Os alicerces e as fundações


Rui Rocha,

O Dr. Mário Soares tem razão quando, em tom crítico, pergunta ao governo: e as pessoas? É uma questão pertinente quando todos nós ouvimos as infelizes declarações iniciais do Ministro Paulo Macedo sobre a questão dos transplantes, até porque a correcção do tiro que já fez não afasta a inquietação que se instalou, justificadamente, sobre a dimensão e a gravidade dos cortes que vão fazer-se na área da saúde. Exige-se a quem decide que saiba distinguir entre o corte na despesa supérflua, no investimento inútil ou no gasto redundante, e tudo aquilo que constitui o mínimo indispensável para que possamos ainda afirmar que vivemos num país justo e decente. Por isso, tenho a certeza que o Dr. Mário Soares aplaudirá esta notícia. Pela minha parte, faço-o sem reservas, esperando que se concretize com eficácia e bom senso. Na minha opinião, a reforma do Estado apresenta semelhança com a construção de edifícios. Deve começar-se sempre pelas fundações. 

24 comentários em “Os alicerces e as fundações”

  1. Oh Rui,

    O Governo do PSD publicou hoje em Diário da República a Fundação Sousa Cintra…
    As fundações são para acabar? Quais? A de Mário Soares, para acabar com o pluralismo ideológico e cívico? As que não pensam como o governo?

    1. Caro anónimo, tive a oportunidade de escrever que espero que a medida se concretize com eficácia e bom senso. E é isso que espero e reafirmo. Não respondo, como compreenderá, pelos actos do governo, dos quais já fui crítico e voltarei a ser sempre que se justificar.

      1. Permita-me aconselhar-lhe, então, a leitura diária do Diário da República. A 2.ª Série é fantástica!

        1. É algo que já me tinha proposto. Decidi estender a leitura até ao ano de 2005. Mais seria humanamente impossível. Com menos perderia a ideia de conjunto.

          1. Caro Rui,

            Não se limite e não limite a sua leitura: está tudo disponível desde 1910.
            Mas confesso que tem particular interesse a partir da tomada de posse de cavaco Silva como Primiero-ministro.

          2. De 2005 para cá não fica com a tal “visão de conjunto”.
            Mas imparcialidade não se espera de si.

          3. Anónimo,

            Não seja impertinente.
            O Rui já disse que “até 2005 já vai exigir um esforço enorme” … a começar precisamente no primiero governo de Cavaco Silva.
            E não a começar agora e recuando até 2005.
            Trata-se de uma questão de bom português.

          4. O português é de facto uma língua difícil, Maria. Culpa minha, certamente. Mas, vou ser mais claro. José Sócrates esteve no governo 6 anos. Teve mais do que tempo de corrigir erros cometidos antes de 2005. Passos Coelho está no governo há 3 meses. Já teve tempo para fazer algumas asneiras, mas não o necessário para corrigir a situação que lhe foi deixada. Veremos se o fará, embora me pareça que existem alguns sinais preocupantes. Qualquer análise do presente deve ser feita a partir da responsabilidade de Coelho e Sócrates, tendo em conta estas circunstâncias temporais. Daqui por 5 anos só fará sentido falar de Coelho. Em todo o caso, esclareço que não tenho qualquer simpatia por Cavaco, em quem não votei nas últimas presidenciais, nem por Mário Soares, como o post deixa transparecer

          5. Não lhe dou certamente a imparcialidade que espera e lhe convém. Mas, dei-lhe o tempo de antena necessário para manifestar a sua posição. Esgotou-o.

  2. Do “Senador da República”, espera-se tudo e o seu contrário.E a tradicional bonomia do homem faz-nos perdoar-lhe alguns dos dislates que profere.
    Bronzeadérrimo e com a proeminente pança qua a boa vida lhe consente, esquece-se que já lhe pagámos tudinho a que tem direito, a começar pela reforma dourada e continuando nas mordomias de ex-chefe de Estado.
    Dr. Mário Soares:Portugal e os Portugueses, em geral, agradecem o que fez pelo país mas deixe de fomentar a ignorância atrevida das suas palavras pretensamente simples e simultâneamente redentoras da Pátria, dos pobrezinhos e das tais “pessoas” que somos todos!
    Cansei do pretenso unanimismo em redor da sua figura.Respeito- o mas não me comovo com a sua pretensa indignação!!!

  3. Arre que este homem cansa! Respeito meu nunca o mereceu e tenho por ele uma estima em tudo comparável à que o Almada Negreiros devotou ao Dantas. Só me faltou foi escrever um Manifesto. Ademais a figura deste senhor é bem menos consensual do que o que muitos gostam de deixar transparecer.

    Olhem só me ocorre um termo inglês para descrever o homem: Preposterous ! (mas dito assim com aquele sotaque britânico carregado de desdém).

    1. “Prepostourous”?
      Meu amigo, com Soares, é francês.
      Inglês (técnico) é com Sócrates.
      Mas imagino que lhe caiam mal os dois.

    2. Prefiro pensar que Soares teve contributos importantes para a nossa democracia, no meio de muitos erros de percurso. Mas, tal como ali refere o Rendas de Bilros, parece-me que não lhe estamos a dever nada.

  4. …”Aplaudirá”. Não. Pensará: ” tão mexendo no meu bolso”!!!
    Para dizer mal publicamente se encarregará o “sobrinho”, num dos tipicos “Frente a Frente ” da SICN.

  5. Algumas não passam de afundações, como a que tem o nome do dito cujo.
    Seria bom que viessem a lume as fontes de financiamento daquilo, bem como do “museu” de Cortes-Leiria…
    Não haveria surpresas de espantar (já se sabe o que a casa gasta), mas era didáctico…
    (A propósito: quando haverá alguém que determine uma auditoria à forma como o Município de Lisboa, na altura presidido pelo filho do patrono, deu à Fundação MS dois prédios na Rua de São Bento? Seria igualmente didáctico, não?).

  6. Só uma coisa maior que o ego do Mário Soares: a sua infidável demagogia.
    Meteu o (seu) socialismo na gaveta, o País neste buraco europeu, calou gritantes dislates do seus apanigoados , e lá está ele a peroar a sua demagogia “preocupadíssimo com as pessoas… !”.
    Há almas que não conhecem a vergonha.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *