A revisão da política do medicamento em Portugal era urgente por variadas razões, nem todas especialmente novas – como a transparência do mercado farmacêutico – mas agora assume um papel redobradamente importante, actuando também na suavização dos efeitos da austeridade.
Quer pelo lado do consumidor privado, porque a baixa generalizada dos preços lhe facilita o acesso a terapêuticas de custos comportáveis. Quer pelo lado do consumidor público, o Estado, que assim poderá reduzir os seus gastos sem comprometer uma parcela dos objectivos do SNS.
Algumas destas medidas cumprem metas assumidas no ‘Memorando de Entendimento’ com a Troika, é verdade. Mas vão mais além, concretizando linhas de acção estabelecidas no programa do Governo.
Era assim que eu gostava de ver o Governo a exceder os compromissos com a Troika: distribuindo o ónus da crise por todos os portugueses, incluindo os grupos de interesses privados.
– Isto não lhe diz respeito porque não toma remédios?
– Não importa: ligue-se, porque um dia tomará.


Ora, pois! Aí está um diplomazinho a ter em conta 🙂
E sobretudo a ter em contas, Ivone 😉
Este é na verdade um bom excesso, Laura. Concordo inteiramente consigo que gostaria de ver o actual governo a repetir mais destes excessos e, sobretudo, a distribuir equitativamente os sacrifícios por todos aqueles – sem excepção – que estão em condições de poderem contribuir para uma eventual solução da nossa actual crise financeira, e não apenas dos mesmos de sempre, os que estão mais à mão de semear. Apesar do ligeiro recuo de hoje no confisco dos subsídios (que é de saudar, sem dúvida) que sentido faz privar durante dois anos do 13º e 14º meses um trabalhador do sector público ou um reformado que ganhe acima de 600 euros (uma fortuna, está-se mesmo a ver), deixando intocados rendimentos do trabalho de 4, 5, 10 mil euros mensais ou mais, de trabalhadores e entidades do sector privado? Quanto a mim, a resposta é “nenhum sentido” e até agora, ainda nenhum dos vários argumentos expendidos para o efeito mostrou uma linha de pensamento coerente e lógica para que os pudesse compreender e muito menos aceitar.
Para mim também não faz sentido algum que haja essa espécie de princípio de discriminação obrigatória, Luís, é injustíssimo. Pudesse tudo ser equitativo e talvez não custasse tanto.