ATERRO DA BOAVISTA (actual Avenida 24 de Julho)
«E então por esse longo Aterro, triste no ar escuro, com as luzes do gás dormente luzindo em fila de enterro, Alencar foi falando desses “grandes tempos” da sua mocidade e da mocidade de Pedro; e, através das suas frases de lírico, Carlos sentia vir como um aroma antiquado desse mundo defunto…»
Eça de Queiroz, Os Maias
Foto: blogue Ruas de Lisboa com Alguma História


Inesperada e extraordinária fotografia, esta.
Achei o mesmo, logo no momento em que a encontrei após uma longa pesquisa: queria uma foto deste preciso local datada da mesma época em que Eça escreveu o essencial da sua obra – eis a foto.
Os blogues a que vou fazendo referência nesta série merecem a homenagem pelo facto de ajudarem a preservar a memória histórica num país que por vezes parece padecer de amnésia colectiva.
Tem razão, João, esta é uma perspectiva da Lisboa oitocentista que não se costuma ver. O caro Pedro está realmente de parabéns por esta série.
Ah o Alencar!
Abril chegou, sê minha.
Diz o vento à rosa.
Os versos do Alencar – figura que terá sido inspirada no poeta romântico Feliciano de Castilho – são um dos mais saborosos condimentos d’«Os Maias».
Concordo Pedro. Esse dístico que deixei acima gravou-se indelevelmente na minha memória a partir do primeiro momento que o li. É para mim de uma rasgo extraordinário. A imagem é de uma simplicidade de Tennyson, mas a força anímica que transite é quase byroniana.
(Desculpe lá as comparações aos britânicos, mas é o que ando a reler…)
Faz muito bem, Hugo.
A fotografia parece ser mais antiga do que «Os Maias». Não lhe noto os trilhos do americano, mas pela qualidade da imagem bem lhe podem lá estar.
Cumpts.
O seu blogue é, sem favor, um daqueles que merecem homenagem por reavivar a memória dos portugueses.
Gentileza sua, muito obrigado!
Há um livro de Maria João Janeiro que talvez conheça. «Lisboa; Historias e Memórias», passe a publicidade.
Cumpts.
Passou a publicidade – e passou bem. Agradeço-lhe a indicação da obra, que não conhecia.