Reflexão do dia


Pedro Correia,

«É o medo que leva o mundo moderno a viver no barulho. Se a natureza tem horror do vácuo, o homem moderno, esse, tem horror do silêncio. Está sempre a ouvir-se música em todos os lugares, nas casas, nas lojas, nos restaurantes, nas escolas. Não cessa a bulimia palradora da televisão e da rádio, os bips e rings dos computadores, telemóveis, i-pods. Na rua, as pessoas levam auscultadores nos ouvidos ou falam compulsivamente ao telefone. Os momentos de silêncio que ocorrem por acaso num lugar público ou numa conversa de amigos são motivo da mais extrema inquietação. O silêncio, esse esquisito intruso, é imediatamente expulso pelo barulho que, com alívio geral, recomeça. (…) Até o silêncio do campo se tornou insuportável aos humanos, modernos, tão modernos que são todos.»

Paulo Varela Gomes, no Público

7 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Claro que isto não acontece por acaso…O silêncio potencia a reflexão, e, principalmente nos tempos que correm, não convém que as pessoas tenham tempo para pensar…

  2. O medo, Pedro! Todos os nossos problemas se baseiam no medo.
    A depressão é o medo de falhar, de não conseguir, de não aguentar, etc., etc.
    A agressão e a violência são o medo dos sentimentos.
    As manias (da ordem, ou da limpeza) são o medo de quebrar uma ordem estabelecida, o medo de cair no caos.
    E por aí fora…

    Quanto ao medo do silêncio, ou do vazio… Li algures que, quem não conseguir ficar sentado sozinho numa sala, sem fazer mais nada, a não ser pensar apenas em si próprio, na sua vida, durante uma ou duas horas, tem problemas e devia, ou ponderar como mudar a sua vida, ou procurar ajuda psicológica. Pode parecer exagero, mas eu acho que nos devia pôr a pensar.

  3. Escrevi um dia, algures, que gostava do ruído do silêncio. E esta reflexão, ora aqui transcrita, coloca-me outra vez nesse registo! Ainda bem que há gente que pensa como eu…

  4. Em cada fim-de-semana garanto para mim um tempo de silêncio.
    Horroriza-me o barulho infernal dispensável (música em restaurantes, p.e., que chega a impedir um bom diálogo, conversas em tom elevado, crianças aos gritos) e já considero mais do que suficiente as subidas de tom no emprego, as corridas constantes e as exigências que superam o nosso limite.
    Cada minuto de silêncio é de uma paz necessária e apaziguadora com as nossas ideias e com o seu refrescar.
    Cada fim-de-semana, tenho de ter o meu momento de silêncio, o meu momento de reflexão.
    Só assim ganho força.
    Andarei em contra-mão?
    Sem acordo ortográfico

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