Braga, a cidade mártir, resiste à adversidade com dignidade e coragem


Rui Rocha,

 

Aparentemente, e ao contrário do que inicialmente se temia, o Congresso do PS não provocou grandes estragos na cidade. Numa ronda rápida pelas principais cervejarias e marisqueiras, conclui-se que a lagosta vendeu bem, obrigado, e que a sardinha assada com pimentos teria passado a tormenta praticamente incólume, não fosse dar-se o caso de alguns técnicos de som sem filiação partidária terem pedido quatro doses dela na tasca do Pintas. Enfim, agora é tempo de avaliar os danos com mais detalhe e de recuperar aquilo que tiver conserto. Mas, no fundo, todos sabemos que o pior ainda está para vir. Salvo milagre de última hora, está anunciado para o próximo sábado um espectáculo de Sérgio Godinho. Embora mais de trinta anos de gestão autárquica de Mesquita Machado nos tenham preparado para quase tudo, temos consciência de que alguns serão submetidos à mais dura prova das suas vidas. A tensão pressente-se no ar. Para disfarçar, as conversas centram-se na dimensão anormal dos braços dos jogadores do Guimarães. Mas, no fundo, ninguém consegue esconder esta angústia que nos deixa a todos com  um brilhozinho nos olhos.

8 comentários em “Braga, a cidade mártir, resiste à adversidade com dignidade e coragem”

  1. De facto, é muita adversidade junta… Um Congresso do PS e um concerto do Sérgio Godinho em dias praticamente consecutivos…

  2. Parece que o ambiente se compôs pela noite, com a transmissão de um programinha da TVI na praça central. O povo quer é cantigas, pá. E dizer adeus em directo. Chegou-se a temer que aparecesse o Seguro e tirasse a cadeira à Fátima Lopes. Mas foi falso alarme.

    Não sei quanto à lagosta, mas dizem que o pessoal está esperançado em comer o Berbigam na quinta. Da jornada, ficam alguns sorrisos/esgares com as asinhas espanholas; mas o que deu mesmo na vistas foi uma antiga glória dos lampiões que, apesar da artrose reumática em estado avançado, lá conseguiu que os espasmos nas pernas empurrassem a bola para o sítio certo.

  3. Eheh…eu não queria tornar-me (nem torno!) seu acólito mas esse texto podia ter sido escrito por mim!!!
    Remeto-vos, todavia, para a habitual liturgia e para as figuras de cêra que enquadraram o espaço cénico do enclave: uma estrela, um santo(s), uma roseira, um zorro piquininino a orarem pelo seguro.
    Que mauzinho que eu sou….

  4. Rui,

    A lagosta não sei, mas o cabrito, as tripas, os filetes de peixe-galo, a “costeletinha” e o abade de priscos esgotaram.

    Come-se bem na tua terra, e em conta, pelo que um destes dias, se Deus quiser, estarei de volta.

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