Têm surgido bastantes, dos lados mais improváveis. Clamam que é injusto, que os privados também deveriam “pagar a crise”. Hoje, queria só recordar a esses paladinos da equidade que há quem receba a recibos verdes, doze meses por ano (isto quer dizer que não há cá lugar a subsídios), e tem de pagar uma tal de sobretaxa extraordinária. No caso dos restantes mortais, essa taxa é aplicada sobre o subsídio de Natal. No caso dos desgraçados a recibos verdes, já que não têm o referido subsídio, é aplicada sobre os restantes rendimentos (os tais doze meses que o ano tem). Nessa altura, ninguém se lembrou da equidade, não foi?
Aos defensores da equidade
cadernoelastico,

E também não se lembraram da “equidade” quando foi para subir impostos durante estes anos todos.
Qualquer subida de impostos beneficia os funcionários publicos, perdem de um lado ganham noutro.
A “equidade” é conversa de gente que quer que fique tudo na mesma. Que os incentivos sejam os mesmos que nos levaram onde estamos.
Palpita-me que deste um valente abanão por aí.
Se o principal arauto da “equidade” – “sabem de quem eu estou a falar”…em devido tempo tivesse combatido a “curroptiblidade” e os “mostrengos” , hoje não falaria de “equidade”!
Devemos então lutar para que todos os trabalhadores sejam pagos em recibos verdes?
Acho que não. Quem tem recibos verdes não me parece que queira ser pago em recibos verdes. Ser pago em dinheiro deve dar mais jeito.
O seu raciocínio parece-me um tanto ou quanto enviesado, padecendo de vícios de argumentação óbvios. Nem sei como consegue comparar o incomparável. Os recibos verdes estão associados ao exercício de uma actividade por conta própria. Os subsídios associados à prestação de trabalho dependente por conta de outrem. Retirar uma percentagem do rendimento a trabalhadores por conta de outrem ou a trabalhadores a recibo verde representa o mesmo sacrifício, porque as pessoas dimensionam com maior ou menor custo o seu modo de vida e consequentes responsabilidades ao rendimento que têm, de acordo com a opção que fizeram em termos profissionais (condicionada ou livre, não importa).
“Como eu não tenho, parece-me justo que os outros que tinham, deixem de ter” – é este o raciocínio subjacente à deturpada equidade que aqui nos traz?
Tirando os precários inflexíveis e o Movimento Ferve, ninguém mais se lembrou da injustiça que isto é. Eu vou senti-la, ainda que pouco (a corresponder ao que ganho, pois claro).
Ana Margarida, os casos que conheço (e em cuja definição participei) não dando lugar aos subsídios típicos do trabalho por conta de outrém – nem podiam, tratando-se formalmente de trabalho autónomo – têm os 13º e 14º meses incorporados, em duodécimos, na mensalidade.
Para ver e ouvir.
http://www.youtube.com/watch?v=Hx9xbARgj hc
a maior parte dos trabalhadores no activo não conhece a história da retribuição do trabalho e da evolução das leis laborais, não apenas em portugal mas no mundo civilizado, e parece que ainda pensa que os “subsídios” de férias e natal são benesses que não estão directamente ligadas ao seu trabalho, mas resultam da boa vontade e dos humores dos empregadores. 505-how-company-christmas-bonus-screwing-w orkers.html
há quem queira passar esta idéia, por isso era muito importante que as centrais sindicais explicassem as origens destes “subsídios” para os trabalhadores por conta de outrém.
sobre a sua história nos eua pode ser obtida alguma luz neste artigo:
http://www.politics.ie/forum/economy/140
vamos todos, e cada um, discutir este assunto a partir da advinhação ou vamos primeiro entender porque estes “subsídios” se tornaram rendimentos de trabalho expectáveis, para os trabalhadores por conta de outrém?
se calhar era mais inteligente optar por esta segunda via.
Boa achega, Carlos. Conhecimento de causa.