Sociologia de balneário


Cristina Almeida,

 

De manhã cedo, assim que largam as crianças na escola, chegam as gordas. Vêm já de fato de treino e com o episódio da Oprah ainda na cabeça. "Tu podes ser o que tu quiseres. Basta querer", repetem, baixinho, a boiar na água morna, agarradas a um tubo de esferovite colorido e de olhos postos na professora esguia que esbraceja em seco. À hora de almoço cedem a vez às executivas. O balneário enche-se de mulheres em dieta permanente, de calças masculinas e sapatos de meio salto. Movem-se rapidamente, sabem sempre os horário das aulas, trocam entre si polidos comentários sobre as vantagens do step e do pilates e, assim como chegam, partem em bandos, sem deixar nada esquecido. A meio da tarde chegam as donas das lojas e as profissionais liberais. Bronzeadas, carregadas de pulseiras e brincos, com fatos de treino brasileiros, fazem grande algazarra. Espalham-se pelo ginásio, combinam jantares e falam de sushi e quando partem deixam perfumes exóticos e ganchos da cabelo, meias, cadeados dos cacifos em desordem. É no lusco-fusco que aparecem as fatais. Vestidas de preto, de meias de rede e saltos agulha, puxam intrigantes malas de viagem de onde retiram peças de lingerie de renda negra. Antes de sairem do balneário, sempre maquilhadas,  verificam o telemóvel, mandam o último sms com um sorriso misterioso. Mas para onde é que elas vão?

 

17 comentários em “Sociologia de balneário”

  1. Crsitina ele não há coincidências dizia o outro 😉 Ontem escrevi sobre o meu vicío nos ginásios .. durantes os meses de outono / inverno. Esta “tropa” de que fala começa a aparecer mal o sol raia com algum calor e desaparece, felizmente, pelo final do Verão. É nesta altura que eu tiro férias da gym! 😉

    Gostei. **

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