Dia de greve é dia de trauliteirismo galopante, como sabemos. Daí a importância de mimarmos a nossa direita civilizada, que não alça mocas de Rio Maior nem vitupera a infame Constituição marxista onde se consagram direitos a quem dá cabo da economia. Para começar, leiam este texto sereno e inteligente do Carlos Botelho. Depois, uma boa prova de fair play democrático da autoria do Pedro Pestana Bastos. E em conclusão visitem o Tiago Moreira Ramalho que resume, a este respeito, todo o meu pensamento.
All you need is love.
vidabreve,

Não se deve gastar muita cera com tais defuntos. Quando a imbecilidade demonstra que os argumentos são sempre os bafientos, desde os muros de Berlim até, pasme-se, ao assassínio de Trotsky, há que usar a velha máxima : nunca discutas com um idiota, ele rebaixa-te ao seu nível e vence-te pela experiência.
Tanta sabedoria e condescendência para estragares tudo na conclusão, Luís! Ora diz-me lá se esse “calem-se, porra” (dito com ou sem delicadeza) não é exactamente a atitude que condenas em quem condena a greve como forma de protesto? Ai, ai…
Claro que não Ana, porque eu não condeno quem condena a greve como forma de protesto. (Podes ir ver no meu blog como dou razão a um comentador a esse respeito). Toda a gente é livre de condenar o que quer que seja. O que eu condeno, ou melhor, combato, é quem quer ilegitimar a greve como forma de protesto, algo completamente diferente. E depois de veres o que se anda a escrever no Facebook e nos blogs da “especialidade”, este “pôrra” (que até vem, recordo, de um tipo de direita) até me parece bastante suave.
Sim já vi muita parvoíce dessa no facebook (e também do lado oposto). Cada um é livre de escrever as parvoíces que quiser e o facebook presta-se muito para esse exercício… mas eu, que defendo incondicionalmente o direito à greve, também defendo de igual modo o direito a não fazê-la. E em muitos casos esse direito é negado a quem não tem outra hipótese, sobretudo por causa dos transportes. Esses têm razão nas suas reclamações.
A questão dos transportes é um pormaior que se resolve com aquelas coisas que se faziam, acho que se chamam requisições mas não tenho a certeza.
Um pormaior de somais importância.
Ou, pare resumir melhor a minha posição: prefiro que chamem filho da puta a um grevista do que andem por aí a proclamar que fazer greve “é um abuso, nas nossas condições económicas”. É com pezinhos de lã que se perdem as liberdades
Concordo. Mas cheira-me que já perdemos muitas delas pelo caminho, e quase nem demos por isso.
É sim senhor, absolutamente de acordo. Mas concordas que eu tenha a liberdade de achar que fazer greve neste momento é suicidário, ou não? (nunca fiz greve na minha vida, com qualquer governo que fosse, mas quero continuar a ter o direito a ela para o exercer no dia em que considerar que ir para a rua é a solução adequada ao meu problema).
Claro que sim, Laura: só que vejamos — a palavra “abuso” tem um valor pré-jurídico, se lhe quisermos chamar assim, que me preocupa muito. E dizer que é suicida não resolve o problema: é suicida para quem? Para quem faz a greve é uma alternativa entre outras, talvez mais suicidas do ponto de vista pessoal.
Isto agora não interessa muito, mas abuso não é pré-jurídico… pelo contrário. Abuso é justamente a ideia de uso indiscriminado de um direito, quando o exercício é tal que excede a sua ‘ratio’ ou o objectivo da protecção jurídica. Dificilmente será o caso da greve, que é um direito fundamental incluído no lote dos ‘direitos, liberdades e garantias’ e portanto é ‘self-executing’.
Bem, isto complica-se: eu usei pré-jurídico porque me parece que no uso actual da palavra há uma intenção de partir para a tipificação jurídica (ex:greve em épocas de crise = abuso); ou seja, a intenção de contrariar o que escreves:
“Dificilmente será o caso da greve, que é um direito fundamental incluído no lote dos ‘direitos, liberdades e garantias’ e portanto é ‘self-executing’.”
É como se estes “líderes de opinião” que de repente apareceram a dizer que “a greve é um abuso porque temos tantos problemas” quisessem estabelecer que talvez fosse melhor acabarmos com os abusos, não sei se me fiz entender.
Não complica nada, Luís, ficou claríssimo e estamos de acordo.
Caro Luís,
Obrigado pelo mimo.
Só não me chamo é Pestana Barros.
Abraço
PPB
Caramba, Pedro, desculpe. Vou mudar.