Desesperadamente


Pedro Correia,

 

Enquanto o mundo acompanhava com emoção a vaga de violência gratuita que varreu várias cidades do Reino Unido, na Somália morria-se de fome perante a indiferença quase generalizada. É um drama que se desenrola a um ritmo constante: 640 mil crianças estão mal nutridas. E já morreram 29 mil com menos de cinco anos.

Enquanto na Europa uns destroem tudo à sua volta em busca de aparelhagem electrónica e vestuário desportivo de marca, milhões de habitantes do continente africano querem simplesmente um pão ou uma tijela de arroz.  Desesperadamente.

Não nos enganemos de perspectiva: é na direcção destes que devemos olhar.

22 comentários em “Desesperadamente”

  1. E porque é que os somalis morrem à fome quando os seus armazéns portuários estão a abarrotar de alimentos há vários meses?

    Pois, a perspectiva é uma coisa lixada…

    1. Não, a perspectiva não é lixada. Pelo contrário, é fundamental. Permite-nos relativizar a dimensão dos problemas. Não falamos de abstracções. Este drama concreto, que atinge largos milhares de seres humanos concretos, exige respostas concretas, urgentes, imediatas.
      A retórica sobre a ‘necessidade de ensinar a pescar’ destina-se a outras pessoas, noutros lugares. Não a estas pessoas que podem morrer de um momento para o outro por carência absoluta de alimento.

      1. “Por carência absoluta de alimento”.

        Não há carência nenhuma de alimento. O alimento está todo lá. Está lá há meses. De sobejo. Percebe agora?…

          1. Agradeço-lhe a achega. Retenho sobretudo isto: «The drought in Somalia, Kenya and Ethiopia is affecting an estimated 12 million people. That is almost twice the population of Greater London. Some aid groups say the drought is the worst for 60 years.»
            Se a ajuda não chega a quem corre o risco de morrer de fome e de sede, a comunidade internacional deve mobilizar-se para que esses obstáculos sejam superados. Salvar vidas humanas é o objectivo mais nobre de qualquer missão, que não pode ser sabotada por senhores da guerra somalis ou de qualquer outra nacionalidade.
            Recordo, a propósito, que o direito de ingerência está – felizmente – consagrado na política internacional.

  2. Quer colonizar a Etiópia Pedro Correia?

    É que essa é a única opção com algumas hipóteses de sucesso.

    1. Não falo da Etiópia, mas da Somália. A comunidade internacional tem-se mobilizado para inúmeras missões consideradas “impossíveis”: o resgate de Timor-Leste, por exemplo. De momento, não concebo nenhuma tão necessária e tão imperiosa como esta.

      1. Timor e os seu Inimigo era muito mais civilizado e rico que a Somália onde na prática só havia dois lados e um deles ficou sem vontade porque foi ameaçado. Aqui quando não há riqueza a única influência que se tem são as balas e as bombas.
        A Somália não é uma ilha, as fronteiras são porosas, o território é muito mais vasto, mais difícil de abastecer, há inúmeros grupos com os mais variados interesses.

        A fome não se deve à seca mas à ausência de segurança. Sem segurança ninguém investe a não ser na própria guerra e no modo de a sustentar.
        Se quer paz na Somália terá de colonizar o território, investir e para lá chegar matar uns bons milhares durante umas décadas.

        Isto dá uma pálida imagem:
        http://www.spectator.co.uk/essays/all/7141183/draught-didnt-cause-somalias-famine.thtml

  3. Enquanto isso, os abutres do costume preparam mais uma série de eventos solidários que, como é hábito, darão saldo nulo ou servirão para custear os salários dos administradores das queridas ONG’s.
    E as hienas vão já carregando os barcos com os excedentes agrícolas subsidiados a preço de ouro que serão despejados oportunamente para o fundo das águas do Índico.

    A caridade é um negócio milionário.

  4. Já sei: vamos exigir aos Estados Unidos uma intervenção militar!

    Afinal, o “Black Hawk Down” já deve ter saído do circuito comercial. E de certaza que os americanos já se esqueceram do “maior erro desde a Guerra do Vietname” (Colin Powell)…

  5. A fome na Somália provem da “fartura ” das guerras intestinas.
    Só em plena paz haverá pão para todos.

    Acho que era ali e não no Afeganistão que se justificava a intervenção militar da Nato…(ONU) em força….

      1. Não… Não… posso acreditar no que está a crer impingir ( desculpe o termo)
        Uma pequenissima amostra:

        Noticia de hoje:
        ” Tres camioes carregados com alimentos foram atacados esta sexta-feira na capital da Somália…. um soldado e vários civis mortos”….
        http// www A BOLA PT
        Há decadas que Somália vive em guerra permanente … a “seca” é guerra. Com paz haverá pão.

          1. Meu caro senhor…qualquer individuo minimamente informado sabe que a razão principal – repito .principal- da fome na Somália deve-se à guerra e ao caos em qu aquele país vive há decadas..

            BBC … CNN – Aljazira – RTP – qualquer jornal de caserna o pode informar… ou chegou ontem de Marte?

            Nota: A bOLA PT – que refiro não a do Benfica!

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