CAIS DO SODRÉ
«Voltou ainda três vezes ao Aterro, não a tornou a ver; e então envergonhou-se, sentiu-se humilhado com este interesse romanesco que o trazia assim, numa inquietação de rafeiro perdido, farejando o Aterro, da Rampa de Santos ao Cais do Sodré, à espera de uns olhos negros e de uns cabelos louros de passagem por Lisboa, e que um paquete da Royal Mail levaria uma dessas manhãs…»
Eça de Queiroz, Os Maias
Foto: blogue Ruas de Lisboa com Alguma História


Pelo que me recordo, Carlos da Maia nunca foi muito feliz no aterro… Por ali andou qual “rafeiro perdido, farejando” a sua amada, sem nunca aí a encontrar Mais tarde, por ali deu voltas numa carruagem com essa mulher fogosa e insistente que era a Sra. Condessa de Gouvarinho , na tentativa de se livrar de tamanho empecilho… Vida de dandy no século XIX não era fácil…
Pois não, Hugo. Era uma canseira. Tanta mulher disponível para namorar, entre solteiras e casadas: um ‘dandy’ como o Carlos tinha a agenda demasiado preenchida…
Mas, de facto, lá para os lados do Aterro a sorte não lhe sorria.
Continua a ser o meu livro preferido. O meu coração até se atoleima com estas citações. Amorável esse Eça.