Este é o momento de sermos solidários com a Madeira


Rui Rocha,

No meio da turbulência dos dias que correm, há uma questão que ficou algo esquecida. Refiro-me à Madeira e à dívida daquela região autónoma. Certo. O desequilíbrio das contas madeirenses deve-se, em boa parte, à gestão de Jardim. Mas, o povo madeirense não tem culpa. A imposição de um plano de austeridade agressivo mataria qualquer possibilidade de desenvolvimento local, lançando os madeirenses para uma penúria prolongada. Por outro lado, a própria Madeira sente os efeitos da dívida soberana. A política expansionista de Jardim acaba por ser vítima de um contexto internacional desfavorável e da crise das dívidas soberanas. É certo que a ocultação deliberada dos  dados das contas regionais deve ser criticada. Mas, não parece razoável que sejam os madeirenses a pagar pelos erros da sua liderança política. Este não é o tempo de discutir culpas, é o momento de encontrar soluções políticas que não podem passar pela humilhação dos madeirenses. Importa respeitar a sua autonomia e as suas recentes escolhas eleitorais e criar um caminho de dignidade que permita um saneamento sustentável das contas regionais. Estou convencido de que um perdão substancial da dívida regional e a aprovação de um plano prolongado no tempo que permitisse a regularização confortável do remanescente seria a solução razoável.É claro que isso implicaria um sacrifício adicional para os cidadãos do continente que veriam os seus impostos ainda mais aumentados e/ou os salários dos funcionários públicos ainda mais reduzidos. Mas, é nos tempos de crise que a verdadeira solidariedade deve ser testada e posta em prática.

58 comentários em “Este é o momento de sermos solidários com a Madeira”

  1. Errado. Este é o momento de se porem em ordem as contas da Madeira, fazendo os cortes que forem necessários.

      1. Concordo, e mais, devemos pedir a todos os europeus, Alemães, Franceses, Ingleses e etc. para pagarem mais impostos, para ajudar a cobrir os buracos de Portugal e Grécia, assim custa menos a cada um.

          1. Estou sim, claro, usando o mesmo princípio que defendeu para a ajuda a Madeira. O Post é irónico, não ?

      1. Estranho, no continente, há legitimidade para se roubar descaradamente, porque o governo foi eleito pela vontade do povo nas urnas, na madeira, o mesmo povo soberano que elege um vigarista, não pode ser humilhado??
        Sim, tem uma certa dose de piada mudar o contexto das coisas conforme dá mais jeito. Em grande Rui….

        1. Ainda lhe digo mais Rui.
          Já estava era na altura de arranjarmos soluções para deixarem de nos humilhar a nós, a maioria dos cubanos, a quem todos os dias tentam atirar areia para os olhos.
          Já vai sendo tempo de deixarem de nos tomar por idiotas, trouxas, e terem algum respeito por quem lhes proporciona uma vidinha desafogada e numa boa “zona de conforto”.
          Respeito a sua opinião, mas é mais do mesmo. Areia.

      2. “O desequilíbrio das contas madeirenses deve-se, em boa parte, à gestão de Jardim. Mas, o povo madeirense não tem culpa.” – é uma ditadura, lá na Madeira? Independentemente do que se possa pensar sobre como resolver a questão das finanças públicas, na região Madeira ou no país, este tipo de argumento não tem qualquer fundamento. Jardim, e a sua gestão, é fruto de eleições. Os eleitores têm a responsabilidade sobre os resultados e efeitos daquilo que elegem.

          1. Li. E continuo a discordar da sua formulação. Uma coisa é discutirmos a pertinência de um revanchismo sobre a Madeira, outra é o que V. disse (talvez ao correr da tecla), reduzindo as responsabilidades (não gosto da palavra “culpa”) dos cidadãos portugueses na Madeira. Ou dos cidadãos portugueses, sustentando os governos da república. As pessoas não são pobres diabos (ainda que se dediquem ao choraminguismo). Têm responsabilidades

  2. Permito-me discordar, meu caro. A Madeira não é apenas Jardim e os seus desmandos. A Madeira é também a população que ao longo dos anos votou nos desmandos de Jardim. É a população que beneficiou desses desmandos à custa de um enorme buraco orçamental e à custa de uma solidariedade que ninguém me perguntou se eu – continental ou cubano – aceitava. Já é tempo de responsabilizar os políticos, mas também quem os escolhe sucessivamente. E não me consta que os madeirenses tenham sido solidários com o continente quando a vaca de cá dava o leite todo.

  3. Parece-me que Jardim vai anunciar a execução de um referendo para perguntar aos madeirenses se aceitam as condições de enormes privações que se antevêem inevitáveis.
    Um Papandreou e uma Grécia em miniatura, já se vê.

  4. Uma cidadã identificada como Sofia Marisa Duarte Moura escreveu a seguinte carta à Administração da Carris:

    Exmos. Senhores José Manuel Silva Rodrigues, Fernando Jorge Moreira da Silva, Maria Isabel Antunes, Joaquim José Zeferino e Maria Adelina Rocha,

    Chamo-me Marisa Sofia Duarte Moura e sou a contribuinte nº………da República Portuguesa. Venho por este meio colocar-vos, a cada um de vós, algumas perguntas:
    Sabia que o aumento do seu vencimento e dos seus colegas, num total extra de 32 mil euros, fixado pela comissão de vencimentos numa altura em que a empresa apresenta prejuízos de 42,3 milhões e um buraco de 776,6 milhões de euros, representa um crime previsto na lei sob a figura de gestão danosa?
    Terá o senhor(a) a mínima noção de que há mais de 600 mil pessoas desempregadas em Portugal neste momento por causa de gente como o senhor(a) que, sem qualquer moral, se pavoneia num dos automóveis de luxo que neste momento custam 4.500 euros por mês a todos os contribuintes?
    A dívida do país está acima dos 150 mil milhões de euros, o que significa que eu estou endividada em 15 mil euros. Paguei em impostos no ano passado 10 mil euros. Não chega nem para a minha parte da dívida colectiva. E com pessoas como o senhor(a) a esbanjar desta forma o meu dinheiro, os impostos dos contribuintes não vão chegar nunca para pagar o que realmente devem pagar: o bem-estar colectivo.
    A sua cara está publicada no site da empresa. Todos os portugueses sabem, portanto, quem é. Hoje, quando parar num semáforo vermelho, conseguirá enfentar o olhar do condutor ao lado estando o senhor(a) ao volante de uma viatura paga com dinheiro que a sua empresa não tem e que é paga às custas da fome de milhares de pessoas, velhos, adultos, jovens e crianças?
    Para o senhor auferir do seu vencimento, agora aumentado ilegalmente, e demais regalias, há 900 mil pessoas a trabalhar (inclusivé em empresas estatais como a “sua”) sem sequer terem direito a Baixa se ficarem doentes, porque trabalham a recibos verdes. Alguma vez pensou nisso? Acha genuinamente que o trabalho que desempenha tem de ser tamanhamente bem remunerado ao ponto de se sobrepôr às mais elementares necessidades de outros seres humanos?
    Despeço-me sem grande consideração, mas com alguma pena da sua pessoa e com esperança que consiga reactivar alguns genes da espécie humana que terá com certeza perdido algures no decorrer da sua vida.
    Marisa Moura.

  5. Ó Rui Rocha: pensa noutra coisa e deixa os nossos governantes resolverem esse assunto. Para o que te havia de dar? Vir para aqui defender o Jardim, não te fica bem. Mesmo sendo tu, eventualmente, madeirense…

    1. Os nossos governantes a resolverem esse assunto…
      Ehehehehehehehehehehehehehe !!!
      Ehehe !

      Para se resolver o que quer que seja, é preciso ter competência !

  6. Há algumas diferenças Alemanha<>Porugal e Portugal(Continente)<>Madeira. A principal é que o Continente está sem dinheiro e o rendimento per capita da Madeira é maior do que a média do Continente. Reconheço no entanto que o Continente tem alguma responsabilidade na situação da ilha ao ter sido incapaz durante anos a fio de por cobro aos atentados à vida democrática na Madeira. Caso Portugal tivesse feito respeitar a legalidade nesse arquipélago talvez os madeirenses já se tivessem visto livres do Alberto João Jardim.

    1. Repare, JJAmarante, o que aqui proponho não é um aumento do endividamento do Estado português, mas uma solução que poderia ser financiada através do aumento de impostos (ou redução de salários, se fosse o caso).

      1. Baixar os salários a quem ? isso é para acabar com o resto ? Um amigo meu costumava dizer que um dia, só para lixar os credores, mata-se e deixa-os a falar sózinhos….se calhar o melhor é mandarmos dizer que o Nuno Alvares Pereira era um exagerado, e que afinal não queremos a independência de Espanha, assim já se divide por mais.

  7. Os nossos irmãos “africanos” da Madeira têm tanta culpa do descalabro das contas públicas, como os portugueses da metrópole têm à de cá do burgo…

    …Olha eles: “A nossa greve é para bem dos utentes”… (Caris, CP, Metro)
    Só que não se lembraram dos utentes quando negociavam contractos de trabalho, acima das posses das empresas …Até um subsidiosinho para não faltarem ao serviço!!!!!!!!!

    Agora que esta porra está falida é que malta se arma em moralista!!!

  8. Tem toda a razão, Rui Rocha! Penso até que AJJ já se reuniu com o líder da oposição de forma a constituir um governo regional encabeçado por José Manuel Coelho. Aliás, este já se encontra de megafone na mão a pedir auxílio a todos nós…

  9. pagam como os continentais pagam, na proporção da sua dívida.

    se as condições para Portugal mudarem, então há espaço para a Madeira também ver essa mudança reflectida.

    Não acho que a Madeira deva ter um regime de excepção, nem vejo porquê.

    Se formos por aí, o povo português(continental) também não tem culpa. e vai pagar na mesma.

    seria inaceitável.

    Mas, provavelmente e infelizmente, é o que acontecerá.

    mas depois não se espere que as pessoas aceitem de bom grado os sacrifícios. e se se quer solidariedade e coesão nacional, então que os madeirenses paguem na medida do que se endividaram(ao contrário dos Açores).

    é que os cubanos já começam a ficar fartos da retórica jardinista, associada ao pagamento dos desmandos do Presidente/Rei da Madeira(ou do Governo Regional).

    e corre-se o risco de se olhar para a Madeira como os europeus olham para a Grécia. como alguém a quem é estendida a mão, e esta é mordida.

    mais uma vez, simplesmente inaceitável.

    cumprimentos.

  10. Ironia óbvia. Vários leitores caíram na esparrela: querem que a “Europa” ajude a Grécia, mas não aceitam que o conjunto dos portugueses possa ajudar a Madeira. A duplicidade do discurso politicamente correcto fica bem patente nesta caixa de comentários.

    1. Portugal CONTINENTAL, a Madeira e os Açores, são um só Portugal. Deveriam ser…
      No entanto há muitas coisas diferentes.
      A começar nos impostos que cada cidadão paga, estando os do continente sempre muito mais prejudicados (corrijam-me se assim não for).
      E foi na base dessa diferença que na Madeira se atingiu um nível de vida dos melhores da Europa ( se me enganei, corrijam-me por favor).
      O povo da Madeira, durante mais de 30 anos, votou nessa diferença. E fizeram bem, mas agora que se sujeitem.
      Nós, cubanos, temos tentado ciclicamente mudar, para melhor, mas infelizmente, só temos conseguido mudar as moscas….
      Portanto Pedro, não venha com essa da duplicidade de critérios, porque nisso a direita é imbatível.

      1. “E foi na base dessa diferença que na Madeira se atingiu um nível de vida dos melhores da Europa ( se me enganei, corrijam-me por favor).”

        Isto é uma mentira ou um mito. Há uma estatística de PIB per capita da Madeira que a fez deixar de ser considerada zona empobrecida e periférica. Mas esse número apenas representa os milhares de empresas fantasma com sede na Madeira que contribuem com menos que nada para a população local. Que, segundo sei, tem 30% abaixo do limiar de pobreza.

        Quanto ao post… era demasiado transparente.

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