«Camões, Gil Vicente, Camilo e outros mais que se verá estão a ser implacavelmente traduzidos para a novilíngua nacional para venda a preços módicos, nas bancas já a partir de amanhã. O anúncio é bastante perspicaz. Para dar exemplo de que a língua “está sempre a mudar”, apelando ao potencial leitor que “não fique para trás”, alinham-se estes tratos, ao correr das épocas: “Vossa senhoria, vossa mercê, vossemecê, você, tu, pá, coisinho, meu.” E garante-se que na “coleção klássicos”, “a primeira coleção que respeita o novo Acordo Ortográfico”, “recomendada pelo Plano Nacional de Leitura” e com “revisão atualizada pela Associação de Professores de Português”, hão-de estar “26 obras fundamentais da literatura portuguesa”. Enfim: “Os clássicos como nunca os leu.” Com K, claro. (…)
Quem sabe se limando as consoantes mudas e outras atrapalhações da escita não lhes dá também para limar os “pera”, os “fermosa”, os “inda”, os “assi” e demais velharias, isto só para falar no Luiz Vaz. (…) Não se percebe, aliás, por que temos de ler de Camões pieguices como “alma minha gentil que te partiste” quando tu, pá, coisinho, meu, lerias bem melhor “garina minha baril que te basaste”. Por que razão continuam a maçar-nos com os clássicos se os “klássicos” são muito mais “atuais”? E se têm o carimbo das altas individualidades e tudo? Secretaria de Estado, Instituto Camões, Biblioteca Nacional, Associação de Professores de Português, Plano Nacional de Leitura? (…) Não fiquem é por aqui, por favor. Peguem nas envelhecidas traduções que por aí há e “atualizem” tudo: Platão, Homero, Dante. E já viram a Bíblia, que “desatualizada” está?
Sejam rápidos. Havemos de ouvir, nas ruas: “Taprobana, meu!” “Taprobana? Tá-se”.»
Nuno Pacheco, no Público

Fico satisfeito com esta medida fiscal, depreendo que o estado cumprirá também com o que propõe, honrará as rubricas presentes nas facturas, inclusive os prazos de pagamento, de modo a ser solidário com o prestador, de modo a que este quando liquidar o IVA, o faça com dinheiro já recebido. Que equidade tem o estado, sem partidarizar, de impor regras se não as cumpre, a nossa democracia não é assim tão jovem, já é tempo de ser-mos honestos e deixar de honrar Portugal somente com palavras e efectivar-mos com actos visivéis e concretos essa honra que principalmente a classe politica e seus bois, digo boys, continuamente desrespeitam.
??
Fantástico. Enfim, mais vale manter o sentido de humor…
Iá, meu. Tá-se.
Baril. Não te ponhas a atrofiar, Pedro.
Népia. Bué da fixe.
Pedro:
Ya meu, tá-se bem, é assim uma cena com bué de coltura.
Eu continuarei a escrever como me ensinaram em Português e sem ofensa usarei o novo acordo ortográfico para limpar o rego do “s”.
E o professor Malaka autoriza?
A cor do horto gráfico é uma cena que a mim não me assiste.
Cena fatela.
Já tinha lido de manhã. Eu até me sinto mal com esta palhaçada. Se ponho os olhos num texto de Pessoa em acordês, dá-me uma coisa má.
Alguém devia declarar “ne varietur” as edições dos clássicos todos.
E eles andam por aí, os acordistas, a tentar convencer-nos com falinhas mansas.
Os acordistas agora até já mudam o nome das pessoas, Ivone. Há dias, um jornal escrito em acordês pontapeou a consoante alegadamente muda de um apelido, mandando-a às urtigas. Assaltam tudo. Até os arquivos de identificação.
Pedro, acabei de receber isto de um amigo americano:
http://www.youtube.com/watch?v=tP2y0vU7E G8&feature=player_embedded
Não tem muito a ver com este tema, mas acho que pode interessar pôr isto aqui.