«Também sou filho de um ferroviário. Costumo dizer que nasci entre carris. O meu camarada Salgueiro Maia e tantos outros capitães também o eram. Isto tem uma explicação, que tem a ver com este debate. O transporte ferroviário era para nós, filhos dos ferroviários, gratuito enquanto estudantes e isso (no meu caso foi assim) permitia-nos que de lancheira na mão nos deslocássemos onde havia estudos secundários.
Que saudades das automotoras ALLAN e NOHAB da linha do Tâmega e do comboio correio do Douro que me levava ao fim do dia para casa. Desde o 25 de Abril, e não por causa dele, que uma cáfila de incompetentes e corruptos se apossou da ferrovia em conluio com os sindicatos que a troco de benesses tudo aceitaram às administrações. Um conluio vergonhoso entre trabalhadores e gerências, todos mamando à conta. Assim os sindicalistas urbanos estiveram-se borrifando para o aniquilamento das linhas de bitola estreita que serviam regiões de grande potencial turístico como o vale do Tâmega, Corgo e Sabor.
A “moderna” clique sindical dos suburbanos de Sintra, Cascais e congéneres marimbou-se também para a ferrovia nacional enquanto elemento estratégico de desenvolvimento e defesa nacionais e permitiu às camarilhas rosa e laranja permutarem os tachos e mordomias com todo o conforto. Bastava parar os comboios da linha de Sintra para que os gerentes baixassem as calças e na embalagem mamassem mais um pouco. Despudor e compadrio.
Ainda hoje, quando vou à Praia das Maçãs, olho com saudade para a colónia de férias da CP que dava férias na praia a todos os filhos dos ferroviários (antes do 25A) e que miseravelmente os sindicatos negociaram por um prato de lentilhas. Depois serviu para albergar kosovares. Portanto, meus amigos, esta cena dos carros é mais uma que agora fora de tempo, porque o povo está atento, quanto mais não seja através das redes sociais, era só, dizia eu, mais uma cena de despudor desta gente que não tem a noção das dimensões e que chafurda no pote como bácoros sem escrupulos nem moral…»
Do nosso leitor Rodrigo Sousa e Castro. A propósito deste texto do João Carvalho.


Uma escolha merecida, compadre.
Justo destaque também para o teu excelente texto, compadre. Gosto de ver por cá Rodrigo Sousa e Castro, um dos mais prestigiados capitães de Abril.
De facto, a malta dos sindicatos, na sua esmagadora maioria, anda a defender os seus “tachos”, estando-se a marimbar para o grosso da população, sobretudo dos mais desfavorecidos. Uma vergonha a que eu nunca pensei assistir.
Os sindicatos estão pelo menos tão anquilosados como os partidos, sem perceber que já passaram décadas e que o mundo mudou.