanha se destinam à Europa é urgente que os cidadãos europeus exerçam o seu direito à resistência contra a ofensiva em curso, começando desde já por enviar uma mensagem muito clara para Berlim: deixar de comprar produtos de origem alemã.
Se concordar com esta acção de defesa do país, é favor divulgar a mensagem.
* dados Eurostat
“É muito triste vivermos entre fanáticos”.
Com licença, é claro, do Rodrigo da Fonseca (sim, o tal que tem o nome numa rua de Lisboa).
Não há nada como um gajo ser original…
The Economist “farol do liberalismo” hahaha ou não conhece o que é o Liberalismo ou não lê o The Economist.
Onde é que o The Economist tem protestado contra o crescente Estado? O The Economist tem apoiado cada vez mais estado, mais intervencionismo, mais socialismo empresarial e mais regulação.
Veja-se a Grã Bretanha e o caminho para o desastre em que está.
“misguided obsession with austerity.”
5%, 7%, 10% é austeridade?
Mas mesmo que o fosse é a típica mentira dos estatistas. Os ingleses hoje estão em austerity os ordenados sobrem 1% e a inflação está em 5% ás custas das impressoras do Bank of England mas para quem escreveu tal coisa isso não é austeridade, não lhes toca recebem pelo outro lado, pelo lado da impressora. Para os estatistas só é austerity quando se corta, pois aí já os atinge. Talvez devesse pensar nisso e ver quem beneficia: os políticos e quem vive às suas custas.
Por outro lado não sei qual a razão do espanto com a opinião da agência, quem deve quer o dinheiro não interessa de onde vem, da impressora ou da engenharia financeira ou de aumento de impostos.
É preciso é que apareça.
É só ver que sempre que há um pacote de euros depois de uma cimeira Europeia as bolsas a subirem…
Pagarão claro os outros que não conseguem fazer hedge contra a inflação : quem tem apenas depósitos de poupanças com baixo risco, desempregados os mais afectados e as pessoas com pouca mobilidade financeira.
O autor deste texto que é o “fanático” porque quer obrigar os outros a pagar para o que não contribuiram ainda tem a obsessão da esquerda pelo dinheiro – o dinheiro traz o crescimento. Parece que não tirou lição nenhuma dos últimos anos.