Senhor Dr. Mário Soares,
Li com emoção o manifesto que subscreveu e que hoje foi divulgado. Reconheço nele o cunho inconfundível do grande democrata e do homem de visão com quem tenho tido a honra de partilhar, a partir da minha modesta condição, momentos bons e horas difíceis (atrasos, delongas e desencontros fazem parte, como sabe, do nosso dia-a-dia). Tocado pelo pungente apelo ali lançado, é com enorme alegria que lhe comunico que decidi seguir a sua voz. Chama-me a rua, desafia-me o combate. Quero lutar contra os mercados, ali onde eles estiverem. Anseio por banhar-me na Fontana di Trevi ou por fincar os meus pés na Praça Syntagma, sempre em protesto contra a tomada do poder pelos tecnocratas. Sonho com a praça Tahrir e com a rua egípcia. Aliás, permita-me que realce a genialidade do manifesto na parte em que compara, em legitimidade, o protesto contra os ditadores árabes com aquele que agora convoca para as quelhas e travessas desta nossa democracia. Sei, entretanto, que dificilmente o passo pode ser maior do que a perna. O palco desta luta para a qual o manifesto me despertou é o mundo, mas a minha carteira não me permite ir muito para lá de Santos-o-Velho. Por isso, e para já, conformo-me. Manifestarei esta indignação que me sufoca, esta raiva que me cresce nos dentes (sim, eu também gosto muito dos artigos do Senhor Dr. Nicolau Santos e aproveito sempre a hora de almoço do Senhor Dr. Mário Soares para ler o Caderno de Economia do Expresso), aderindo à greve geral de amanhã. Sei, Senhor Dr. Mário Soares, que esta decisão lhe causará algum transtorno. Não desconheço que o Senhor Dr. tinha a consulta do calista agendada para o próprio dia 24. No entanto, confio que o grande democrata e estadista saberá compreender que há momentos em que é mais importante seguir os ventos da história do que prover às necessidades das unhas encravadas. Não me despeço sem, se me permite, o abraçar calorosamente, dizendo-lhe que nos sinto agora muito mais próximos em valores e em ideais.
Atenciosamente, subscrevo-me José Albano (o seu motorista).


“Sonho com a praça Tahrir e com a rua egípcia”. Este não é muito difícil de realizar. Se António Costa continuar à frente da Câmara durante mais uns tempos, em breve Lisboa parecerá o Cairo.
Ai, Lisboa. Que ainda cais das colunas.
Então o calista também não faz greve? Que raio de homem tão calejado é este, tão insensível a este momento de aperto social como o que estamos a viver?
Sobre esse ponto, Luís, sou eu que me calo.
Quem fez greve foi a calista!
Este post está todo marado!
Óh Albano… essa de aderires à greve… é do camano!
Vai ter de ser o Américo a chegar-se à frente prós assuntos do calista… e não pode falhar, antes que o Passos e o Portas comecem a pisar os calos ao Marinho e à…à… ai pá… agora esqueci-me do nome da rapariga…
Curioso que agora também não me vem à memória, Bartolomeu.
mas estamos a falar do calo do dedo que o motorista decepou ao Dr. Mário Soares?
Oh Rui… que “ganda” ocasião para estar calado!
Caro Anónimo, reconheço-lhe o sotaque. O caríssimo é que tem andado muito calado…
Tem razão, Rui.
Desde Passos Coelho estou calado porque nada há de bom a dizer.
E, para tristezas, basta o espectáculo diário com que nos vão brindando.
Ah, não se preocupe. Afinal de contas ainda nem passaram 6 meses. Vai ver que aos poucos a ausência do defunto vai tornar-se mais suportável.
Nos casos em que se tenha apetência para a autoflagelação, creio que possa ser uma possibilidade.
Não é o meu caso, portanto, passo. Mal, é certo!
Resta-me o conforto de saber que não foi da minha cartola que saiu este coelho!