O regresso dos Wilco – primeiro single


escafandro,

Ou a prova de que é possível uma canção incluir versos como «sadness is my luxury» e «I was born to die alone» e levantar o ânimo de quem a ouve.

3 comentários em “O regresso dos Wilco – primeiro single”

  1. Levantas uma questão interessante: para mim, essa dupla capacidade é um absurdo e praticamente só acontece na música anglo-saxónica (que nunca se preocupou muito com as letras). Há uma coerência muito maior na música de outras línguas, o que eu acho uma qualidade essencial para uma boa canção. Mas eu sou suspeita: se uma canção tem uma boa música e uma má letra, já não consigo gostar dela. Nesse caso, mais vale que seja só instrumental.

    1. Falando genericamente, não deste tema em particular, acho possível ter música uplifting (não me ocorre de momento um termo português que exprima o que quero dizer) sobre uma história triste, da mesma forma que em filmes como ‘Laços de Ternura’ ou ‘Steel Magnolias’ estás por vezes a chorar e a sorrir simultaneamente.
      Quando o Springsteen canta “Baby you and I were born to run” não está apenas lamentar-se; quando Bono canta “Sunday Bloody Sunday” consegue ser inspirador porque não se limita a esmagar-nos com a lembrança das mortes em Londonderry. No que me diz respeito, genericamente prefiro obras (canções, filmes, livros, etc.) que permitam uma paleta de emoções variada, ocorram eles em momentos distintos ou – e é dificílimo consegui-lo – em simultâneo. Será até por isso (pelo menos em parte) que não sou grande apreciador de fado: letra, música e forma de cantar puxam todas para o mesmo lado com tal força que (com magníficas excepções, bem entendido) é como se me estivessem a tentar forçar a apreciar algo que eu perceberia igualmente bem e de que gostaria bastante mais se o ‘produto’ (à falta de melhor termo) fosse menos insistente. Curiosamente, aprecio bastante mais este romantismo exacerbado numa ópera, talvez porque esta o justifica através do enredo.

      Outro exemplo de bandas que provocam simultaneamente um sorriso e um nó na garganta (pelo menos a mim): http://escafandro.blogs.sapo.pt/282358.html

      Na questão de saber o que é uma “boa música” e uma “má letra” já nem vou entrar… 🙂

      1. Jaa, falando também genericamente, só posso concordar contigo quando dizes que uma canção (ou um filme, ou qualquer outra manifestação artística) faz o pleno quando consegue simultaneamente comover-nos e fazer-nos rir. Mas isso não é para todos, como tu próprio reconheces. O que falo é da incoerência (ou desajuste, se preferires) que existe muitas vezes entre letra e melodia, e isso acontece muito mais nas canções de língua inglesa do que nas outras. A explicação, quanto a mim, é a tradicional desvalorização da letra em relação à música.

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