Inovação e criatividade fazem muito mais pelo futuro de uma empresa do que meia dúzia de empregados baratinhos. Mas claro que a batalha pela competitividade em Portugal vai travar-se sobretudo neste segundo plano, baixando os custos do trabalho e facilitando os despedimentos. Porquê? Porque os nossos empresários são o que são e neste país as relações entre quem tem responsabilidades são de todas as mais mansas e anquilosadas.
Em Portugal joga-se sempre ao elo mais fraco.

Teresa, concordo contigo no argumento principal do post, mas o trecho em que dizes que “os nossos empresários são o que são” sugere-me as dúvidas do costume: se os empresários são pouco qualificados e os trabalhadores são mais qualificados que eles porque é que os trabalhadores não criam empresas? Provavelmente teriam alguma vantagem competitiva, digo eu.
Eis um grande mistério.
Para mim não é mistério, Luís. Nem todos nascem empreendedores. Pode-se ser muito bom técnico, mas péssimo empresário. Tomar a iniciativa é muito giro, mas não é tudo. Já fui vítima de alguns empreendedores, que até eram bons no que faziam mas quando decidiram armar-se em empresários revelaram-se um desastre. Atenção à tese liberal que ameaça tornar-se cultura segundo a qual quem não toma a iniciativa não tem moral para criticar os outros. Muito simplista…
Pois, mas não é esquisito que só os tipos pouco qualificados tenham essa vocação? E tanto doutorado que para aí anda a obedecer
Pois, mas não é esquisito que só os tipos pouco qualificados tenham essa vocação? E tanto doutorado que para aí anda a obedecer a gajos com a quarta classe. Até fico com pena.
Um resposta para a questão é simples: quem tem mais qualificações trabalhou dura e honestamente para as obter. Por isso prefere continuar a trabalhar duramente. Os empresários de baixas qualificações não o fazem. Usam todo e qualquer estratagema moral para enriquecer enquanto mantêm os trabalhadores o mais em baixo possível. Isto não é uma opinião, é um facto concreto. Aldrabam, mentem, desviam dinheiros e ameaçam com despedimento os seus trabalhadores. E ao fazerem isto criam condições de competição desiguais para quem queira funcionar de forma regular.
Se me disserem que quem tem mais qualificações pode criar empresas de maior qualidade, coisa que esses empresários não fazem, aponto o acesso ao crédito. Não se cria uma empresa em Portugal sem dinheiro. Pior, com o acesso ao crédito fica também a corrente agrilhoada à perna do empresário, dos pais do empresário, do conjuge, e sei lá de quem mais. Que falhe a empresa e o empresário nunca mais faz nada na vida, porque tem de trabalhar para o patrão da 4ª classe para pagar as dívidas ao longo da sua vida.
É por isso que os nossos empresários são o que são: a escumalha do país (piores que os políticos).
As estatísticas são…lixadas!
Eu apostava em como os empregados com formação superior se concentram nas “GRANDES” empresas, onde, também estão, os empresários com formação idêntica ou ainda maior qualificação académica.
O problema reside, julgo eu, nas pequenas empresas, onde o “patrão” tem fracas qualificações académicas, mas (às vezes) tem recursos económicos, capacidade de trabalho e empreendedorismo.
Verdade, io. E as PMEs, para mal dos nossos pecados, é que dominam o nosso sector empresarial…
Desconfio que a Teresinha não vive no mundo real.