«O principal ingrediente para a receita deste Governo funcionar é dar esperança às pessoas. Embora este Governo tenha de lidar sobretudo com uma questão tremenda do ponto de vista financeiro, que é sempre uma coisa desagradável porque é uma política de austeridade, é uma política de restrições. A austeridade e as restrições muitas vezes atingem também casos que já são quase casos-limite de sobrevivência. Mas talvez por isso mesmo têm de encontrar uma justificação, para além da economia, para justificar toda esta austeridade económica e financeira.»
Jaime Nogueira Pinto, no Diário de Notícias

Uma boa reflexão, sem dúvida, que vai precisamente ao encontro daquilo que há muito venho afirmando.
Justificação para a austeridade financeira existe e é perfeitamente compreensível, mas haver austeridade económica, que não derive da primeira, é algo completamente injustificável. Se financeiramente temos que racionalizar os custos do Estado, economicamente temos que crescer, sob pena de cairmos na armadilha da pobreza; e para isso bastava uma política que facilitasse o investimento e a criação de empresas, flexibilizasse o mercado laboral, etc. Em suma uma liberalização da economia portuguesa onde o Estado está demasiado presente, através do monopólio de sectores chave, o que inibe a concorrência e o livre mercado (no séc. XXI só já em Cuba ou na Coreia do Norte!). E são estes sinais que tardam em aparecer ao povo português.