
Não sei o que se passa com o jornal i. Folheei-o ontem e fiquei abismada com o mar de erros ortográficos e de sintaxe, gralhas, pontuação miserável e frases sem nexo. E tudo isto num só artigo de duas páginas, que mostra bem não ter sequer passado pelos olhos de um revisor. Dizem-me que o jornal vai acabar em breve. Não me lembro de que fosse tão mau da última vez que o li em papel, de onde deduzo que já está mesmo na recta final e ninguém se importa com a fama que deixa para trás. É pena. Foi uma agradável lufada de ar fresco no grafismo convencional dos chamados (e já tão poucos) jornais de referência nacionais. Mas o layout não é tudo. Quando não se cuida devidamente do “layin”, não há pirotecnia de efeitos visuais que disfarce a falta de brio jornalístico.

Mais perplexa fiquei com a resposta a um leitor:
«O que parece é que o António José não se sabe impor – por outras palavras, é um banana.
Ora bem, ser um banana não é coisa que se possa mudar de um dia para o outro, ou mesmo com os anos; o estado vegetal inato é permanente. Qualquer outra pessoa já teria mandado os sogros dar uma volta, mais a querida filhinha com eles.
Se for um banana, ela vai torcer-lhe o braço e obrigá-lo a ajoelhar; se não for, ou ter deixado de ser, será que ela a ajoelhar e pedir desculpa. De qualquer maneira, não imagina o alívio que vai sentir.»
JCN
(com gralha incluída) LOL
http://www1.ionline.pt/conteudo/130266-s ogros-do-pior
Sabe o que acho, Ana? Que o leitor António José é o próprio JCN. Conhecendo-o um mínimo, não me parece que haja grandes dúvidas. 🙂
Deve ser o novo acordo, é a modernidade.
É muito pior do que isso, BST. Não há acordo que justifique tanta asneira.
Ter um director fascista, que ainda há pouco tempo depositava aqueles excrementos a que chamava “diário da manhã” (homenagem ao jornalinho de Salazar?) na íltima página do Correio da Manhã… também não ajudou lá muito.
Desculpe, Samuel, mas isto não tem nada que ver com política. Mau português é mau português, seja qual for a cor das palavras.
O Jornal i vai de mal a pior. A meio do percurso, despediu alguns profissionais, manteve jovens em precariedade, baixou os salários à redacção (consequentemente os bons foram recrutados por outros jornais, a secção de desporto é um bom exemplo). Há recém-licenciados a trabalhar 12 horas por dia para cobrir a falta de mão-de-obra. Penso que isto explica os erros e gralhas, falhas de quem trabalha à pressa e sob cansaço, recebendo em troca 600 ou 700€ por mês (se formos dividir à hora, é simplesmente miserável).
Fora isso, já apanhei alguns artigos que me pareceram autênticas encomendas partidárias.
Fiquei muito contente quando o jornal abriu. Mas fico muito triste por ver o rumo que tomou.
Não duvido nem por um segundo do que diz, Sara. Infelizmente, essas condições de trabalho para jornalistas (e não só, mas é deles que falamos aqui) são cada vez mais comuns. Apesar de tudo, não justificam o péssimo português e o desleixo. Também penso que o “i” começou bem e tem vindo a descambar. E tenho pena.
Eu penso que não justifica tudo, mas justifica grande parte. Com o cérebro cansado e pouca ou nenhuma revisão, todos nós havemos de falhar – uns mais do que outros. Mas se a Ana reparou nessas gralhas, um director que lesse o seu próprio jornal repararia também. Se nada é feito para melhorar isso…
Esse é precisamente o meu ponto, Sara. O jornalista pode ser jovem, mal preparado e mal pago – é muito provável que seja tudo isto – mas tem de haver alguém responsável que faça uma revisão e aprove previamente o que se publica. Se nem isso já existe, então o melhor é acabar mesmo com o jornal.
Tem toda a razão, Ana. Parece-me obrigatório.