Claro que a criatividade e inovação dos nossos empresários não depende apenas do seu nível de habilitações literárias. Mas a formação é um factor importante de competitividade, não acha José Meireles Graça? Logo, se o perfil dos nossos empresários fosse diferente, também a sua capacidade para enfrentar a crise seria distinta, não tão dependente da redução dos encargos com o pessoal. É que a concorrência à chinesa não é o que mais convém à nossa economia, dizem os especialistas na matéria e quem sou eu para discordar.
Quanto à associação livre que fez, nem comento. Presumo que são jogos florais. São, não são?

Os nosso empresários são fracos porque os nossos trabalhadores não querem ser empresários.
Lucklucky, nem todos os trabalhadores nascem empresários em potência. A muitos falta certamente capacidade económica para investir, a outros espírito empreendedor, talento para a gestão e qualidades de liderança. De há uns anos a esta parte acarinha-se a ideia de que é possível ser tudo, desde que se queira. Não é verdade. As personalidades não se fabricam à medida, apesar de muitos livros de auto-ajuda venderem o contrário. Mas não é porque meia dúzia de ideias se tornaram moda que passam a ser verdadeiras.
O princípio de Peter, por exemplo, demonstra-nos que quando ultrapassamos o nosso nível de competências falhamos…
O aforismo do Lucklucky pode ser invertido. Os nossos trabalhadores são fracos porque os nossos empresários não querem ser trabalhadores.
Essa é a minha tese, Pedro. Já escrevi aqui sobre isso. São as direcções e as chefias que determinam a cultura das empresas.
A inversão implica o aceitar da subordinação logo não é equivalente.
Se um trabalhador é melhor que o patrão tem a responsabilidade de fazer uma empresa ou pelo menos tentar.
Que cada trabalhador que chame idiota ao patrão tente construir uma empresa.
Nós por cá acabamos no bizarro mundo dos trabalhadores mais “instruídos” que os patrões. Embora o instruído tenha muito que se lhe diga.