Leio aqui um post supostamente sobre «A dupla desilusão dos analistas» e supostamente para ser levado a sério, no qual Estrela Serrano conclui que «a desilusão que começa a ganhar forma no espaço público pode tornar-se duplamente penalizadora para o governo porque abrange as duas vertentes da “ilusão” prometida: a ilusão de uma ética que era negada ao seu antecessor e a ilusão de opções económicas mais justas».
As esquinas mais estreitas da opinião transbordam desses passantes desiludidos que exigem em poucas semanas o que ninguém conseguiu arrancar àquela autora, a Azeredo Lopes e à ERC — a inoperante Entidade Reguladora para a Comunicação Social — durante anos. Chamo-lhes passantes porque não vão ficar a ganhar raízes nem a fazer História. Ficam a perorar por se sentir excluídos e esfumar-se-ão depois.
É verdade que não sei se assistirei a grandes mudanças, a um novo ciclo capaz de recentrar a vida pública na ética e nos valores que me agradam e que aprendi a defender desde a juventude. Não, não sei ainda, mas já tenho muita estrada andada, já vejo muito caminho quando olho para trás, e isso permite-me saber que se fechou um ciclo.
Parafraseando Estrela Serrano, reconheço que foi encerrado um período duplamente penoso por abranger duas vertentes: a falta de ética na política que servisse de exemplo e a falta de valores morais que elevassem o sentido de justiça. Para já, antes de me desiludir, tentarei contribuir (antes como agora) para aquilo que defendo. Através de cidadania exercida — não a perorar em vão.

Têm uns “avatares” a preceito nos romances do Eça…
Bem lembrado.
Caro João,
Não votei.
Sou um dos muitos abstencionistas.
Mas tenho por hábito dar o benefício da dúvida às pessoas.
Ou aos governos.
Este governo está a ser atacado desde o momento da posse.
Talvez até antes.
Compreendo que ande para aí muita gente ressabiada e assustada.
Mas deviam ser mais comedidos na choraminguice.
Fica-lhes mal.
Há muita gente assim, Pedro. Basta que uma gota caia fora dos seus potes e são incapazes de reagir, mesmo que seja em defesa dos seus próprios interesses e convicções. Ficam apenas a perorar, ressabiados.
#§@&*?€%!!! Eu devia ter escrito isto.
A sério? Hum… Tu não és de fiar…

Não leio prosas de ressabiados, fico-me pelas leituras de terceiros e acompanho o pensamento de João sobre o assunto. Mas, findo o socretinismo abjecto que em vez de 6 pareceu durar 60 anos de forma a inculcar-se no povo ignaro, custa ler esses assomos de suposta dignidade de gente de fraca índole moral e ética como certas estrelas se comportaram ultimamente e ainda se dão ares…
Pois é. Também vejo muitos ressabiados. Por isso é que acho que o ciclo realmente mudou.