i…mperdoável


Ana Vidal,

 

Não sei o que se passa com o jornal i. Folheei-o ontem e fiquei abismada com o mar de erros ortográficos e de sintaxe, gralhas, pontuação miserável e frases sem nexo. E tudo isto num só artigo de duas páginas, que mostra bem não ter sequer passado pelos olhos de um revisor. Dizem-me que o jornal vai acabar em breve. Não me lembro de que fosse tão mau da última vez que o li em papel, de onde deduzo que já está mesmo na recta final e ninguém se importa com a fama que deixa para trás. É pena. Foi uma agradável lufada de ar fresco no grafismo convencional dos chamados (e já tão poucos) jornais de referência nacionais. Mas o layout não é tudo. Quando não se cuida devidamente do “layin”, não há pirotecnia de efeitos visuais que disfarce a falta de brio jornalístico.

11 comentários em “i…mperdoável”

  1. Mais perplexa fiquei com a resposta a um leitor:

    «O que parece é que o António José não se sabe impor – por outras palavras, é um banana.
    Ora bem, ser um banana não é coisa que se possa mudar de um dia para o outro, ou mesmo com os anos; o estado vegetal inato é permanente. Qualquer outra pessoa já teria mandado os sogros dar uma volta, mais a querida filhinha com eles.
    Se for um banana, ela vai torcer-lhe o braço e obrigá-lo a ajoelhar; se não for, ou ter deixado de ser, será que ela a ajoelhar e pedir desculpa. De qualquer maneira, não imagina o alívio que vai sentir.»
    JCN
    (com gralha incluída) LOL

    http://www1.ionline.pt/conteudo/130266-sogros-do-pior

  2. Ter um director fascista, que ainda há pouco tempo depositava aqueles excrementos a que chamava “diário da manhã” (homenagem ao jornalinho de Salazar?) na íltima página do Correio da Manhã… também não ajudou lá muito.

  3. O Jornal i vai de mal a pior. A meio do percurso, despediu alguns profissionais, manteve jovens em precariedade, baixou os salários à redacção (consequentemente os bons foram recrutados por outros jornais, a secção de desporto é um bom exemplo). Há recém-licenciados a trabalhar 12 horas por dia para cobrir a falta de mão-de-obra. Penso que isto explica os erros e gralhas, falhas de quem trabalha à pressa e sob cansaço, recebendo em troca 600 ou 700€ por mês (se formos dividir à hora, é simplesmente miserável).
    Fora isso, já apanhei alguns artigos que me pareceram autênticas encomendas partidárias.
    Fiquei muito contente quando o jornal abriu. Mas fico muito triste por ver o rumo que tomou.

    1. Não duvido nem por um segundo do que diz, Sara. Infelizmente, essas condições de trabalho para jornalistas (e não só, mas é deles que falamos aqui) são cada vez mais comuns. Apesar de tudo, não justificam o péssimo português e o desleixo. Também penso que o “i” começou bem e tem vindo a descambar. E tenho pena.

      1. Eu penso que não justifica tudo, mas justifica grande parte. Com o cérebro cansado e pouca ou nenhuma revisão, todos nós havemos de falhar – uns mais do que outros. Mas se a Ana reparou nessas gralhas, um director que lesse o seu próprio jornal repararia também. Se nada é feito para melhorar isso…

        1. Esse é precisamente o meu ponto, Sara. O jornalista pode ser jovem, mal preparado e mal pago – é muito provável que seja tudo isto – mas tem de haver alguém responsável que faça uma revisão e aprove previamente o que se publica. Se nem isso já existe, então o melhor é acabar mesmo com o jornal.

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